Bancários da Caixa e do BB entram em greve por tempo indeterminado em BH
Paralisação começa nesta quinta-feira (10) e sindicato estima que mais de 70% das atividades da Caixa e até 60% do BB sejam afetadas capital e Região Metropolitana
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Bancários da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil de Belo Horizonte e Região Metropolitana vão entrar em greve por tempo indeterminado a partir da 0h desta quinta-feira (10/9). A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas entre os dias 3 e 4 de setembro, após os trabalhadores rejeitarem as propostas apresentadas pelos bancos. Com a adesão, agências poderão ter as atividades parcial ou totalmente interrompidas, conforme o número de funcionários que aderirem ao movimento.
O presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Belo Horizonte e Região (SEEB/BH), Ramon Silva Rocha Peres, afirma que a paralisação ocorre porque a categoria considera insuficientes as propostas negociadas com as duas instituições.
“Os bancários vão entrar em greve a partir do dia 10 de setembro por tempo indeterminado. Os trabalhadores da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil decidiram pela paralisação porque entendem que as propostas apresentadas nas mesas de negociação são insuficientes para que possam assinar uma convenção coletiva e os acordos coletivos”, afirmou.
Na Caixa, 93,5% dos trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pelo banco. A greve foi aprovada por 68,2% dos votos, enquanto 28,5% defenderam a retomada das negociações sem paralisação. No Banco do Brasil, a proposta foi rejeitada por 81% dos votantes. A greve recebeu 47,1% dos votos, contra 43,9% favoráveis à retomada das negociações sem greve.
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Segundo Ramon, o sindicato representa trabalhadores de Belo Horizonte e de outras 54 cidades. A estimativa é que mais de 70% das atividades da Caixa na capital e na região metropolitana sejam impactadas pela paralisação. No Banco do Brasil, a previsão é de que o impacto fique entre 50% e 60%.
O número exato de agências afetadas, no entanto, só deverá ser conhecido no início do movimento. “Não consigo te precisar hoje porque vai ser só no dia, porque a gente tem que ver a adesão no dia”, explicou.
Isso significa que nem todas as agências necessariamente terão o mesmo funcionamento. Conforme a adesão dos funcionários, algumas unidades poderão manter parte dos serviços, enquanto outras poderão ter todas as atividades interrompidas.
“Se todos os trabalhadores de uma determinada agência aderirem ao movimento grevista, aquela unidade não vai ter nenhum serviço funcionando. Algumas agências vão ter o serviço de caixa eletrônico funcionando, mas eu não consigo te precisar quais delas, porque só no dia 10, quando a gente começar mesmo o movimento grevista, que a gente vai ter uma perspectiva disso. Algumas agências vão ter 100% das suas atividades interrompidas”, afirmou o presidente do sindicato.
A categoria pretende realizar um ato de greve nesta quinta-feira (10) em frente à agência Séculos da Caixa, entre as ruas Rio de Janeiro e Carijós. Segundo Ramon, a expectativa é reunir mais de 1,5 mil pessoas.
O que os bancários reivindicam
Banco do Brasil
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Bônus: R$ 3 mil, condicionado ao cumprimento de indicador do banco, sem substituir a PLR ou o PDG.
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Carreira: estudos para revisão do Plano de Cargos e Remuneração (PCR).
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PLR: pagamento em até 72 horas após a assinatura do acordo.
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Benefícios: licença-paternidade de 20 para 35 dias e reajuste do auxílio para filhos com deficiência, de R$ 760,48 para R$ 874,55.
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Saúde: adiantamento de R$ 360 milhões para a Cassi.
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Condições de trabalho: medidas de valorização para trabalhadores das centrais de atendimento e aumento da indenização em caso de morte decorrente de assalto.
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Outros pontos: abono em 31 de dezembro de 2026 e aplicação dos reajustes previstos na CCT da Fenaban.
Apesar dos avanços, o sindicato considerou a proposta insuficiente diante da capacidade econômica do banco e das reivindicações dos funcionários.
Caixa
Um dos principais pontos de resistência é o Saúde Caixa. Segundo o sindicato, o plano está deficitário, e a categoria cobra maior participação do banco no custeio e melhorias na gestão.
A proposta prevê reajuste pelo INPC mais 0,6% de aumento real em 2026 e 2027, além da possibilidade de até dois deltas por mérito por ano. Também estão previstos grupos de trabalho para discutir carreira, remuneração e condições de trabalho, a conversão de até dez dias de férias em abono e adiantamento financeiro durante afastamentos por saúde.
No Saúde Caixa, a proposta aumenta a contribuição de aposentados e pensionistas de 3,5% para 4,5% da remuneração. A cobrança por dependente passaria de R$ 480 para R$ 660, enquanto o teto de contribuição familiar subiria de 7% para 9%. Para o sindicato, essas mudanças estão entre os principais motivos para a rejeição da proposta.
Negociações
Segundo Ramon, a greve tem como objetivo pressionar os bancos públicos a retomarem as negociações e apresentarem novas propostas aos trabalhadores.
“Por enquanto a Fenaban disse que não tem diálogo mais com a categoria, que já se esgotaram as mesas de negociação e os debates e agora a greve é para a gente poder pressionar a Caixa Econômica e pressionar o Banco do Brasil para que eles voltem para a mesa de negociação, para que eles melhorem a proposta, para que eles façam uma proposta que atenda os anseios dos bancários”, afirmou.
Para Ramon, Caixa e Banco do Brasil, por serem instituições públicas, deveriam considerar as condições enfrentadas pelos trabalhadores nas negociações.
“A gente espera que a Caixa e o Banco do Brasil, como bancos públicos, reconheçam essa dificuldade que os bancários estão passando no seu dia a dia de trabalho e apresentem uma proposta que seja condizente inclusive com os lucros que esses bancos têm”, afirmou.
O que dizem os bancos
A Caixa informou que mantém aberto o diálogo com as entidades representativas dos empregados e segue empenhada na construção de uma solução para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Segundo o banco, o processo é pautado pela valorização dos empregados, pela sustentabilidade da instituição e pelo compromisso com a continuidade dos serviços prestados à sociedade.
O Banco do Brasil informou que participa da mesa única da Fenaban, com participação de todos os bancos, na qual são debatidas as questões gerais da categoria bancária, incluindo o índice de reajuste. Além disso, o banco mantém uma mesa específica com as entidades sindicais para tratar das questões relacionadas aos funcionários do BB.
Segundo o Banco do Brasil, para a data-base de 2026 foram realizadas diversas rodadas de negociação. A instituição afirmou ainda que o desdobramento das assembleias seguirá em discussão pelo setor, evidenciando o diálogo e a transparência do processo.
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O BB informou que, como alternativa ao atendimento presencial, os clientes podem utilizar o aplicativo, Internet Banking, correspondentes bancários e a Central de Relacionamento pelos telefones 4001-0001, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800 729 0001, para as demais localidades. Também há atendimento pelo WhatsApp.