Podcast fala sobre necroturismo em BH e histórias por trás dos túmulos do Bonfim
No 'Podcast do Carlini", Heberton Lopes detalha a tanatopraxia, denuncia o assédio funerário e conta como o contato com a finitude transformou sua visão sobre a vida
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O jornalista Heberton Lopes, pioneiro na cobertura do segmento funerário no Brasil, participou do "Podcast do Carlini" para desmistificar o universo da morte. Com seu canal "Vim Te Mostrar", ele aborda temas como tanatopraxia, luto e inovações tecnológicas do setor.
O projeto surgiu durante a pandemia, inicialmente sem um nicho definido. O interesse do público cresceu quando Lopes começou a explorar profissões curiosas, com destaque para a preparação de corpos, direcionando o conteúdo do canal.
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Segundo o jornalista, seu objetivo é quebrar tabus e tratar do assunto com respeito, dignidade e técnica. Ele explica que o contato diário com a finitude transformou sua percepção, levando-o a valorizar mais o presente e os momentos com pessoas queridas.
A ciência por trás da tanatopraxia
Heberton Lopes detalhou o processo de tanatopraxia, explicando que se trata de uma medida essencialmente sanitária, não apenas estética. O procedimento retarda a decomposição e garante a segurança biológica durante o velório.
O método tradicional inclui uma incisão acima do umbigo para aspirar resíduos corporais e substituir parte do sangue por fluidos arteriais conservantes. O processo é finalizado com necromaquiagem e ornamentação. Ele também mencionou o avanço de fluidos livres de formol para proteger a saúde dos profissionais.
Em casos de corpos que passaram por necropsia no IML, o procedimento é mais complexo, pois o sistema circulatório foi afetado e exige a remoção das vísceras.
Necroturismo ganha espaço em Belo Horizonte
O episódio também aborda o necroturismo, modalidade que transforma cemitérios em espaços de visitação histórica e cultural. Em vez de tratar esses locais apenas como espaços ligados à morte e ao luto, a proposta é conhecer personagens, obras de arte, arquitetura e acontecimentos relacionados às pessoas sepultadas.
Durante a conversa, Heberton Lopes cita o trabalho da historiadora Marcelina Almeida, que realiza tours no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte. Segundo o jornalista, os passeios apresentam a trajetória de personalidades enterradas no local e ajudam a compreender a participação dessas figuras na construção da história da cidade e da sociedade.
A proposta, explica Heberton, é fazer essa visita de maneira respeitosa e educativa, valorizando o patrimônio histórico e artístico do cemitério. O Bonfim, inaugurado em 1897, é o cemitério mais antigo em funcionamento de Belo Horizonte e reúne túmulos de personalidades ligadas à história política, cultural e social de Minas Gerais.
Assim, o necroturismo transforma o cemitério em uma espécie de museu a céu aberto, aproximando o público da história por meio dos túmulos, esculturas, mausoléus e trajetórias de quem está enterrado ali. No podcast, o assunto aparece como mais um exemplo de como falar sobre a morte também pode ser uma forma de preservar a memória e entender a própria história de Belo Horizonte.
Inovações e alertas éticos
A conversa abordou soluções modernas no segmento, como a transformação de cinzas de cremação em biodiamantes e o uso de silicone para a reconstrução facial e de membros.
Um ponto central foi a denúncia do chamado “assédio funerário”, prática em que empresas abordam famílias fragilizadas logo após um falecimento para vender serviços. Lopes questiona como essas funerárias obtêm informações privilegiadas, destacando a importância da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
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O jornalista também diferenciou a doação voluntária de corpos para a ciência da importação de tecidos e partes humanas por empresas privadas para fins de cursos, tratando o corpo como mercadoria.