ROTAS DE RISCO

Mortes no retrovisor cobram prudência total nas estradas mineiras

Com histórico de um óbito a cada 5 horas e 49 minutos, rodovias estaduais e federais em Minas tendem a impor desafio ainda maior no feriadão. Atenção redobrada é regra de ouro ao volante

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Um alerta para quem enfrenta as estradas mineiras no feriado de 7 de Setembro emendado ao fim de semana. A cada 56 minutos, uma batida, saída de pista ou atropelamento ocorreu nas rodovias mineiras em 2026, deixando uma pessoa ferida a cada 1 hora e 46 minutos e levando uma vida a cada 5 horas e 49 minutos. Esse é o saldo da violência nas estradas mineiras no primeiro semestre de 2026, consolidado pela reportagem do Estado de Minas com base nas estatísticas da Polícia Rodoviária Federal (PRF), nas BRs, e da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), nas MGs, MGCs, AMGs e LMGs.

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Ao todo, de janeiro a junho, foram 14 mil sinistros, 746 mortes e 7.820 feridos nas estradas mineiras. Destes, 4.261 (30,4%) sinistros federais e 9.739 (69,6%) estaduais; 363 (48,7%) óbitos nas vias da União e 385 (51,3%) nas do estado; e 5.325 (68%) feridos nas BRs e 2.495 (32%) em rodovias do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG).


As malhas somadas chegam a 37.675,4 quilômetros de rodovias em Minas Gerais, sendo 9.991,6 (26,5%) quilômetros de estradas federais e 27.683,8 (73,5%) quilômetros de estradas estaduais.


Os números mostram que o quantitativo de sinistros de 2026 se manteve praticamente estável se comparado com o mesmo período de 2025, com alta de 0,3% ante os 13.953 registros do ano. Segundo a PRF e a Sejusp, o volume maior de acidentes nas estradas que cortam os municípios mineiros se deve à falta de atenção e à não manutenção de uma distância de segurança para o veículo seguinte.


Já as mortes caíram 7,1%, tendo ocorrido 803 óbitos em 2025, enquanto os feridos também se retraíram, num total de 4,2%, com o registro de 8.167 vítimas no ano anterior. Os dados da PRF e da Sejusp mostram que boa parte dos acidentes mais mortais se deveu à alta velocidade, falta de atenção e aos atropelamentos de pedestres. As rodovias federais mais violentas foram a BR-381, com 1.347 sinistros, 87 mortes e 1.633 feridos. Em segundo lugar aparece a BR-040, com 850 acidentes, 73 óbitos e 1.019 feridos. Na sequência, vêm a BR-116, BR-262 e a BR-050.


As estradas estaduais têm características diferentes, e enquanto algumas mais movimentadas produziram mais sinistros, outras, mais perigosas, foram mais mortais. A MG-050 é uma via estadual privatizada e foi a campeã de acidentes, com 847 registros em 2026, um número que é 10,3% mais alto que o de 2025, quando houve 768 ocorrências. Os feridos também se ampliaram, em 1,4%, com 218 vítimas. Por outro lado, foram menos 24,1% mortes, com 22 registros.


Em segundo lugar, aparece a MG-010, que liga Belo Horizonte pela Linha Verde ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, a Serra do Cipó e o Vale do Jequitinhonha. No período observado, foram 553 acidentes, uma alta de 5,3%. Mas as seis mortes e 182 feridos representaram quedas respectivas de 40% e 6,2% no comparativo ao mesmo período do ano anterior.


A estrada mais letal entre as rodovias estaduais é a MGC-135, antiga BR-135, uma importante ligação entre as regiões Central e Norte de Minas Gerais, atualmente sob concessão à iniciativa privada. A via registrou o terceiro maior índice de sinistros, com 293 ocorrências, mas foram 34 pessoas mortas de janeiro a junho, o que representa alta de 6,2% ante os 22 óbitos de 2025. Um total de 130 pessoas saíram feridas de acordo com os registros da Sejusp.

CONVERGÊNCIA DE ALTO RISCO

Quais foram os municípios mineiros com mais desastres e mortes? O levantamento dos sinistros e óbitos de trânsito nas rodovias mineiras administradas pela União e pelo estado feito pela reportagem do EM mostra onde houve mais ocorrências no primeiro semestre de 2026.


Como as estradas mais movimentadas convergem para Belo Horizonte e se irradiam a partir da capital mineira, é natural que o município seja o com maior número de sinistros rodoviários do período, com 718 registros, quatro mortes e 196 feridos. Comparando com os seis primeiros meses do ano anterior, as ocorrências representam um aumento de 17,3% nos acidentes, queda de 50% das mortes e ampliação de 3,7% dos feridos.


A estrada com mais sinistros foi a MGC-356 (antiga BR-356), via concedida da União para o estado e que é uma importante ligação com o Anel Rodoviário e do município de Nova Lima com BH. Foram 235 acidentes no primeiro semestre de 2026, um número 24% superior aos 189 do mesmo período de 2025. Uma pessoa morreu e outras 47 ficaram feridas nos acidentes.


A maior parte dos acidentes que tiveram suas causas indicadas pelas autoridades de trânsito na MGC-356 ocorreu por falta de atenção, com 133 registros, seguidos de não manutenção de distância adequada para o veículo da frente, com outras 30 ocorrências. Os carros foram o tipo de veículo mais envolvido, com 22 registros, seguidos pelas motos que estiveram em 48, os caminhões, em 22, e os ônibus, com 21.


A via belo-horizontina onde mais pessoas morreram foi a MG-010, com duas vidas perdidas pessoas em 209 sinistros com outros 80 feridos. Também a falta de atenção levou a essa tragédia, identificada em 102 ocorrências. Não manter distância de segurança para o veículo seguinte foi fator causador de 20 ocorrências.


O município de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi o segundo com mais acidentes, tendo registrado 417, e também o segundo com mais óbitos, num total de 15, além de 394 pessoas feridas. A estrada onde mais pessoas morreram no município foi a BR-381, que corta a sua zona industrial na ligação entre Contagem e São Joaquim de Bicas. Foram nove mortes em 323 sinistros, nos quais 355 pessoas saíram feridas. A BR-262 foi a segunda mais violenta de Betim, com 25 acidentes, mas quatro óbitos e 36 pessoas feridas na estrada.


DESATENÇÃO E TOMBAMENTOS EM CENA

Os cenários com maior volume de acidentes e vítimas que sobreviveram na BR-381, em Betim, foram a desatenção e imprudência quanto às distâncias. A falta de atenção com colisão traseira causada por ausência de reação do condutor gerou 91 acidentes, com 94 feridos.


Já os piores cenários de acidentes fatais foram tombamentos e atropelamentos. Dos nove sinistros com mortes, quatro (44,4%) foram tombamentos. As causas associadas foram a ausência de reação, reação ineficiente e condutor dormindo. O segundo cenário mais letal foram os atropelamentos noturnos, com três mortes (33,3%), sendo as causas mais anotadas os pedestres andando na pista, pedestres cruzando fora da faixa, e acesso à via sem observar o fluxo.


No interior, o município com mais registros de acidentes é Uberlândia, com a segunda maior população do estado (762 mil habitantes) e o terceiro maior registro de sinistros, com um total de 384. Uberlândia, contudo, é o município onde mais pessoas perderam suas vidas em acidentes rodoviários no primeiro semestre de 2026, com 19 óbitos registrados nas estradas e ainda 212 vítimas feridas.


A BR-050 – que faz a ligação do maior município do Triângulo com Uberaba e com Araguari – foi a via com maior registro de sinistros, somando 90 ocorrências, nas quais quatro pessoas perderam suas vidas e outras 85 acabaram feridas – mesmo quantitativo de mortes da MGC-497, que liga o município com Prata.


Na BR-050, a maioria dos acidentes ocorre em condições que, teoricamente, deveriam ser as mais seguras (pista Dupla, reta, pleno dia e céu claro). Os piores cenários em volume e potencial de feridos foram a colisão traseira por desatenção ou falta de distanciamento, predominantemente em trechos de reta, em pleno dia ou plena noite, sob céu claro.


MANTENHA DISTÂNCIA

As causas principais foram a ausência de reação do condutor, reação tardia ou ineficiente e o condutor deixar de manter distância do veículo da frente. Muitas das ocorrências envolveram múltiplos veículos (há registros de engavetamentos e colisões com até cinco ou sete veículos) e geraram um alto número cumulativo de feridos.


Outro grande volume de acidentes com feridos se relaciona às saídas de pista e tombamentos, muitas vezes em declives, curvas ou viadutos. Entre as causas desses sinistros, as mais frequentes foram o condutor dormindo, velocidade incompatível, avarias/desgaste excessivo no pneu e acúmulo de água sobre o pavimento.


Já os piores cenários que levaram às quatro mortes, dois envolveram colisões traseiras em retas, sendo ambas em trecho urbano. Outra morte se deu em colisão frontal por ingresso na contramão. Transitar na contramão em pista dupla resulta em impacto frontal somando a velocidade dos dois veículos, sendo um dos cenários de maior severidade na engenharia de transportes. A outra morte ocorreu em atropelamento de pedestre sob chuva. A combinação de chuva (menor visibilidade e maior tempo de frenagem) com declive agrava a incapacidade de reação do motorista.

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O maior número de mortos foi registrado na LMG-503, onde cinco pessoas perderam suas vidas em 70 acidentes que deixaram também 14 feridos. A via faz parte do contorno sul de Uberlândia. No total, 38 das ocorrências se deram por falta de atenção dos condutores, enquanto cinco outras foram consideradas como causadas pela falta de distância de segurança para o veículo da frente. 

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