Os veículos pegaram fogo após a colisão: o filho do caminhoneiro e uma passageira do ônibus morreram carbonizados
O desastre de ontem, no limite entre Esmeraldas e Capim Branco, no sentido Belo Horizonte, ocorreu às 5h de ontem e matou uma passageira do ônibus da empresa Pássaro Verde, que viajava de Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, para a capital mineira, e o filho do caminhoneiro. Os corpos dos dois foram carbonizados. Entre os feridos estão uma criança, com idade aparente de 8 anos, e um bebê, de 1. O ônibus estava a 40 quilômetros do destino, observou a empresa, em nota. Os feridos foram encaminhados para o Hospital Municipal Monsenhor Flávio D’Amato, em Sete Lagoas. Segundo a concessionária do trecho, a Via Cristais, a faixa no sentido sul (BH) foi liberada às 11h43, mas até as 13h o trânsito seguia lento.Até a liberação, foi implantada mão dupla no sentido norte (Sete Lagoas).
De acordo com levantamento feito pela reportagem do Estado de Minas sobre estatísticas de ocorrências da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a BR-381 em Minas Gerais já figura como a estrada federal que mais matou nos estados, entre janeiro e julho de 2026. Foram 1.347 sinistros, nos quais 87 pessoas perderam a vida e 1.633 ficaram feridas.
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A BR-040, palco do acidente de ontem, está entre as mais críticas do país, a quarta mais mortal entre os trechos de estados, com 73 óbitos em 850 sinistros que ainda deixaram 1.019 feridos. A BR-277, no Paraná, foi a segunda que mais matou no período, com 80 óbitos em 1.075 acidentes e 1.209 feridos. Seguida da BR-116, na Bahia, que fechou o período com 75 óbitos em 489 sinistros e 662 feridos.
Fazendo um comparativo entre o primeiro semestre de 2026 e o mesmo período de 2025, o segmento onde as duas pessoas morreram e 23 se feriram ontem, em Esmeraldas, é o mais violento da BR-040 em Minas Gerais. Segundo os dados da PRF, a BR-040, entre BH e Paracatu (direção BH a Brasília), registrou 43 mortes, o que representa 59% das vítimas da estrada como um todo no estado.
Se comparado o primeiro semestre de 2026 com o mesmo período de 2025, as mortes nesse trecho, que passa por Esmeraldas, subiram de 34 para 43, um crescimento de 26,4%.Na via, que é duplicada até Sete Lagoas, o número de sinistros também foi maior, com 486 ocorrências registradas pelos policiais rodoviários federais, assim como o de feridos, com 578. Enquanto isso, o trecho BH-RJ, de Nova Lima a Simão Pereira, na divisão com o território fluminense, registrou 364 sinistros, com 30 mortes e 441 feridos no mesmo período.
FALHAS COMPORTAMENTAIS
O segmento do acidente em Esmeraldas está situado integralmente em área rural com variações de aclive e declive. Em horários fora dos picos da manhã e da tarde, a localização propicia o desenvolvimento de altas velocidades.
As falhas comportamentais são a causa primária da maioria das ocorrências registradas ali desde 2022. Foram anotados pela PRF episódios de reação tardia, condutor dormindo ao volante, velocidade incompatível e ingestão de álcool. O sinistro de maior gravidade apontado nos levantamentos até junho ocorreu em plena noite por trânsito na contramão, resultando em uma colisão frontal com um óbito.
Episódios de chuva e acúmulo de água sobre a pista atuam como agravantes críticos na via, provocando episódios de aquaplanagem, colisões laterais e tombamentos em retas. Há uma concentração expressiva de acidentes por perda de controle do veículo — englobando saídas de pista, capotamento e tombamentos (estes últimos também associados a avarias mecânicas e desatenção), que somaram cinco pessoas feridas.
Já a estrada mais mortal do Brasil no período, a BR-381, matou mais no segmento da Rodovia Fernão Dias, entre Contagem e Extrema. Foram 968 sinistros com 47 óbitos e 1.120 feridas. No comparativo com o mesmo período do ano passado, os sinistros na Fernão Dias aumentaram 0,9%, as mortes subiram 14,6% e o quantitativo de feridos teve alta de 1,9%.
O segmento entre Belo Horizonte e Governador Valadares – que é conhecido como a Rodovia da Morte entre BH e João Monlevade – registrou 379 acidentes, nos quais 40 pessoas perderam a vida e outras 513 ficaram feridas. Ao se comparar os registros de primeiro semestre deste ano com igual período de 2025, a via registrou 19,5% mais acidentes, as mortes subiram 21,2% e o quantitativo de pessoas feridas se ampliou em 10,5%.
O levantamento do EM mostra também que a BR-262 foi mais mortal de Betim ao Triângulo Mineiro, com 28 óbitos, do que no sentido João Monlevade a Martins Soares (MG-ES), onde 11 pessoas perderam suas vidas. O trecho também foi o mais violento em termos de sinistros, com 345 ocorrências contra 127 do segmento que faz a ligação com o Espírito Santo, tendo também registrado mais feridos, com 390 a 152, respectivamente.
VIOLÊNCIA POR QUILÔMETRO
Antes da batida entre a carreta graneleira e o ônibus de Minas Novas, o Km 491, onde ocorreu o desastre, não era um dos mais violentos. Ampliando a análise dos dados da PRF para o ano de retomada após a pandemia do novo coronavírus, em 2022, o registro era de oito sinistros, uma morte e cinco pessoas feridas. O que posicionava o trecho como o 306 º em acidentes e o 212° em mortes.
O segmento de mil metros da BR-040 onde mais batidas, atropelamentos e acidentes ocorreram foi o Km 517, em Ribeirão das Neves, também um município da Grande BH. Ali foram registrados 137 sinistros, com dois mortos e 155 feridos. Já o mais mortal da BR-040 foi o Km 614, no município histórico de Congonhas, na Região Central de Minas, com 34 ocorrências, que resultaram em nove mortes e 42 feridos.
O mesmo mapeamento, de 2022 a 2026, também destaca quais os pontos de mais sinistros e mortes da BR-381, que é a campeã em óbitos do Brasil em 2026. Os piores índices ficam na Região Metropolitana de Belo Horizonte, todos eles na Rodovia Fernão Dias. O Km 484, no município de Betim, foi o que mais sinistros registrou, com 181 ocorrências, quatro óbitos e 201 feridos no período. Já o Km 525, em Brumadinho, na Serra de Igarapé, registra o maior número de mortes. Foram 16, num universo de 60 sinistros com 99 feridos.
ESTADO LIDERA SINISTROS
De forma geral, os sinistros, mortes e feridos nas rodovias federais se reduziram no Brasil e na maioria dos estados, incluindo Minas Gerais, no comparativo entre o primeiro semestre de 2025 e os seis primeiros meses de 2026, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), compilados pela reportagem do Estado de Minas.
Em todo Brasil, foram 3,4% menos sinistros, com as ocorrências caindo de 34.779 para 33.572. As mortes foram reduzidas em 2,3%, de 2.889 para 2.822, enquanto o quantitativo de pessoas feridas caiu 3,4%, de 40.105 registros para 38.737.
O estado mais violento do Brasil foi Minas Gerais, com 4.261 sinistros nas rodovias federais, entre janeiro e junho de 2026. Mas houve recuo. O número representa queda de 4,3% nos registros ante os 4.456 do mesmo período de 2025. As mortes se retraíram 6,6%, de 389 para 363, enquanto os feridos diminuíram 4,3%, de 5.564 para 5.325.
Os registros de sinistros recuaram em 17 estados, com destaque para Roraima, com queda de 29,7% dos acidentes. Também apresentaram redução: Alagoas (-8,92%), Amapá (-10,81%), Bahia (-3,73%), Ceará (-26,52%), Distrito Federal (-1,04%), Espírito Santo (-16,52%), Mato Grosso (-5,95%), Mato Grosso do Sul (-3,9%), Paraíba (-18,12%), Piauí (-4,42%), Rio de Janeiro (-3,03%), Rio Grande do Norte (-12,58%), Rio Grande do Sul (-11,45%), São Paulo (-10,31%) e Sergipe (-5,02%).
Por outro lado, 10 unidades da Federação tiveram aumento de sinistros no mesmo período, com a piora mais acentuada ocorrendo em Rondônia, com incremento de 25,2% dos acidentes no comparativo. Também apresentaram aumento de sinistros os estados do Acre (15,7%), Amazonas (10,61%), Goiás (3,21%), Maranhão (13,88%), Pará (4,07%), Paraná (0,55%), Pernambuco (9.14%), Santa Catarina (1,2%) e Tocantins (10,49%).
Em termos de mortes nas estradas federais, 16 estados apresentaram quedas de índices no período, sendo a maior no Acre, onde a redução foi de 33,3%. Também reduziram os óbitos nas rodovias os estados de Alagoas (-14,58%), Amapá (-25%), Bahia (-2,82%), Ceará (-14,29%), Espírito Santo (-2,53%), Mato Grosso do Sul (-8,0%), Pará (-14,89%), Paraíba (-8,7%), Paraná (-10,93%), Piauí (-1,18%), Rio Grande do Norte (-5,66%), Roraima (-18,18%), Santa Catarina (-15,22%), São Paulo (-9,9%) e Minas (_6,6%).
Sergipe e Distrito Federal repetiram os seus índices de óbitos e por isso mantiveram estabilidade no levantamento. Já outros nove estados apresentaram mais mortes, sendo o pior índice o do Amazonas, onde os óbitos se ampliaram em 70%. Também experimentaram maior violência com crescimento de óbitos os estados de Goiás (14,69%), Maranhão (0,93%), Mato Grosso (7,55%), Pernambuco (11,04%), Rio de Janeiro (5,06%), Rio Grande do Sul (15,49%), Rondônia (25,0%) e Tocantins (22,73%).
MALHA GRANDE E PERIGOSA
A concentração da maior malha viária federal em Minas Gerais tem sido um dos motivos mais fortes para que o estado seja o campeão em sinistros, mortes e feridos, ano após ano, semestre após semestre. No comparativo do primeiro semestre de 2025 com os seis primeiros meses de 2026, apenas a rodovia BR-381 apresentou elevação de sinistros, em 5,56%. A BR-265 e a BR-267 mantiveram variação zero, com o mesmo quantitativo de acidentes nos dois períodos.
Por outro lado, 12 rodovias mineiras apresentaram redução de sinistros, com destaque para a BR-459 (-34,55%) e para a BR-354 (-31,91%). Também reduziram as ocorrências as rodovias BR-040 (-9,86%), BR-050 (-1,37%), BR-116 (-1,4%), BR-146 (-23,33%), BR-153 (-15,79%), BR-251 (-19,51%), BR-262 (-8,53%), BR-356 (-7,14%), BR-364 (-4,55%) e BR-365 (-8,68%).
Já o volume de pessoas mortas aumentou em quatro rodovias mineiras, com destaque para a BR-364 (500%) - aumento de um para seis óbitos, que resultou em grande variação - e para a BR-267 (60%). Também ampliaram as mortes as rodovias BR-050 (7,14%) e BR-381 (17,57%). As rodovias BR-040 e BR-354 não variaram no período.
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A segurança aumentou em sete rodovias mineiras com redução de sinistros, com destaque para e a BR-459 (-77,78%). Também reduziram os óbitos as rodovias BR-116 (-3,7%), BR-153 (-53,85%), BR-251 (-14,71%), BR-262 (-35,0%), BR-356 (-50,0%) e BR-365 (-4,35%). (Com informações de Ana Luiza Soares e Quéren Hapuque)
