Coletivo envolvido em acidente com 10 mortes no domingo, na BR-040: quatro dias depois, batida no Sul do país matou outras 23 pessoas
O quadro do perigo atinge em cheio em Minas Gerais, o estado com maior malha rodoviária federal do país e não é exclusivo deste mês de agosto. As últimas estatísticas oficiais disponibilizadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) revelam um aumento significativo dos números de mortos e feridos nos acidentes nas BRs, com alta também nas ocorrências envolvendo ônibus e micro-ônibus, tanto no Brasil quanto em Minas Gerais, entre janeiro e maio deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.
De acordo com o levantamento da PRF, houve 852 acidentes com transporte coletivo nas rodovias federais de todo o país nos primeiros cinco meses deste ano, o que representa uma alta de 4,41% em relação aos 816 do mesmo período de 2025. As mortes nesses sinistros chegaram a 101, contra 43 de janeiro a maio de 2025 (elevação de 134,8% ). O total de feridos somou 1.313, contra 882 (+48,6%) na em relação aos 882 na mesma base de comparação.
Em Minas Gerais, segundo os dados da PRF, entre janeiro e maio de 2026, foram contabilizados 103 acidentes envolvendo ônibus e micro-ônibus, com acréscimo de 7,2% em relação aos 96 registros de igual período de 2025. Esses sinistros resultaram em 26 mortes, contra 12 em 2025 (+116,6%). E deixaram 281 feridos, contra 140 (+102,14%) nos mesmos intervalos de tempo.
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Na conta dos graves acidentes com veículos do transporte de passageiros registrados nos primeiros cinco meses deste ano entra a batida entre um ônibus e um caminhão carregado de rodas de carros, que deixou nove mortos e outras 10 pessoas feridas, no Km 236 da BR-251 – estrada em processo de concessão à iniciativa privada –, em Santa Cruz de Salinas, no Norte de Minas, na madrugada de 24 de maio. O ônibus seguia de São Bernardo do Campo (SP).Após o choque, os dois veículos pegaram fogo e todos os mortos na tragédia tiveram os corpos carbonizados, sendo identificados por meio de exame de DNA em laboratório do Instituto Médico-Legal (IML) de Belo Horizonte.
O ônibus saiu de São Bernardo do Campo, em São Paulo, com destino a Aracaju, em Sergipe. Já a carreta, carregada com sucata e peças automotivas, fazia o trajeto entre Fortaleza e Piracicaba. Em junho, após a conclusão do inquérito, a Polícia Civil de Minas Gerais indiciou o motorista do ônibus por homicídio culposo na direção do veículo – quando não há intenção de matar. Ontem, o Sindicato das Empresas do Transporte de Passageiros no Estado de Minas Gerais (Sindpas) lamentou o acidente com o ônibus que provocou 23 mortes, no Paraná, e destacou a importância do cuidado com o transporte de passageiros para preservar vidas. “Esse cuidado deve estar presente antes, durante e depois de cada viagem, por meio da prevenção, da manutenção, do cumprimento das normas, da fiscalização e, em caso de acidente, da assistência efetiva às vítimas e às suas famílias”, diz o texto.
“É justamente por isso que o Sindicato defende o sistema regular de transporte, que opera em linhas e horários definidos, a partir de terminais e pontos autorizados. Nesse sistema, as empresas são identificadas, fiscalizadas e responsáveis pela segurança da operação e pelo atendimento aos passageiros”, destaca a entidade, que ainda chamou atenção para a necessidade de melhoria das condições das estradas.
Por meio de nota, a Agência Nacional de Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) também lamentou os acidentes ocorridos nas rodovias federais e afirmou que, dentro de suas atribuições, “mantém fiscalização permanente do transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros” e, nas rodovias federais concedidas, verifica “o cumprimento das obrigações das concessionárias relacionadas à conservação do pavimento, sinalização, dispositivos de segurança, atendimento ao usuário e execução de obras”. Segundo o texto, no caso do acidente de ontem no Paraná, “as informações disponíveis indicam que se tratava de viagem intermunicipal promovida por prefeitura, em veículo próprio e sem cobrança dos passageiros, portanto fora da competência regulatória da ANTT”.
MÚLTIPLOS FATORES
Para o professor Roderson Queiroz Hilário, docente do Departamento de Engenharia de Transportes e Geotecnia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), independente do tipo de veículo, seja ônibus, carreta ou carro, as tragédias nas estradas podem envolver falhas mecânicas, causas humanas, como a imprudência, ou problemas estruturais das vias. “Não existe um fator apenas. São diversas variáveis. As nossas rodovias, muitas vezes, não têm a qualidade de pavimento adequada, com má conservação. Ou não têm uma geometria que forneça ao usuário conforto e desempenho. (O problema) passa também pela imprudência dos motoristas”, avalia.
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Por outro lado, ressalta o professor, as consequências dos sinistros com veículos de passageiros são maiores. “Os impactos com dos acidentes, neste caso, são maiores. Um ônibus tem uma capacidade de transportar no mínimo 40 pessoas, o que leva a uma tendência de maior número de vítimas”, pontua o especialista.
