O Aeroporto Internacional de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, consolidou-se como o principal ponto de chegada para brasileiros deportados dos Estados Unidos. Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, até julho de 2026, o Brasil recebeu a 27ª operação do tipo neste ano, elevando o total de repatriados para mais de 1.785 pessoas. A exclusividade de Confins como destino em 2026 contrasta com o ano anterior, quando 38 voos com 3.371 deportados foram divididos entre os aeroportos de Confins, Fortaleza e Manaus.

Essa concentração de desembarques em Minas Gerais, uma prática intensificada desde 2025, não é aleatória e responde a uma questão logística e demográfica. O estado é historicamente um dos principais pontos de origem da emigração brasileira para os EUA, o que se reflete diretamente no perfil dos deportados.

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Por que o Aeroporto de Confins é o destino?

A escolha de Confins como destino principal se deve à alta concentração de mineiros entre os brasileiros em situação imigratória irregular nos Estados Unidos. Ao direcionar os voos para o estado, as autoridades americanas e brasileiras facilitam o retorno dessas pessoas às suas cidades de origem.

Muitos dos deportados são de municípios do Vale do Rio Doce e de outras regiões com forte tradição migratória. Centralizar a chegada em Belo Horizonte otimiza a logística de acolhimento e o deslocamento final dos indivíduos, reduzindo custos e o tempo de viagem dentro do Brasil após um longo e desgastante processo de repatriação.

Segundo o Itamaraty, aproximadamente metade dos brasileiros deportados são naturais de Minas Gerais, seguidos por Rondônia, com 11% dos casos, e São Paulo, com cerca de 10%.

Como funciona o processo de deportação

Os voos de repatriação não são operações comerciais. Eles são fretados e gerenciados pelo governo dos Estados Unidos, especificamente pela agência de Imigração e Alfândega, conhecida como U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE). O processo geralmente segue algumas etapas bem definidas:

  • Os brasileiros são detidos por permanecerem no país após o vencimento do visto ou por entrarem de forma irregular.

  • Após um processo administrativo ou judicial, a ordem de deportação é emitida.

  • Os indivíduos são reunidos em centros de detenção, onde aguardam o agendamento do voo.

  • O embarque ocorre sob escolta de agentes americanos, e o voo segue diretamente para o Brasil.

  • Ao desembarcarem em Confins, são recebidos pela Polícia Federal para os procedimentos de reentrada no país.

Qual o perfil e a situação dos deportados

O grupo de deportados é diverso, mas majoritariamente composto por homens jovens que buscavam melhores oportunidades de trabalho nos EUA, especialmente em estados como Massachusetts, New York, New Jersey e Flórida. Muitos chegam de volta ao Brasil apenas com a roupa do corpo e poucos pertences, após passarem semanas ou meses detidos em território americano. O volume de deportações é significativo: entre janeiro de 2025 e abril de 2026, 4.199 brasileiros foram repatriados compulsoriamente, e estima-se que cerca de 17 mil ainda aguardam processos de remoção em centros de detenção nos EUA.

Acolhimento em solo brasileiro

Para apoiar os recém-chegados, o governo federal mantém o programa "Aqui É Brasil". O atendimento inicial é realizado no Centro de Referência em Direitos Humanos para Pessoas Repatriadas e Migrantes (CREDH-RM), localizado no próprio aeroporto de Confins, que oferece suporte especializado e assistência para a reintegração dos cidadãos.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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