A BR-040 está entre as estradas federais mais mortais do país. É o que indicam os dados do anuário da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de 2025, cedidos ao Estado de Minas. A rodovia ocupa a quarta posição entre as com maior número de óbitos registrados. Além disso, também figura em terceiro lugar na frequência de ocorrências atendidas.
No domingo (16/8), o tombamento de um ônibus de viagem vindo de Belo Horizonte rumo ao Rio de Janeiro, que deixou 10 mortos e dezenas de feridos na serra de Petrópolis, escancarou o risco diário enfrentado em uma das principais artérias viárias do país. O acidente não é uma fatalidade isolada, mas o desfecho trágico e previsível em uma via historicamente marcada pelo perigo.
O trecho em que o veículo tombou, por volta das 4h30, liga a capital mineira à capital fluminense e costuma registrar intenso fluxo de passageiros. O ônibus transportava 56 pessoas e, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), operava de forma clandestina, sem qualquer autorização para a viagem interestadual. A tragédia interrompeu vidas precocemente, incluindo a de uma criança, de sete anos, e a de uma jovem grávida.
Os dados do anuário da PRF revelam que a tragédia na rodovia se insere em um contexto amplo de insegurança na malha rodoviária brasileira. O ranking das vias mais letais do país é liderado pela BR-101, que contabilizou 760 mortes, seguida pela BR-116, com 708 óbitos, e pela BR-153, com 282 vítimas fatais. Logo atrás aparece a BR-040, com 214 registros de morte, superando outras importantes artérias viárias, como a BR-163 (210 mortes), BR-316 (201), BR-230 (192), BR-381 (190), BR-364 (173) e BR-262 (169). Juntas, essas 10 rodovias somam 51% de todos os óbitos das estradas federais do país.
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A corporação considera as rodovias em sua extensão total, englobando diferentes trechos concedidos e administrados por concessionárias distintas. A BR-040, por exemplo, possui extensões gigantescas fracionadas na malha: apenas o trecho da Via 040 entre o Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais abrange 936,8 quilômetros, enquanto o trecho entre Minas e o Rio de Janeiro compreende outros 179,9 quilômetros – onde o acidente ocorreu. Vale ressaltar que, em território mineiro, a PRF atende 8.492,3 quilômetros da malha viária.
Divisão semelhante ocorre com a BR-116, dividida entre a Autopista Régis Bittencourt (401,6 quilômetros), Nova Dutra (402,0 quilômetros), CRT (142,5 quilômetros) e ViaBahia (680,6 quilômetros), e com a BR-101, fatiada entre Autopista Fluminense (320,1 quilômetros), ECO101 (475,9 quilômetros) e Ecoponte (13,2 quilômetros). Essa separação faz com que o volume absoluto de acidentes impressione, mas também evidencia como certos gargalos geográficos e de relevo – como as serras – concentram o perigo.
No pódio dos acidentes
Além da elevada taxa de mortalidade, a BR-040 destaca-se pelo alto volume de ocorrências que demandam intervenção das equipes de resgate e fiscalização. Com 3.502 acidentes registrados no anuário da PRF, a rodovia ocupa a terceira posição nacional em frequência de sinistros atendidos. O indicador reforça que a periculosidade da via é constante e não se restringe a episódios isolados.
Ela fica atrás apenas da BR-101 (13.014 sinistros) e da BR-116 (11.021 sinistros), superando outras rotas de grande tráfego, como a BR-381 (3.496), a BR-153 (2.789) e a BR-163 (2.519). Somadas, as 10 rodovias com maior número de ocorrências concentram 61% de todos os acidentes atendidos pela PRF no país.
Especialistas em segurança viária pontuam os fatores de tamanho perigo na estrada. Segundo a psicóloga especialista em segurança viária e presidente da Associação de Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans), Adalgisa Lopes, um dos gargalos é a ausência de fiscalização que cria falhas graves e estruturais. "Diferente das empresas regulares, que passam por vistorias periódicas, os veículos clandestinos têm um histórico desconhecido e muitas vezes não fazem as manutenções preventivas nos prazos necessários", explica.
Somado à precariedade mecânica, o desgaste humano surge como o outro fator decisivo. A legislação brasileira estabelece limites rígidos para o tempo de direção e horários obrigatórios de descanso para motoristas profissionais, mas o mercado clandestino ignora essas normas.
A também psicóloga e especialista em segurança viária Giovanna Varoni aponta que a madrugada é estatisticamente o período de maior ocorrência de sinistros ligados à fadiga. Sem controle sobre a jornada, o condutor torna-se um componente de alto risco. "A madrugada é estatisticamente associada à fadiga. 90% dos acidentes de trânsito são provocados por fatores humanos, e o sono e o cansaço estão por trás de boa parte desses acidentes”, afirmou ela.
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Relembre outros casos
No mesmo dia, um homem morreu em um acidente, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O motorista, e único ocupante do carro, capotou o veículo e caiu em uma ribanceira. A dinâmica do caso não foi esclarecida.
Já em maio deste ano, oito pessoas ficaram feridas após um acidente entre um ônibus intermunicipal e um caminhão, na BR-040, em Sete Lagoas, na Região Central de Minas. O coletivo seguia pela rodovia quando bateu na traseira do outro veículo. O motorista do ônibus ficou preso às ferragens e precisou ser desencarcerado, além de outras sete pessoas que foram encaminhadas ao hospital com ferimentos leves.
Ranking das 10 rodovias federais mais mortais do Brasil (PRF)
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BR-101: 760 mortos
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BR-116: 708 mortos
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BR-153: 282 mortos
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BR-040: 214 mortos
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BR-163: 210 mortos
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BR-316: 201 mortos
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BR-230: 192 mortos
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BR-381: 190 mortos
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BR-364: 173 mortos
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BR-262: 169 mortos
