Uma das brincadeiras mais tradicionais do período de férias segue trazendo sérios prejuízos para o cotidiano dos mineiros. Entre janeiro e junho deste ano, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) registrou 1.260 ocorrências causadas por pipas na fiação elétrica. O impacto foi a interrupção do fornecimento de energia para 313.224 clientes em todo o estado.

A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) concentrou o maior número de transtornos: foram 604 casos no período, deixando 181.850 consumidores temporariamente no escuro — o equivalente a quase metade das ocorrências de todo o território mineiro.

Apesar dos números expressivos, o balanço do primeiro semestre aponta uma redução nas estatísticas em comparação ao mesmo período de 2025. No ano passado, o estado contabilizou 1.338 ocorrências, com impacto para cerca de 398 mil clientes. Na RMBH, haviam sido 694 interrupções afetando, aproximadamente, 250 mil consumidores.

Mesmo com a melhora nos dados, a concessionária alerta que as condições de vento típicas desta época do ano favorecem a prática, o que pode aumentar as ocorrências. O engenheiro do Centro de Operações da Cemig, Jorge Magno, reforça que a maioria desses casos poderia ser evitada com uma simples prevenção.

"As pipas fazem parte da cultura e das brincadeiras de muitas crianças e adultos, mas precisam ser empinadas em locais abertos, longe da rede elétrica. Quando a linha entra em contato com os cabos de energia, pode provocar curtos-circuitos, desligamentos automáticos do sistema e até acidentes graves, colocando em risco quem está brincando e também outras pessoas", explica.

Risco de vida e multas

O uso de cerol e da linha chilena agrava drasticamente a situação. Além de cortarem os cabos elétricos, esses materiais podem transformar a linha em um condutor de eletricidade, provocando curtos-circuitos e acidentes severos. A prática ameaça a integridade de pedestres, ciclistas e motociclistas, além de prejudicar serviços essenciais como hospitais e o abastecimento de água. Jorge Magno destaca que o uso desses materiais potencializa os riscos e deve ser evitado em qualquer situação.

Em Minas Gerais, a utilização e a comercialização de cerol e linha chilena são proibidas, prevendo multas que variam de R$ 5,78 mil, em caso de reincidência, a R$ 289,45 mil, .

Orientações

Para garantir que a diversão não termine em tragédia ou em apagões, a Cemig reforça a necessidade de buscar locais abertos e bem afastados da fiação, como parques e campos. A orientação principal é nunca utilizar cerol ou linha chilena e manter distância total da rede elétrica.

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Caso a pipa fique presa nos fios de energia, a regra é jamais tentar resgatá-la, nem mesmo com o auxílio de varas ou subindo em postes. Nesses episódios, o engenheiro Jorge Magno orienta a manter a distância e acionar a Cemig imediatamente pelos canais de atendimento, para que as equipes técnicas façam o manejo com segurança.

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