Belo Horizonte já contabilizou 333 incêndios residenciais em casas e apartamentos nos primeiros oito meses de 2026. Os dados são do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) e revelam que, nos últimos três anos, a capital mineira registrou 1.831 ocorrências desse tipo entre janeiro de 2023 e agosto deste ano. Nesta quarta-feira (12/8), dois casos de incêndio em apartamentos foram registrados na cidade.

Os dados do ano corrente indicam que a média mensal se mantém em patamares altos, impulsionada principalmente pelos meses de maio e julho, que registraram os maiores picos de ocorrências do ano, com 58 e 56 casos, respectivamente. O comportamento dos números ao longo de 2026 começou com um janeiro que somou 29 registros. No entanto, os atendimentos saltaram para 44 casos em fevereiro e mantiveram uma média constante de 39 ocorrências mensais entre março e abril.

A situação se agravou com a chegada do outono e a proximidade do inverno: sozinhos, os meses de maio, junho (45 casos) e julho contabilizaram 159 incêndios, o que representa quase metade (47,7%) do total acumulado no ano até o momento. Em agosto, o índice já chega a 23 chamados.

Somente nesta quarta, os militares foram acionados para combater as chamas em dois apartamentos. No primeiro caso, quatro pessoas precisaram receber atendimento médico após a inalação de fumaça de um incêndio atingir um imóvel no Bairro Colégio Batista, na Região Leste de BH. Ao chegar ao local, o 1º Batalhão do CBMMG constatou grande quantidade de fumaça e precisou evacuar o prédio. As equipes também do Batalhão de Emergências Ambientais e Respostas a Desastres (Bemad) realizaram o combate às chamas utilizando o sistema de hidrantes do próprio condomínio.

Após os trabalhos de rescaldo, os militares identificaram que foram atingidos os quartos do apartamento 404. A moradora do imóvel relatou que o ar-condicionado estava fazendo barulhos. No entanto, ela não soube dizer o que causou o incêndio. Segundo o depoimento, a moradora estava dormindo e acordou com as chamas. O bloco que não foi atingido pelo incêndio foi liberado aos moradores. Já o atingido, recebeu vistoria da Defesa Civil e, além do apartamento afetado, outros três sofreram danos e foram notificados, bem como a síndica do condomínio, para eliminação de riscos.

O outro caso ocorreu no Conjunto Água Branca, em Contagem, na Região Metropolitana de BH. Um homem, de 31 anos, ficou ferido após sofrer queimaduras, e outro, de 27, morreu carbonizado no local. Conforme a denúncia recebida pelos bombeiros, antes do incêndio foi possível ouvir um barulho de explosão e sentir cheiro de gás de cozinha. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) foi acionada e investiga o caso. O corpo da vítima foi levado ao Instituo Médico-Legal (IML).

Série histórica

Quando analisada a série histórica entre 2023 e 2026, BH acumula o volume de 1.831 incêndios residenciais. O ano de 2023 permanece como o período com o maior número da série, com 522 atendimentos, com picos em julho (58) e setembro (54). No ano seguinte, o volume anual foi para 461 registros, embora a capital tenha vivenciado naquele ano o ápice histórico para um único mês: em agosto de 2024, as equipes de resgate responderam a 63 acionamentos em residências.

Em 2025, a cidade somou 515 ocorrências, com maiores registros em maio e junho, ambos com 48 chamados, e por um aumento também no mês de dezembro, que contabilizou 56 incêndios – exatamente o dobro dos 28 casos registrados no mesmo mês de 2024.

Acumulado em MG

No mesmo período, de 2023 até 2026, o Corpo de Bombeiros atendeu a 10.856 incêndios residenciais em território mineiro. Neste ano, o estado já contabiliza 1.772 ocorrências. Nos anos anteriores, Minas fechou 2023 com 3.085 casos, 2024 com 2.988 e 2025 com 3.011 registros.

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O detalhamento dos dados estaduais revela ainda uma diferença entre os tipos de moradia: as casas (residências unifamiliares) respondem por 86,4% de todos os acidentes com fogo no estado, somando 9.383 ocorrências no acumulado dos últimos anos, sendo 1.534 apenas em 2026. Já os incêndios em apartamentos (residências multifamiliares) representam 13,6% do total, com 1.473 registros no período (238 deles em 2026).

Dicas preventivas

  • Mantenha a tampa de vidro do fogão abaixada quando não estiver cozinhando
  • Nunca deixe o ferro ligado com o fio desenrolado e ao alcance das crianças
  • Jamais deixe as panelas com os cabos virados para fora do fogão
  • Nunca permita que as crianças manuseiem álcool, isqueiros, fósforos, velas acesas e outros produtos inflamáveis ou perigosos
  • Cuidado com vazamentos de gás. Certifique-se de que o registro e as mangueiras estejam dentro da validade
  • Cuidado no uso de toalha na mesa de jantar. As crianças podem puxá-la e líquidos e alimentos quentes podem cair e causar graves queimaduras
  • Antes do banho do bebê, verifique a temperatura da água na banheira antes de colocá-lo na água
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