SAÚDE

Minas ganha novo centro de desenvolvimento de vacinas e terapias de câncer

Centro de Competência Embrapii em Terapias e Vacinas com RNA (CTV-RNA), no BH-TEC, trabalha na primeira vacina brasileira contra malária

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A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) oficializaram, na manhã desta segunda-feira (31/8), a implementação do Centro de Competência Embrapii em Terapias e Vacinas com RNA (CTV-RNA) no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC), localizado no Bairro Engenho Nogueira, na Região da Pampulha. No evento, também foram anunciados avanços no desenvolvimento da vacina de RNA contra malária, inédita no Brasil. 

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Coordenado pelo CTVacinas, o CTV-RNA tem o objetivo de transformar o conhecimento acumulado pela ciência brasileira em vacinas, terapias, empresas e capacidade produtiva nacional, aproximando pesquisadores e indústria para que as tecnologias cheguem à população. Além do desenvolvimento de vacinas, a tecnologia envolvendo moléculas de RNA também pode ser aplicada para combater outras doenças, como diabetes, hemofilia, câncer e até no controle da taxa de colesterol no sangue. 

“É uma tecnologia absolutamente inovadora que já vem sendo dominada em vários países e que o Brasil precisa se colocar também dentro desse contexto de inovação em vacinas e terapias. Vai ser muito importante para a UFMG e para o Brasil. Quando a gente fala de RNA todo mundo pensa na vacina contra a COVID-19 que foi o que, de fato, chegou a controlar a pandemia. Mas vai muito além, existem várias outras terapias, novas curas de doenças e formas de tratamento que são agora possíveis utilizando a tecnologia de RNA”, afirma a professora da UFMG Santuza Teixeira, coordenadora do CTV-RNA.

O presidente do BH-Tec, Marco Crocco, enfatiza que ter um Centro de Competência da Embrapii nas instalações fortalece a função do parque de aproximar a sociedade, a universidade e os pesquisadores. 

“Aqui tem sido feito a transformação do conhecimento que está dentro da UFMG na tecnologia que está na sociedade. O parque é um lugar que a gente transforma em nota fiscal. Ter essa unidade aqui é fundamental, não só para fortalecer essa ponte que é o parque como também ajudamos a universidade a cumprir seu papel social”, declara Crocco.

A assinatura do termo contou com a presença de representantes da UFMG, da Embrapii, do Ministério da Saúde, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e do Parque Tecnológico de Belo Horizonte. O investimento total na iniciativa é de R$ 60 milhões para os próximos quatro anos, metade proveniente das Secretaria de Saúde e Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais.

Para Alessandro Moreira, reitor da UFMG, frisou que o porte alcançado pelo BH-Tec é um resultado de 20 anos que consolida a universidade na produção de vacinas. “O Centro Nacional de Vacinas (CN Vacinas) será um marco para nossa instituição e para o estado. A importância do investimento perene em ciência e tecnologia, são 20 anos que estamos trabalhando nesse processo, este é mais um passo”, defende.  

O CN Vacinas está em construção, também no Engenho Nogueira, e tem previsão de entregas da obra para o segundo semestre de 2027. Quando concluído, o CTV-RNA será transferido para o novo prédio.

Combate à malária

Santuza Teixeira conta que, entre as vacinas desenvolvidas no Centro está a contra a malária. Ela explica que a doença ainda é um problema de saúde pública muito presente no Brasil, em especial na região amazônica, e que o país não conta com uma vacina nacional. Por isso, a vacina do CVT-RNA seria um importante aliado no controle da doença. A professora acredita que dentro de dois a três anos será possível testar a eficácia do imunizante. 

Teixeira explica que existe uma vacina de malária desenvolvida na Inglaterra que está sendo distribuída na África. Entretanto, a doença em circulação no continente africano é causada por um patógeno diferente da variante brasileira. “O desenvolvimento da vacina de malária que vai resolver a situação do Brasil tem que ser feito por instituições brasileiras, que é o que estamos trabalhando. A tecnologia que vamos aprendendo vamos utilizar para outras vacinas”, diz. 

Combate ao câncer 

A tecnologia do RNA também pode ser usada para desenvolver vacinas e tratamentos do câncer. Este mês, uma vacina experimental personalizada contra o câncer, à base de RNA mensageiro (mRNA) desenvolvida pela Merck e pela Moderna obteve sucesso em prevenir a recorrência ou a disseminação do melanoma. O objetivo é que o CVT-RNA possa desenvolver estudos semelhantes em solo mineiro.  

“Recentemente foi divulgado o resultado de um estudo clínico de fase três de uma vacina de RNA contra o melanoma. Esse é um avanço superimportante porque ele treina o organismo da pessoa a reconhecer a célula cancerígena, o tumor, e destrói a célula tumoral. Então para outros tipos de câncer vai ser espetacular, realmente”, diz Santuza.

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A coordenadora do CTV-RNA acredita que os estudos na área vão avançar muito dentro de cinco a dez anos. “A palavra câncer é muito ampla, existem vários tipos de câncer e para cada tipo se precisa de uma vacina específica. No caso do melanoma já estamos muito perto de ter uma vacina, para os outros tipos de câncer vamos desenvolver estudos que vão poder então chegar a uma vacina para vários tipos de câncer”, afirma.

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