Pastor de BH é condenado a dois anos por importunação sexual
Sentença determina cumprimento da pena em regime aberto e pagamento de R$ 10 mil a uma das vítimas; defesa afirma que vai recorrer da decisão
compartilhe
SIGA
O pastor Marco Aurélio da Silva Aires foi condenado a dois anos de prisão, em regime aberto, por importunação sexual contra uma fiel da Igreja Pentecostal Gideões de Fogo da Última Hora, no bairro Jardim Vitória, na Região Nordeste de Belo Horizonte. A sentença também determinou o pagamento de R$ 10 mil por danos morais a uma das vítimas. O religioso, que respondeu ao processo em liberdade, permanece solto e poderá recorrer da decisão.
O caso ganhou repercussão em maio de 2025, quando pelo menos sete mulheres procuraram a Polícia Civil (PCMG) para relatar supostos abusos praticados pelo então líder religioso. De acordo com a decisão judicial, Marco Aurélio teria se valido da posição de autoridade que exercia dentro da comunidade religiosa para se aproximar das fiéis e cometer os atos pelos quais foi denunciado.
A condenação divulgada nesta quinta-feira (20/8) é referente especificamente ao crime de importunação sexual analisado no processo. As demais denúncias apresentadas contra o pastor podem ter encaminhamentos próprios, conforme o andamento das respectivas investigações e ações judiciais.
Relação de autoridade foi considerada na sentença
Ao analisar o caso, a Justiça considerou a relação de confiança existente entre o pastor e as frequentadoras da igreja. Conforme descrito na sentença, Marco Aurélio ocupava uma posição de influência sobre os fiéis, que o reconheciam como uma autoridade espiritual.
Esse contexto foi levado em conta pelo Judiciário para avaliar a forma como os fatos teriam ocorrido. A decisão aponta que o religioso teria utilizado a própria posição dentro da igreja e elementos relacionados à fé para exercer influência sobre as mulheres.
As denúncias, segundo as informações reunidas no processo, não se restringiram a um único relato. Ao menos sete mulheres registraram queixas apontando comportamentos abusivos e o uso da autoridade religiosa para constranger ou intimidar as frequentadoras.
Defesa apresentou laudo psicológico
Durante a tramitação da ação, a defesa de Marco Aurélio apresentou um laudo psicológico com o objetivo de contestar a acusação. A avaliação, segundo as informações sobre o processo, buscava demonstrar que o pastor não apresentaria características compatíveis com o perfil de uma pessoa que pratica abusos.
O argumento não foi suficiente para afastar a responsabilização criminal. Na avaliação da Justiça, o conjunto de provas produzido durante o processo sustentou a condenação pelo crime de importunação sexual.
A defesa informou que pretende recorrer da sentença. Como a decisão ainda está sujeita à análise de instâncias superiores, a condenação pode ser questionada por meio dos recursos previstos na legislação.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Pastor não foi preso após condenação
Apesar da pena de dois anos, Marco Aurélio não foi levado para uma unidade prisional após a sentença. Isso ocorre porque ele respondeu ao processo em liberdade e a condenação estabeleceu o regime aberto.