Santa Maria Maior: o tesouro guardado no grande templo mariano do Ocidente
Em tempo de celebrar a Assunção de Nossa Senhora, um convite a uma viagem de fé, tradição e história pela principal basílica dedicada à mãe de Jesus em Roma
Fiéis diante da Basílica, nas solenidades por um ano da morte do Papa Francisco crédito: Tiziana FABI/AFP - 21/4/2026
Roma – Foi a Basílica de Santa Maria Maior – ou Santa Maria Maggiore, na capital italiana – o local escolhido pelo papa Francisco (1936-2025) para seu descanso eterno. O túmulo simples e sem pompa, na lateral do maior templo mariano de Roma, fica sob um foco de luz que destaca um crucifixo e se amplia sobre a lápide, onde se lê, em letras maiúsculas, o nome FRANCISCUS. Neste verão europeu de altas temperaturas, a basílica recebe de portas abertas multidões interessadas em reverenciar a memória do sumo pontífice, que completaria 90 anos em 17 dezembro, além de conhecer a construção do século V, iniciada por ordem do papa Sisto III, com pontificado entre os anos 432 e 440.
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Neste fim de semana em que católicos de todo o mundo celebram a Assunção de Nossa Senhora, tradição de 15 de agosto – e em Belo Horizonte, de forma especial, ocorre a festa da padroeira da capital, Nossa Senhora da Boa Viagem –, o Estado de Minas revela detalhes do templo romano que recebe visitantes do mundo inteiro, incluindo milhares de brasileiros e, claro, muitos mineiros. A maioria, depois de admirar o interior da “Basilica Papale di Santa Maria Maggiore”, se dirige ao túmulo do argentino Jorge Mario Bergoglio, jesuíta que ocupou o trono de São Pedro durante 12 anos, de 13 de março de 2013 até 21 de abril de 2025, quando faleceu, aos 88 anos.
ANDREAS SOLARO/AFP - 5/8/2016
Entre milagres e um recado do céu
O magnífico espaço de fé, cultura e beleza dedicado à Santíssima Virgem abriga também muitas histórias, incluindo milagres. No ano de 358, segundo a Igreja Católica, teria caído neve em pleno verão romano, indicando o local onde seria erguida a primeira igreja dedicada a Maria, mãe de Jesus. Todo 5 de agosto, em forma de pétalas caídas do forro da nave,a tradição, agora perfumada, se mantém para encantamento geral que se estende ao exterior do templo, com uma “nevasca” de espuma.
Por dentro do templo mariano
Sempre que está na Itália, o arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, reserva um tempo para ir à Basílica de Santa Maria Maior: “A maior igreja mariana de Roma é sinal do amor de Deus, uma das principais referências para os cristãos, com sua beleza artística, cultural e, principalmente, com a espiritualidade mariana que inspiram conversões”.
Dom Walmor conta que “na belíssima basílica, se conserva importante ícone mariano, o ‘Salus Populi Romani’” (em português, “Protetora do Povo Romano”), título concedido no século 19 à pintura bizantina da Virgem com o Menino Jesus em seus braços. “Tive oportunidade, muitas vezes, de rezar na Basílica de Santa Maria Maior, principalmente no período em que vivi em Roma para estudos de mestrado e doutorado. Uma experiência singular, que nos remete ao coração de Maria, possibilitando-nos aprender, sempre mais, a oferecer nosso ‘sim’ a Deus, a exemplo do que fez a Santíssima Virgem”.
Estar em um ambiente sagrado tão extraordinário pela dimensão e história demanda muitas horas de contemplação, reflexão, orações e, mesmo para quem é de outro credo ou não tem religião, de silenciosa admiração. No dia em que o repórter do EM esteve na basílica, ouviam-se dezenas de idiomas e alguns sotaques brasileiros, em tom bem baixinho. Centenas de leigos e religiosos, sozinhos ou em grupo, homens, mulheres e crianças de vários cantos do mundo se espalhavam pelo interior do templo. Era uma manhã de sexta-feira em que era possível ver gruas imensas elevando restauradores no ofício de preservação da nave. Em destaque, se vê um quadro com a planta da basílica, o qual permite ao visitante a localização e a visualização de todo o espaço. Templo mariano por excelência e marco artístico, a Santa Maria Maior domina há 16 séculos a paisagem de Roma, onde existem cerca de 900 igrejas católicas. Fica no alto do Monte Esquilino e figura como uma das quatro basílicas papais da chamada “Cidade Eterna”.
Segundo a tradição, a Virgem Maria teria indicado e inspirado a construção no Monte Esquilino. Aparecendo em sonho ao papa Libério, que viveu no século IV, e a um nobre romano chamado João, pediu que fosse construída uma igreja em sua honra, “no local que indicaria milagrosamente”, conforme registra a Igreja. Assim, todos os anos, em 5 de agosto, o “milagre da queda da neve” é reconstituído por meio de solene celebração em que, durante a missa, uma chuva de pétalas brancas cai do teto, em sinal de união entre os fiéis e a Mãe de Jesus.
Mineira de Montes Claros, Maria Paula Zuba se emocionou na visita à Basílica acompanhada do noivo, o paulista Raphaell Diniz Amaral Gustavo Werneck/EM/D.A/Press BRILHO NOS OLHOS
A cada passo, em Roma e outras cidades italianas visitadas, os olhos da professora Maria Paula Zuba, mineira de Montes Claros (Norte de Minas), se iluminam. E brilham ainda mais na Santa Maria Maior. “É a primeira vez que venho à Itália. Fui criada no catolicismo, não poderia deixar de conhecer o Vaticano e a Basílica de Santa Maria Maggiore. Durante anos, apenas li sobre este país, estudei a língua, a cultura, a arquitetura, esperando o dia em que poderia ver de perto a grandiosidade e a paz transmitidas por esses lugares”, disse Maria Paula, sentindo a emoção de poder admirar a imponência da basílica e observar de perto a arte, a história e a devoção presentes. “Sentir toda a beleza guardada por séculos de tradição foi transformador. Com certeza, saio daqui com a esperança renovada.”
A professora viajou na companhia do noivo, o engenheiro civil Raphaell Diniz Amaral, paulista, que também expressou sua alegria: “Planejamos essa viagem para conhecer a Itália e as obras arquitetônicas que nos encantam. A Basílica de Santa Maria Maggiore me deslumbrou com sua grandiosidade e me fez sentir a atmosfera espiritual, que envolve cada detalhe desse templo milenar. Realizar esse sonho e viver tanta emoção e tanta fé foi um dos momentos mais marcantes da nossa viagem”.