MP aponta 135 facadas em feminicídio que gerou revolta entre mulheres
Promotoria de Justiça de Barbacena sustenta que Gustavo e Letícia tinham um relacionamento marcado por ciúmes excessivos e comportamento controlador do suspeito
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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou Gustavo Dutra Lima, de 24 anos, por feminicídio qualificado pela morte da estudante de medicina Letícia de Morais Vasconcelos Rodrigues, de 40 anos, em Barbacena (MG), no Campo das Vertentes. O crime aconteceu em 27 de junho deste ano, no Bairro do Campo. Gustavo teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia e segue preso no Presídio de Barbacena.
“Uma vida interrompida, filhos órfãos, uma mãe chorando, sonhos desfeitos e muita crueldade! Sinto muito por você, Letícia! Você será recebida por Deus, não tenho dúvidas! Agora esperamos por justiça aqui nesta terra”, escreveu uma das centenas de mulheres que manifestaram pesar nas redes sociais.
Na peça acusatória remetida à Justiça, o MPMG aponta que Letícia foi atingida por 135 golpes de faca. Gustavo também foi denunciado por furto mediante fraude. Segundo o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, a perícia da Polícia Civil identificou diversas perfurações em várias partes do corpo da vítima, incluindo cabeça, nuca, pescoço, costas, orelhas e mãos.
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A Promotoria de Justiça de Barbacena sustenta que Gustavo e Letícia tinham um relacionamento marcado por ciúmes excessivos e comportamentos controladores do suspeito.
“A vítima era mãe e, assim como o denunciado, cursava medicina. Na data do crime, os dois saíram juntos e retornaram ao apartamento da vítima durante a madrugada. Após uma discussão, o suspeito passou a agredi-la e a esfaqueá-la. Após o crime, o homem tomou banho, deixou o apartamento com o carro da vítima e levou as chaves do imóvel, cartões bancários e um tablet”, relatou o Ministério Público, acrescentando que reforçou na denúncia o pedido pela manutenção da prisão preventiva.
O ex-marido de Letícia, Francisco Daniel Siqueira, de 47 anos, acionou a Polícia Militar depois de encontrar o corpo. Antes disso, uma amiga da vítima havia estranhado a ausência de respostas às mensagens enviadas. Ciente do hábito de Letícia de responder rapidamente, a amiga foi até o prédio e pediu ajuda à proprietária do apartamento ao lado. Sem conseguir contato, ela acionou o ex-marido.
Francisco Daniel conseguiu acessar o segundo andar do imóvel por uma sacada vizinha. Ao se aproximar da escada do apartamento, viu o corpo de Letícia caído na sala, em meio a uma grande quantidade de sangue. Assustado, ele retornou e arrombou a porta principal do apartamento com a ajuda da amiga e do padrasto da vítima, que também havia chegado ao local.
“Quando você sabe que uma pessoa morreu já é muito difícil. Mas quando sabe que ela foi assassinada da forma como foi, é diferente. Os meninos estão sem chão. Eles veem tudo nas notícias, nas redes sociais, perguntam o que está acontecendo. É uma situação muito pesada para eles”, disse, emocionado, em conversa com o Estado de Minas, dois dias após o assassinato.
Gustavo Dutra Lima fugiu em direção ao estado do Rio de Janeiro, mas foi preso após uma operação de cerco e bloqueio da Polícia Militar em Bom Jardim de Minas, no Sul do estado. "Apurou-se que ele realizou gastos com os cartões da vítima", pontuou o MPMG.
Procurada pelo Estado de Minas, a defesa de Gustavo disse que "não se manifestará sobre os fatos relacionados à investigação em curso".
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"Em respeito à regularidade das apurações, ao devido processo legal e à estratégia defensiva, quaisquer esclarecimentos ou manifestações serão apresentados exclusivamente nos autos, no momento processual oportuno e perante as autoridades competentes", declarou a advogada Tatiana Cristina Cavalieri Tomaz da Silva Chaves.