QUASE 200 ANOS

Encanto das Festas de Agosto invade Montes Claros

Realizados há 187 anos, festejos têm como atrações os grupos de catopês, marujos e caboclinhos e atraem turistas e pesquisadores de diferentes regiões

Publicidade
Carregando...

As ruas centrais de Montes Claros, no Norte de Minas, serão invadidas a partir desta quinta-feira (13/8), por uma mistura de sons, danças e cores, envolvendo tradição, história, devoção e fé. A cidade-polo vive o clima das Festas de Agosto, realizadas há 187 anos, e reconhecidas como uma das manifestações folclóricas mais antigas de Minas Gerais.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Os festejos vão até domingo (16/8), e têm como principais personagens os integrantes dos grupos de catopês, marujos e caboclinhos. Com muita alegria, ritmos, roupas e fitas coloridas, eles encantam os moradores e visitantes que chegam de diferentes regiões de Minas e do país. O acontecimento reúne professores e pesquisadores de manifestações populares, além de produtores de documentários.

O evento tem ainda uma programação de apresentações musicais, que acontecem à noite, na Praça da Matriz, no Centro histórico de Montes Claros. No espaço também são montadas barraquinhas com comidas típicas. Destaque para os pratos da gastronomia do Cerrado e dos Gerais, entre os quais o arroz com pequi e a carne de sol.

A programação cultural conta com outras atividades em locais próximos da Praça da Matriz, como o Festival de Cinema que vai exibir, no Centro Cultural Hermes de Paula, os filmes: “História da Música”, “Auto do Pequiá e “Festas de Agosto”. Haverá exposições de artes plásticas e shows artísticos no Museu Regional do Norte de Minas, vinculado à Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Todos as atrações têm acesso gratuito.

As festas quase bicentenárias contam com a participação de cerca de 600 dançantes, divididos em seis grupos, dos quais três ternos de catopês (na cor branca, dois deles dedicados à Nossa Senhora do Rosário e outro devoto de São Benedito). Parecidos com os congados, os catopês têm matriz africana. A manifestação centenária reúne ainda grupos de marujos (representação da origem portuguesa, com predomínio das cores vermelha e azul) e um grupo de caboclinhos (representação dos índios, na cor vermelha).

O cruzeiro situado ao lado da Igrejinha do Rosário, ponto de encontro dos catopês, marujos e caboclinhos, no Centro da cidade, foi restaurado e “reinaugurado” na última segunda-feira (10/8). Na terça-feira à noite, aconteceu a abertura oficial das festas, na sede da Associação dos Grupos de Catopês, Marujos e Caboclinhos de Montes Claros.

Na manhã desta quinta-feira (13/8), a partir das 10h30min, acontecerá o Reinado de Nossa Senhora do Rosário (cores branca e azul). Mantendo a tradição, o cortejo sairá da Praça do Automóvel e percorrerá as Ruas Dom João Pimenta e Camilo Prates, a Praça Doutor Carlos e a Rua Governador Valadares, até chegar à Igreja do Rosário, na Avenida Coronel Prates.

Na sexta-feira (14/8), acontecerá o Cortejo de São Benedito (cores branca e rosa), no mesmo horário e percurso. Na manhã de sábado (17/8), a atração será o desfile do Império do Divino Espírito Santo (cor vermelha). Na tarde de domingo (18/8), acontece o desfile de encerramento, envolvendo os cortejos de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito e o Império do Divino Espírito Santo, saindo da Praça da Matriz em direção à Igrejinha do Rosário, passando pelas ruas Osvaldo Cruz e Carlos Gomes, Praça Doutor Carlos, ruas Doutor Santos, Camilo Prates e Governador Valadares. 

Hermes de Paula, grande incentivador das festas

As Festas de Agosto de Montes Claros tiveram como grande incentivador o médico, folclorista e historiador Hermes de Paula (1909/1983). Ele teve uma vida dedicada aos festejos que surgiram em 1889.

A dedicação de Hermes de Paula às Festas de Agosto é recordada pela filha dele, a escritora memorialista Virgínia de Paula. “Eu poderia dizer que meu era um apaixonado pela Festa de Agosto. Mas como paixão é coisa que vem e passa, talvez, o correto seja amor mesmo, muito amor pelas Festas”, afirma Virgília, lembrando que o pai sempre abria as portas de sua casa para receber os grupos de catopês, marujos e caboclinhos.

A escritora recorda que Hermes de Paula deu uma grande demonstração de amor aos festejos no início da década de 1960, quando a prefeitura da cidade demoliu a antiga Igrejinha do Rosário (erguida no século XIX) para abrir espaço para a construção da atual Avenida Coronel Prates.

Virgínia de Paula afirma que o historiador e pesquisador foi contrário à derrubada do prédio histórica e fez um movimento, que resultou na construção da atual Igrejinha do Rosário, no antigo Largo Rosário, ao lado do antigo templo.

A filha de Hermes de Paula lembra também que os próprios catopês trabalharam na construção do templo como pedreiros e serventes de pedreiros, profissões de muitos deles. 

Formato de embarcação

A atual Igrejinha do Rosário tem o formato de uma embarcação — na Nau Catarineta. Virgínia conta que isso também ocorreu por iniciativa do seu pai, que fez a sugestão ao autor do projeto, o arquiteto Mércio Guimarães. “Ele pediu ao arquiteto que fizesse algo que lembrasse a tradição das Festas. Aí, surgiu a ideia da barca”, relata a escritora, salientando que o aspecto da construção faz referência aos marujos, dançantes dos festejos.

“Antigamente, os marujos chegavam na capela em cima de um caminhão, simbolizando uma barca e cantavam assim: “vamos a ver a barca nova, o que do céu caiu no mar; nossa Senhora vai dentro e os anjinhos a remar”, recorda Virgínia de Paula.

O escritor e historiador Wanderlino Arruda, de 93 anos, também recorda a devoção e o entusiasmo de Hermes de Paula com as Festas de Agosto. “O doutor Hermes de Paula, embora não fosse um homem justamente ligado à religião — mas também não afastado, fazia de tudo para melhorar o nível das manifestações populares”, relata Wanderlino. “Ele exerceu um grande trabalho na valorização dos catopês, marujos e caboclinhos”, completa.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

O escritor e historiador conta ainda que antigamente, os grupos de catopês, marujos e caboclinhos, formados por pessoas simples, saíam de bairros da cidade como o Morrinhos e o Santos Reis e faziam cortejos pelas ruas até se encontrarem na Igrejinha do Rosário. Foi Hermes de Paula o responsável pela “criação” do percurso dos cortejos entre a Praça do Automóvel Clube e a Igrejinha do Rosário, passando pelas ruas centrais da cidade, informa Wanderlino.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay