Denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) revelou que a diarista Paola Stefany Neto Cirino – acusada confessa de assassinar um casal de idosos no Bairro São Pedro, em Belo Horizonte – não se limitou a roubar quantias em espécie e objetos de valor da casa de Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76. Segundo a denúncia, logo depois de matar o casal, a suspeita usou os cartões de crédito das vítimas para efetuar transações bancárias fraudulentas, resultando no desvio de R$ 3.100.
Ainda de acordo com o documento assinado pelo promotor de Justiça Mauro da Fonseca Ellovitch, da 12ª Promotoria de Justiça, Paola encontrou os cartões bancários acompanhados de senhas anotadas dentro da carteira de Cláudio. Depois de cometer os homicídios, alterar a cena do crime e trocar de roupas, ela pegou um transporte por aplicativo em direção ao Centro de BH.
Ao chegar à região central, por volta do meio da tarde do mesmo dia, Paola foi até um restaurante localizado na Rua Carijós, onde fechou um acordo ilícito com o dono do estabelecimento. A proposta consistia em passar o cartão da vítima nas máquinas de pagamento do restaurante simulando vendas, dividindo o valor, 60% para ela e 40% para o comerciante.
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Conforme a denúncia do MPMG, na primeira tentativa, os suspeitos tentaram transacionar R$ 5 mil, mas a operação foi bloqueada pelo sistema de segurança da operadora do cartão. Para burlar a fiscalização, a dupla fracionou os valores em duas operações menores consumadas com sucesso: uma de R$ 1,3 mil e outra de R$ 1,8 mil. O dono do restaurante repassou a comissão combinada em dinheiro para Paola e reteve sua parte do valor furtado da conta bancária da vítima.
Investigações
Com os valores obtidos na fraude e o dinheiro proveniente da venda de relógios de luxo e joias roubados a receptadores no Centro da capital, Paola comprou um novo celular, buscou o filho em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH, e tentou se esconder em um hotel no município de Itabira, na Região Central de Minas Gerais, de onde pretendia fugir para outro estado.
Ela foi localizada e presa em flagrante pela Polícia Civil antes de fugir. Por causa dessas condutas, o MPMG denunciou Paola pelos crimes de latrocínio duas vezes, fraude processual e furto mediante fraude. Já o comerciante foi denunciado por furto mediante fraude em concurso de pessoas.
O promotor de Justiça deixou de oferecer ao dono do estabelecimento o benefício do Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) ou suspensão do processo, destacando que o comerciante possui condenação anterior e certidões que indicam conduta criminal habitual, o que impede a concessão do benefício legal. Ambos respondem ao processo na 11ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte.
Relembre o crime
O duplo latrocínio ocorreu na tarde de 29 de junho de 2026, no apartamento do casal, localizado na Rua Padre Severino, no Bairro São Pedro. Paola chegou ao local por volta das 7h30 portando uma cartela com 12 comprimidos de clonazepam. Durante a execução do trabalho, a mulher misturou disfarçadamente o medicamento em um suco preparado por Maria Clotilde.
Segundo o MPMG, os idosos dormiram logo após beber o suco e a diarista pegou uma faca na cozinha para arrombar gavetas e pegar pertences de valor. No entanto, ao ter a ação interrompida por Cláudio, que acordou no quarto, Paola atacou o idoso brutalmente com 43 facadas, atingindo-o no rosto, peito e abdômen.
Em seguida, para terminar o furto dos bens, a diarista atacou Maria Clotilde. À princípio, tentou asfixiá-la quimicamente utilizando uma almofada embebida com solvente thinner, provocando severas queimaduras na idosa. Diante da resistência da vítima, a acusada deu 15 facadas nela. O casal morreu no local e foi encontrado somente no dia seguinte.
Depois de matar os donos da casa, a suspeita saqueou mais de R$ 19 mil em espécie, relógios de marcas de luxo como Cartier, Omega e Montblanc, joias, perfumes importados, óculos escuros, celulares e cartões de crédito com senhas anotadas. As informações foram dadas pelo MPMG.
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Na tentativa de esconder as provas e induzir a perícia ao erro, Paola lavou a faca usada nos homicídios com detergente, secou com papel toalha e a guardou na gaveta. Ela também usou água sanitária e desinfetante para limpar o piso, cobriu os corpos e trocou de roupa, vestindo peças pertencentes à própria vítima antes de sair do prédio.
