Minas Gerais registra uma autuação por uso de celular ao volante a cada minuto em 2026, enquanto os acidentes causados pela distração com o aparelho já subiram 18% no estado só nos cinco primeiros meses do ano. Em Belo Horizonte, o problema se concentra em vias de grande fluxo, com a Avenida Cristiano Machado na liderança do ranking.
Segundo dados do Painel de Sinistro de Trânsito da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Minas Gerais registrou 249 acidentes com uso de celular como causa entre janeiro e maio de 2026, ante 211 no mesmo período do ano passado. Uma morte já foi contabilizada. Enquanto isso, o aumento geral de acidentes na capital mineira no mesmo intervalo foi de apenas 3,19%, o que evidencia que a distração pelo celular está crescendo bem mais rápido do que os acidentes de trânsito como um todo.
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Quais são as vias mais afetadas pelo uso de celular em BH?
O levantamento aponta cinco vias da capital mineira que concentram o maior número de acidentes atribuídos à infração. A Avenida Cristiano Machado lidera com folga, somando 68 batidas entre janeiro e maio de 2026. Na sequência aparecem o Anel Rodoviário, com 42 ocorrências, a Avenida Amazonas, com 40, a Avenida Antônio Carlos, com 39, e a Avenida do Contorno, com 37.
É um ranking que chama atenção por inverter, em parte, o quadro mais conhecido de periculosidade no trânsito de BH: quando o critério é o total de mortes, o Anel Rodoviário costuma liderar; mas quando o recorte é especificamente acidentes por uso de celular, é a Cristiano Machado que assume a primeira posição.
Por que o celular é tão perigoso ao volante?
Segundo o especialista em trânsito Alysson Batista, dirigir usando o celular provoca três tipos de distração simultâneos: a visual, quando o olhar sai da via para a tela; a manual, quando as mãos deixam de estar no volante para segurar o aparelho; e a cognitiva, quando a atenção se volta para o conteúdo de uma mensagem ou áudio. De acordo com o especialista, esses efeitos já são comprovados mesmo em velocidades baixas, a partir de 30 km/h, quando o motorista efetivamente deixa de olhar para a via ao manusear o telefone.
Como a lei pune quem usa celular dirigindo?
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) classifica o manuseio do celular ao volante, seja para ler mensagens, seja para usar aplicativos, como infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O uso de fones de ouvido conectados ao aparelho também é proibido, mas configura infração média, com multa de R$ 130,16 e quatro pontos. Já o simples apoio do celular em suporte no painel ou para-brisa é permitido para funções passivas, como acompanhar o GPS, desde que não haja toque na tela com o veículo em movimento nem obstrução da visão da pista, placas ou semáforos.
Reincidências pesam ainda mais: apenas três autuações por manuseio de celular já somam 21 pontos, ultrapassando o limite de 20 pontos em 12 meses que gera a suspensão do direito de dirigir.
A fiscalização está mudando?
Sim. Órgãos de trânsito estaduais e federais têm reforçado o monitoramento com câmeras equipadas com inteligência artificial, capazes de identificar o manuseio do celular mesmo através do vidro do veículo. A tendência, segundo especialistas, é que a infração passe a ser tratada com o mesmo rigor histórico dado à combinação de álcool e direção, dado o risco comparável de distração que ambas representam.
O que fazer para reduzir o risco?
Guardar o celular fora de alcance imediato antes de iniciar a condução.
Usar o suporte apenas para funções passivas, como GPS, sem tocar na tela em movimento.
Programar rotas e playlists antes de sair, evitando ajustes no trânsito.
Ativar o modo "não perturbe ao dirigir", disponível na maioria dos smartphones.
Parar em local seguro caso seja realmente necessário responder a uma mensagem ou ligação.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
