Ruas e viadutos de BH são rebatizados em homenagem a policiais mortos
Projetos aprovados na capital prestam tributo aos jovens assassinados; conheça as histórias e o que motivou as homenagens
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Policiais e outros profissionais das forças de segurança, que morreram em Belo Horizonte nos anos recentes, vêm ganhando homenagens e se tornando nomes de ruas, praças e viadutos da capital mineira. A iniciativa costuma partir dos vereadores de BH e remete a alguns casos que causaram comoção na sociedade, por envolver óbitos em combate ou acidentes trágicos.
As homenagens relembram também mortes resultantes de atropelamentos e acidentes aéreos com profissionais dos bombeiros, Exército, Guarda Municipal e Polícia Militar.
Um dos vereadores que costuma celebrar a memória dos agentes das forças de segurança que perderam suas vidas é o Sargento Jalyson (PL). “A minha intenção é colocar nome em espaços públicos aqui da nossa cidade que venham a homenagear os nossos operadores de segurança pública”, disse.
Dados do Instituto Monte Castelo demonstram que 173 policiais foram assassinados no Brasil durante o trabalho no ano passado. A violência urbana ainda resultou na morte de 6.519 pessoas, cometidas por policiais também em 2025 – 205 delas somente em Minas Gerais –, conforme levantamento do Ministério da Justiça.
Essas, no entanto, não costumam entrar nos projetos do vereador. “Cada parlamentar tem a sua pauta, um carro-chefe. A minha é a segurança pública. Quem me colocou aqui neste mandato foi a segurança pública.”
A comoção em torno do caso Roger Dias
Uma das mortes mais comoventes foi a do sargento Roger Dias da Cunha, morto em janeiro de 2024, que virou nome de viaduto no cruzamento das avenidas Waldomiro Lobo e Cristiano Machado, na Região Norte da capital.
O militar morreu após levar um tiro na cabeça durante uma perseguição. O incidente ocorreu no Bairro Novo Aarão Reis, na mesma região de BH, e o crime foi provocado por um homem que estava foragido após o benefício de saída temporária.
O PM foi socorrido e levado para o Hospital Risoleta Tolentino Neves, na Região de Venda Nova. Ele foi transferido em seguida para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, na Região Centro-Sul da capital, mas não resistiu.
Com 10 anos de experiência na polícia, Roger Dias da Cunha também era pai de um bebê recém-nascido. “Ele foi meu aluno (Roger Dias da Cunha) [...] o que aconteceu com o Roger comoveu o Brasil inteiro. Ele foi escolhido para ser um representante de todos esses nossos heróis que já tombaram em serviço”, diz o autor da iniciativa.
A homenagem no viaduto, no entanto, não foi a única prestada ao policial. A Lei Federal nº 14.843, de 2024, recebeu o nome de Lei Sargento PM Dias em tributo a Cunha. A medida determina que o benefício da saída temporária será apenas concedido aos detentos em regime semiaberto se for para cursar supletivo profissionalizante, ensino médio ou superior, alterando a saída temporária das pessoas encarceradas.
Outro viaduto da cidade também tem nome que remonta às forças de segurança. No cruzamento das avenidas Cristiano Machado e Sebastião de Brito, no Bairro Dona Clara, na Região Pampulha, a intervenção viária ainda em construção já foi batizada de "Arcanjo 04", em homenagem aos tripulantes de uma aeronave do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG) que morreram em um trágico acidente.
O helicóptero caiu em outubro de 2024, durante o retorno para Belo Horizonte, após ajudar nas buscas de um acidente aeronáutico envolvendo um monomotor em São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais. Quatro militares, um médico e um enfermeiro, que estavam a bordo, morreram.
“Todo mundo que passa por um viaduto que vê lá sargento Roger Dias e que verá no viaduto que está sendo construído Arcanjo 04, vai lembrar que ali está sendo contada uma história de pessoas que dedicaram as suas vidas pra cuidar de outras que sequer eles conheciam”, acredita o vereador.
Policial morreu ao impedir assalto
No Bairro Paquetá, também na Pampulha, a Rua 2.506 passou a ser chamada de Cabo André Neves. O PM André Luiz Lucas Neves era lotado no 49º Batalhão, na Região de Venda Nova, e foi morto após ser atingido por dois disparos de arma de fogo ao tentar impedir um assalto contra um casal na Avenida Fleming, uma das mais movimentadas do Bairro Ouro Preto, na mesma região de BH.
André levou um tiro na barriga e chegou a ser levado para o Hospital Odilon Behrens, mas não resistiu. A tragédia ocorreu na noite de 16 de maio de 2014 e, na ocasião, o militar tinha apenas 27 anos.
Já em agosto de 2018, o ciclista e soldado do Exército, Luís Felipe Marques Silva, foi vítima de um atropelamento na Rua Póvoa de Varzim, no Bairro Ouro Preto, aos 19 anos. Ele foi atingido por um veículo, bateu em um muro e caiu no chão. Luís chegou a ser atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos. A memória do soldado é relembrada na Praça 4.814, que foi batizada de Soldado Filipe Silva.
De acordo com o vereador Sargento Jalyson, o episódio ficou marcado pela comunidade local, e Luís recebeu essa homenagem para preservar a memória coletiva. “Quando ele faleceu, a bicicleta dele foi pintada de branco e ficou pendurada próxima ao local do acidente, em um muro, por muito tempo, sabe? Nos fazia refletir [...].”
Além disso, o reconhecimento do soldado serve como uma forma de conscientização, visando que os cidadãos passem a lembrar das vidas que se perderam no trânsito. “Relembrar esses casos é uma forma de prevenção de acidente, para tomar mais cuidado na condução de veículos, não se tornar uma vítima e nem vir a avitimar ninguém”, completou o parlamentar.
Morte de Guarda Municipal inspira lei
A morte da motociclista e guarda municipal Stephanie Regina Santos Quintão também foi lembrada, mas em data oficializada no calendário municipal. Instituída por meio da Lei nº 11.872/2025, o Dia do Motociclista em Belo Horizonte passou a ser comemorado em 11 de julho, data de sua morte.
Ela tinha 28 anos quando sua moto colidiu com uma mureta na Avenida dos Andradas, na Região leste da capital, próximo ao seu local de trabalho. “Juntou as duas pautas que eu atuo, a segurança pública e o motociclismo, e eu tive a oportunidade de homenageá-la com essa lei”, finalizou o vereador.
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck