Adryan Oliveira dos Santos, de 4 anos, é portador de paralisia cerebral e internado desde os nove meses de vida no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), em Uberaba, no Triângulo Mineiro, recebeu alta na manhã desta segunda-feira (25/5).

A mãe do menino, Natalia de Oliveira Santos, contou que logo após o nascimento, ele teve uma asfixia perinatal grave, que evoluiu para paralisia cerebral.

Ele ficou dependente de ventilação mecânica e gastrostomia (procedimento cirúrgico que cria uma pequena abertura na parede abdominal até o estômago, permitindo a inserção de sonda para administrar alimentos, líquidos e medicamentos), explicou Ana Laura de Almeida, médica-pediatra no HC-UFTM.

Segundo o HC-UFTM, Adryan foi para a sua casa pela primeira vez por meio do programa "Melhor em Casa", uma iniciativa do Ministério da Saúde que oferece acompanhamento após a alta hospitalar para pacientes que precisam de atenção contínua, evitando internações prolongadas.

Em Uberaba, o programa funciona em articulação com a Atenção Primária à Saúde, garantindo assistência multiprofissional no domicílio, com visitas domiciliares realizadas por profissionais como fisioterapeutas, enfermeiros, assistentes sociais e pediatras, proporcionando cuidado integral diretamente na residência da criança, informou o hospital.

"Deus o trouxe com grande próposito"

A mãe de Adryan ressaltou que apesar de tudo, ela nunca desistiu dele. "Sei que Deus já o trouxe com grande propósito, de mudar a minha vida, da minha família e de todos que o conhecessem", acredita.

Natalia comentou ainda que, na enfermaria do HC-UFTM, ela aprendeu tudo sobre a realidade do filho. "O que eu só sabia na teoria, vi os profissionais fazer, aprendi na prática: aspirar, dar banho, posicionar, e cuidados em geral. Isso me aproximou ainda mais do meu filho", conta, emocionada.

A mãe de Adrya diz que agora o menino poderá viver em casa com ela e a irmã dele. "Antes era um medo, agora será a melhor das experiências que eu vou ter ao lado dele. Estou com muita fé que dará tudo certo e, assim como passei por todas essas fases e Deus me fez mais forte em cada uma delas, não será diferente agora", finaliza a mãe.

Desospitalização

Segundo o HC-UFTM, a desospitalização tem se consolidado como uma importante estratégia de cuidado em saúde, especialmente na assistência a crianças com condições crônicas e necessidade de cuidados contínuos. Mais do que uma simples alta hospitalar, trata-se de um processo estruturado, humanizado e multiprofissional que permite ao paciente clinicamente estável dar continuidade ao tratamento no ambiente domiciliar com segurança, suporte técnico e acompanhamento especializado, esclarece Keilly Fonseca e Andrade, pediatra e neonatologista no HC-UFTM.

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Para Ana Laura, pediatra que acompanhou Adryan desde sua entrada na enfermaria da pediatria, Natallia passa por um novo parto, que proporcionará o fortalecimento dos vínculos familiares e mais qualidade de vida para Adryan. "Em casa, longe do ambiente hospitalar, as crianças são expostas a menos vírus e bactérias, recebem estímulos sensoriais diferentes, em um ambiente menos invasivo. Além disso, podem vivenciar uma nova rotina, mais flexível e mais agradável", afirma a médica.

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