Morreu na madrugada desta segunda-feira (18/5) um ícone das ruas de Belo Horizonte. Há 13 anos Odilon Tavares, de 63, que um dia foi uma pessoa em situação de rua, mantinha um sebo a céu aberto que, durante esse período, viveu altos e baixos, mas o levou a se reerguer e reconstruir a vida, se estabilizando economicamente e saindo das calçadas.
O motivo da morte foi uma pneumonia. Há anos, o livreiro, que era fumante, enfrentava complicações no pulmão. Foi o que disse Vânia, amiga de longa data e uma das pessoas responsáveis por cuidar do sebo enquanto Odilon cuidava da saúde.
Em frente ao sebo – que fica na calçada da loja Kalunga, entre as esquinas da Rua Grão Mogol com a Avenida do Contorno, no Bairro Carmo, Região Centro-Sul de Belo Horizonte –, Idalina Aguilar, de 61, comanda uma banca de jornais há 40 anos. “Ele era muito gente boa, comprava água aqui”, contou. Assim como todos os clientes e trabalhadores de lojas vizinhas questionados sobre convivência com o homem, Idalina afirmou que sente muito sua perda. “Dá muita dó, ele era trabalhador", completou
A vendedora afirmou que a filha do livreiro veio do Espírito Santo, onde vive, para transladar o corpo do pai para sua cidade natal, Carandaí, na Zona da Mata mineira.
Saúde prejudicada
Vânia conta que os problemas de saúde são antigos. “No fim de 2024, ele passou o Natal e o réveillon no pronto-socorro. Ficou 24 dias internado, os médicos fizeram uma raspagem no pulmão e comemoraram quando ele voltou, porque acharam que não daria conta”, disse.
A amiga revelou ainda que durante essa internação os médicos afirmaram que Odilon precisaria parar de fumar, e que ele conseguiu por um tempo, mas não resistiu e acabou voltando. “Tinha um morador de rua ali do lado que dava cigarro para ele, então com tempo voltou a fumar.”
Outros frequentadores do sebo, que preferiram não se identificar, disseram que o livreiro também enfrentava problemas com o álcool e com o excesso de medicação.
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck
