Belo Horizonte amanheceu nesta quarta-feira (13/5) com um espetáculo natural que chamou a atenção de quem observava a Serra do Curral: uma “cachoeira de nuvens” cobriu a cadeia de montanhas, dando a impressão de que o céu escorria sobre a serra.

O meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Lizandro Gemiacki, explica que o fenômeno é classificado como nevoeiro e ocorre com mais frequência em dias frios, quando a combinação de umidade elevada e ventos fracos favorece a formação de nuvens baixas sobre áreas elevadas. Logo após o início da manhã, essas nuvens tendem a se dissipar com o aumento da temperatura.

“O processo acontece quando o vento encontra a cadeia de montanhas e é forçado a subir. Nesse movimento, o ar se resfria gradualmente, já que a temperatura diminui com a altitude. Ao atingir níveis mais altos e úmidos, ele chega à saturação, formando as nuvens que parecem “escorrer” sobre a serra”, explica.

Embora o fenômeno não seja comum no dia a dia, ele ocorre periodicamente em Belo Horizonte e depende das condições de vento em grande escala. Quando os ventos sopram perpendicularmente à serra, as nuvens se formam de um lado da cadeia e se dissipam do outro, criando o efeito visual característico.

O especialista afirma que esse tipo de formação costuma ser observado ao menos uma vez por ano na capital. Em junho de 2024, ele próprio registrou imagens semelhantes na Serra do Curral.

Os termômetros na capital mineira registraram mínima de 16 °C, com sensação térmica de 8,3 °C por volta das 3h na região Oeste da cidade, segundo a Defesa Civil municipal. O tempo mais frio e estável favoreceu a formação dessas nuvens baixas sobre a serra.

De acordo com Lizandro, a diferença em relação a nuvens de tempestade está na estabilidade da atmosfera. Enquanto aquelas se formam em cenários de maior instabilidade, esse tipo de nevoeiro ocorre em condições mais estáveis, típicas do outono e do inverno.

“Nessa época do ano, a atmosfera já está mais estável na nossa região. Isso favorece nuvens mais baixas e impede um grande desenvolvimento vertical, como acontece nas nuvens de tempestade”, afirma. Segundo ele, são formações estratiformes — “lençóis” de nuvens que cobrem grandes áreas do céu —, sem potencial para provocar temporais. “No máximo, podem causar um chuvisco isolado na região da serra, mas nada intenso.”

O meteorologista destaca que o fenômeno não costuma causar transtornos à cidade. “Ele fica concentrado em uma faixa muito restrita, próximo à Serra do Curral, então não traz grandes impactos para o trânsito nem para operações aéreas. Além disso, dura pouco tempo, geralmente uma ou duas horas”, explica.

O cenário pode voltar a se repetir nos próximos dias. Segundo Lizandro, há previsão de maior aporte de umidade — entrada de vapor d’água transportado por ventos ou massas de ar — para o fim de semana, o que pode favorecer novamente a formação do fenômeno, caso as condições de vento sejam favoráveis.

“É possível que ocorra novamente, mas depende muito da direção dos ventos em grande escala. Se houver umidade suficiente e os ventos estiverem perpendiculares à serra, provavelmente teremos esse fenômeno de novo”, conclui.

Previsão do tempo para BH

Amanhã (14/5), o dia na capital será de céu parcialmente nublado, com pancadas de chuva e possíveis trovoadas a partir da tarde. Os termômetros devem marcar mínima de 16 °C e máxima de 28 °C. A umidade relativa do ar fica em torno de 45% no período da tarde.

Já na sexta-feira (15/5), o tempo segue com céu parcialmente nublado. A mínima prevista é de 16 °C e a máxima de 30 °C, com umidade relativa do ar em torno de 40% durante a tarde.

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*Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck 

 
 
 

 
 
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