Sete são presos em operação contra golpe da "falsa garota de programa"
Ação conjunta das polícias de Minas e do DF, em Montes Claros identificou mais de 200 vítimas em menos de um ano
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Sete pessoas foram presas, nesta quarta-feira (20/5), em Montes Claros, no Norte de Minas, numa operação conjunta entre as polícias civis de Minas Gerais e do Distrito Federal, de combate ao crime de extorsão praticado por meio do golpe da “falsa garota de programa”. Foram apreendidos celulares, cujos conteúdos vão basear novas investigações sobre a atuação do grupo criminoso.
Conforme informações da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), as apurações da Operação Eros começaram em dezembro de 2025, após um casal de Taguatinga, no Distrito Federal, denunciar ter sido vítima de extorsão. Segundo a investigação, as vítimas acessaram um site de acompanhantes e desistiram do encontro.
A partir daí, passaram a receber ameaças e cobranças de uma suposta taxa de cancelamento. Elas chegaram a receber mensagens com imagens de armas de fogo para forçar o pagamento, segundo a PCMG.
Os mandados de prisão foram cumpridos nesta quarta-feira (20/5) em quatro Bairros de Montes Claros: Esplanada e Independência (região Norte da cidade); Nova Morada e Castelo Branco (região do Grande Santos Reis). As idades dos presos variam entre 19 e 44 anos. Entre eles, também foi detida uma mulher, de 33.
O trabalho de inteligência identificou que os integrantes da quadrilha do golpe da falsa mulher de programa atuavam a partir de Montes Claros. Entre os suspeitos de envolvimento no grupo criminoso também foram identificados três menores.
A apuração é conduzida pela 17ª Delegacia de Polícia da PCDF. Os investigados poderão responder pelos crimes de extorsão e associação criminosa majorada pela participação de menores.
O delegado Diego Flávio Carvalho Pereira, coordenador da Agência de Inteligência do 11º Departamento de Polícia Civil em Montes Claros, detalhou que o casal de Taguatinga, que denunciou o golpe, chegou a pagar R$ 1 mil para os criminosos. Depois disso, os golpistas continuaram pedindo mais dinheiro, mediante ameaças de morte e da divulgação de dados pessoais do casal nas redes sociais.
“Polo” das quadrilhas
A ação desta quarta-feira (20/5) foi a oitava operação de combate ao golpe da “falsa garota de programa” realizada em Montes Claros em menos de um ano. O delegado Diego Flávio Pereira disse que a cidade do Norte de Minas virou um “polo” desse tipo de crime em um curto espaço de tempo, com elevados números de envolvidos e de vítimas.
“Infelizmente, Montes Claros se transformou em um polo (do golpe). A gente tenta explicar isso como um fenômeno da criminologia. Normalmente, os autores estão em bairros periféricos. Eles não têm tantas condições financeiras. E passaram a migrar, por exemplo, do crime de tráfico e do crime de roubo para esse crime digital, vendo facilidade para auferir vantagem ilícita na dificuldade que é apuração (do crime) por parte da polícia”, relatou o delegado.
Diego Flavio Pereira disse ainda que nas oito operações realizadas em menos de um ano em Montes Claros ocorreu a identificação do “número assustador" de mais de 60 pessoas envolvidas na prática do golpe da falsa garota de programa, e o “número alarmante” de mais de 200 vítimas do crime de extorsão.
Segundo o delegado foram identificadas vítimas em vários estados, como Bahia, Tocantins, São Paulo, DF e Goiás.
Como é praticado
- Atração por perfis falsos: criminosos criam anúncios com fotos profissionais e preços aparentemente atrativos em sites especializados ou redes sociais para atrair a vítima a contatá-los via WhatsApp.
- Coleta de dados e confiança: durante a conversa com as vítimas, os golpistas podem pedir fotos íntimas ou recorrer a um algum meio para obter dados pessoais como CPF, endereço e nomes de familiares através de bancos de dados vazados.
- Agendamento fictício: durante a conversa, um “encontro” é marcado, mas a acompanhante nunca comparece. Em alguns casos, a vítima chega a pagar um valor antecipado de "reserva" ou "deslocamento".
- Extorsão e ameaças: após o "desencontro" ou a simples tentativa de contato, um terceiro (fingindo ser agenciador, cafetão ou membro de facção criminosa como o PCC) entra em contato, pedindo dinheiro, com ameaças de divulgação dos dados caso o pagamento não for efetuado.
O que fazer ao receber mensagens
A orientação da polícia é não responder e não realizar nenhum pagamento. O ideal é registrar as mensagens, fazer capturas de tela (prints) com o número ou nome do perfil que fez o contato, bloquear imediatamente o criminoso e procurar a Polícia Civil.
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A vítima pode registrar o boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ou fazer o registro junto à polícia pelo sistema on-line. É importante apresentar ou anexar provas, como prints das mensagens, nomes de usuários e números de telefone utilizados na tentativa de extorsão.