O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência Veterinário (SamuVet) começou a funcionar nesta segunda-feira (6/4) em Belo Horizonte, com atendimento gratuito e ininterrupto para casos de urgência envolvendo animais. A iniciativa da prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, oferece resgate técnico especializado, com ambulâncias equipadas, equipe multidisciplinar e capacidade inicial para cerca de 85 atendimentos mensais, número que, segundo os responsáveis, deve ser superado já nos primeiros dias de operação.

De acordo com os organizadores, a proposta supera um serviço tradicional de atendimento veterinário emergencial. Trata-se de um sistema inspirado no modelo do Samu humano, com central de regulação, triagem de risco, deslocamento rápido e suporte técnico no local da ocorrência. O objetivo é atender animais em situações críticas, como atropelamentos, fraturas, hemorragias, risco iminente de morte ou em locais de difícil acesso.

Logo nas primeiras horas de funcionamento, a demanda já indicava a relevância do serviço. Antes mesmo do início oficial, às 8h, ligações começaram a chegar. "O nosso telefone começou a tocar às 3h30 da manhã, só que a gente ainda não tinha se estruturado; a equipe deu início a partir das 8h", conta Aldair Pinto, representante do Grupo de Resgate Animal (GRA-BH), parceiro da iniciativa. Ao longo da manhã, dezenas de ocorrências foram registradas. "Só hoje, até agora, já tivemos mais de 18 atendimentos. A expectativa inicial é de 85 por mês, mas isso deve ser ultrapassado com facilidade", afirma.

Estrutura inédita e operação contínua

O SamuVet conta com mais de 30 profissionais que atuam em regime de plantão 24 horas por dia, sete dias por semana. A equipe é composta por médicos veterinários, biólogos, bombeiros civis e brigadistas, todos com treinamento especializado em resgate técnico.

Diferente do que muitos imaginam, o serviço não se limita ao atendimento clínico. "Não é simplesmente ser veterinário. É preciso treinamento em salvamento, em áreas de risco, em situações complexas. Temos capacitação em estruturas colapsadas, ambientes fluviais e emergências com diversas espécies", explica Aldair.

A frota inclui ambulâncias de suporte avançado (tipo D), ambulâncias básicas (tipo B), veículos de resgate, unidades para desastres ambientais e motocicletas de primeira resposta. Além disso, o serviço possui embarcações motorizadas, ampliando a capacidade de atuação em áreas aquáticas, como a Lagoa da Pampulha.

Aldair Pinto, médico veterinário do Grupo de Resgate Animal

Túlio Santos/EM/D.A.Press

Essa diversidade de equipamentos permite o atendimento não apenas de cães e gatos, mas também de animais silvestres e de grande porte, como cavalos e bovinos. "Se houver um animal ferido em uma área de difícil acesso ou dentro de um corpo d’água, temos equipe e estrutura para atuar", destaca.

O espaço da ambulância é organizado de forma a dispor, na área frontal, um motorista e um médico veterinário – responsável por fazer contato com a base –, já na parte traseira, um médico veterinário e dois socorristas. O ambiente não se limita a transportar apenas um bicho: "Não transportamos, necessariamente, somente um atendido. Podem ser dois, três ou quantos forem necessários. No ano passado, em uma situação envolvendo o corte de árvores em Lagoa Santa, 150 garças feridas foram levadas neste lugar para receberem cuidados veterinários", conta Aldair. 

Como funciona o atendimento

O acionamento do SamuVet é feito pelo telefone (31) 2888-0000, com envio de fotos e vídeos via WhatsApp para auxiliar na triagem. A central de regulação analisa cada caso, classifica o nível de urgência e direciona a equipe adequada.

O fluxo segue um modelo semelhante ao do atendimento humano: a ocorrência é registrada, os dados são inseridos em um sistema com geolocalização e enviados diretamente para os veículos em campo. A comunicação entre equipe e central é feita por rádio, garantindo agilidade e coordenação.

Após o atendimento inicial, o animal pode receber cuidados no local, ser encaminhado ao hospital veterinário público, direcionado ao Centro de Controle de Zoonoses ou ter outro encaminhamento técnico, conforme avaliação da equipe.

O que o serviço não faz

Um dos pontos enfatizados pelos responsáveis é a necessidade de conscientização da população sobre o papel do SamuVet. Apesar do nome "resgate", o serviço não realiza recolhimento de animais de rua nem atua em casos sem urgência.

"O termo 'resgate' no Brasil muitas vezes é associado a retirar animais da rua e levá-los para abrigos. Não é isso que fazemos. Nosso trabalho é o resgate técnico, ou seja, o socorro emergencial com base científica, ética e operacional", esclarece o representante.

Também não fazem parte das atribuições do serviço atendimentos de rotina, casos de maus-tratos (que seguem outros fluxos) ou situações sem risco imediato.

Expansão do atendimento veterinário público

A implementação integra um projeto mais amplo de reestruturação do atendimento veterinário público na capital mineira. Segundo a equipe, o atual hospital veterinário municipal enfrenta superlotação, o que motivou mudanças significativas previstas para 2026.

Entre elas, está a transferência do hospital para um novo espaço dentro das dependências do UniBH, com maior capacidade e melhor estrutura para atender tutores e animais. Além disso, será criada uma unidade de atendimento básico na Regional Norte, próxima ao Bairro Primeiro de Maio, destinada a consultas agendadas.

"São três grandes frentes: o novo hospital, a unidade de atendimento básico e o Samu funcionando. Isso vai reorganizar completamente o sistema e reduzir filas", explica.

A equipe envolvida no projeto já possui experiência em operações complexas de resgate animal. Entre os trabalhos realizados estão ações em enchentes no Rio Grande do Sul, atendimentos em Juiz de Fora e resgates específicos, como o de um jacaré em Lagoa Santa, na Grande BH.

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*Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck 

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