Um homem, de 67 anos, foi indiciado pela Polícia de Civil (PCMG) por estupro de vulnerável. Ele é suspeito de abusar sexualmente da neta, de 13 anos, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Duas filhas e uma sobrinha do idoso também afirmam ter sido vítimas do idoso. 

Em 2018, ele já havia sido indiciado por estuprar outra menor, uma vizinha, de 12 anos na época. Tendo confessado o crime, ele foi preso preventivamente em 2019 e solto em 2020, passando a usar uma tornozeleira eletrônica até fevereiro de 2025. 

Caso atual

Em coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira (30/3), a PCMG afirmou que o homem foi preso preventivamente em 26 de fevereiro deste ano devido a uma denúncia do Conselho Tutelar, que visitou a casa dele, encontrando três crianças sozinhas, teoricamente sob o cuidado dos avós.

A vítima, de 13 anos, contou que foi morar com os avós depois que o pai morreu e de a mãe não ter condições de cuidar dos filhos. No início da estadia na casa, a menina contou que o avô a presenteava e tratava de forma diferente dos demais.

De acordo com a adolescente, em uma das ocasiões, ela acordou e viu o avô se masturbando à beira da cama. Em outro momento, enquanto ela jogava no celular do avô, ele utilizou o aparelho da companheira para enviar à menina mensagens como: “Estou subindo pelas paredes”, frase que ela não compreendeu.

Ainda segundo a garota, o primeiro estupro aconteceu em setembro de 2025. Depois disso, outros abusos aconteciam duas vezes por mês.

A mãe da menina relatou também ter sido violentada pelo idoso quando tinha 15 anos. Ela conta também que é alcoolista e que se arrepende de ter abandonado as crianças, com quem não tem contato há meses, relata a delegada Joana Miraglia.

O homem foi acusado pela Justiça pelo crime de estupro de vulnerável com o agravante de ter cometido o ato por várias vezes. Pela negligência, a avó foi indiciada pelos mesmos crimes.

Após a denúncia, a criança ficou sob os cuidados de uma tia, que, por ter sido criada por outro casal, não sofreu a mesma violência que as irmãs.

Polícia

Com relação aos casos anteriores, as filhas do homem relatam ter contado à mãe sobre a má conduta do pai em relação a elas, mas a mulher não acreditou e expulsou uma delas de casa pela acusação. 

Segundo a delegada, a avó também sabia dos abusos contra a neta, dizia que a neta seduzia o avô, e a chamava por adjetivos como “puta”.

Ainda de acordo com a delegada, é possível que os abusos sexuais cometidos contra as filhas e uma sobrinha do idoso não possam mais ser investigados: “Já se passaram muitos anos. Pode ser que alguns crimes já estejam prescritos”, disse. 

A oficial ressaltou a importância de denunciar o crime. “Se uma das vítimas anteriores tivesse falado alguma coisa, levado o caso à Justiça, não teríamos todos os outros que ocorreram em seguida”, disse. 

Ela afirmou que se uma criança diz não gostar ou não se sentir confortável perto de alguém, é preciso investigar a motivação, e alertou para os sinais dados quando elas vivem algum tipo de assédio. “Quando a vítima sofre uma violência, principalmente sexual, ela muda o comportamento. Ou fica mais agressiva, ou mais retraída. Tem medo das pessoas. É muito importante ouvir as crianças. A gente não pode desacreditar”, pontuou.

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*Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck

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