Maria Lima das Graças, ex-síndica do Edifício JK, morreu nessa sexta-feira (13/3), aos 78 anos, em Belo Horizonte (MG). Ela estava internada no Hospital Felício Rocho, no Bairro Barro Preto, na Região Centro-Sul da capital.

O sepultamento será realizado neste sábado (14/3), a partir das 13h, no Cemitério Bosque da Esperança, no Bairro Jaqueline, na Região Norte da cidade.

Maria das Graças ficou conhecida por ter administrado o Edifício JK por mais de quatro décadas. Segundo Faiçal Assrauy, advogado que representa o condomínio, ela estava internada desde o dia 20 de agosto.

Apesar da discrição do estado de saúde da ex-síndica e da causa da morte, relatório médico durante investigação apontava que Maria das Graças tinha um quadro de transtorno neurocognitivo, provavelmente proveniente de demência associada à doença de Alzheimer, com graves comprometimentos cognitivos, dependência integral de cuidados, desorientação no tempo e no espaço e ausência de juízo crítico, além de transtorno decorrente do uso de álcool.

Durante o período de afastamento por motivos de saúde, a administração do prédio passou a ser conduzida pelo síndico em exercício, Manoel Gonçalves de Freitas. A eleição para definir o novo síndico foi marcada para o final de setembro do ano passado. Conforme mostrado pelo Estado de Minas, a reunião foi marcada por discussões, vaias e protestos.

Proprietários e inquilinos presentes questionaram o resultado da votação, uma vez que os votos não foram contabilizados e divulgados pela mesa diretora. “A mesa falava que os moradores se manifestavam, mas não éramos ouvidos, eles passavam por cima e aprovavam o que queriam, literalmente. Eu estou chocado, foi a maior palhaçada que eu já vi na vida”, disse o morador Rafael Silva de Paula.

O principal problema da eleição foi a falta de transparência. Segundo narrado pelos moradores, a cada rodada a aprovação era feita de forma quase automática, inclusive a escolha do novo síndico, pois Manoel estaria de posse de centenas de procurações que formavam maioria. Eles alegaram, ainda, que não tiveram acesso aos documentos para validar sua autenticidade ou poder contar quantas procurações realmente havia.

Edifício JK

Projetado em 1952 por Oscar Niemeyer, o Edifício JK é um dos cartões-postais de Belo Horizonte e um marco da arquitetura modernista. Com a proposta de ser uma “cidade vertical”, o prédio está localizado próximo à Praça Raul Soares, no Centro, abrigando mais de cinco mil pessoas, o equivalente a um pequeno município brasileiro.

Ao longo das décadas, o JK passou por diversas fases. Concebido inicialmente como um empreendimento de alto padrão, o edifício se tornou mais acessível com o tempo. Sua estrutura imponente domina a paisagem do Centro e serve como ponto de referência para quem circula pela região.

Relevância histórica e cultural

O Conjunto JK possui dois blocos (A e B) e, além das áreas residenciais, conta com estabelecimentos comerciais e de serviços, e um terminal turístico. No bloco B, cujo acesso se faz pela Rua dos Guajajaras, 1268, está a sede do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), em um imóvel doado pelo Governo do Estado de Minas Gerais, por meio da lei estadual nº 4.082, de 1966.

O instituto foi criado em 1907 e tem como objetivo preservar, produzir e divulgar registros históricos do Estado de Minas Gerais. Em 1967, o local recebeu a escritura de doação em comodato de área construída de 500 m², localizado na sobreloja do Edifício Juscelino Kubitschek.

O espaço é composto por hall, salas administrativas, auditório, espaço multiuso, centro de documentação e biblioteca. Nele estão custodiados bens culturais de extrema relevância para Minas Gerais, especialmente um vasto acervo artístico e documental, com fotografias e documentos únicos e originais - inclusive relativos à Inconfidência Mineira. 

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A biblioteca do IHGMG possui um acervo de 29 mil livros, com destaque para a História do Estado de Minas Gerais. Na mapoteca do instituto existem 723 preciosos mapas geográficos.

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