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"Afinal o dia de Iemanjá chegou..."

"Rainha das águas" tem memorial na Lagoa da Pampulha e está no centro de celebração reconhecida como patrimônio cultural imaterial de BH

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“Dia dois de fevereiro, dia de festa no mar, eu quero ser o primeiro, pra saudar Yemanjá...” Começamos a coluna no ritmo da canção de Dorival Caymmi (1914-2008), pedindo licença ao compositor baiano para, mineiramente, substituir a palavra mar por lagoa, rio, ribeirão. Nesta segunda-feira em que brasileiros do litoral (ou em visita à costa atlântica) homenageiam Iemanjá, seguidores de religiões de matriz africana, em BH, saúdam a “rainha das águas”, muitos deixando oferendas às margens da Pampulha. Já entre os católicos, a data festeja Nossa Senhora dos Navegantes e Nossa Senhora das Candeias ou da Luz.

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“Chegou, chegou, chegou, afinal que o dia dela chegou”, segue a música “Dois de fevereiro” que nos acompanha na voz eterna de Gal Costa (1945-2022) e conduz à história do monumento existente na Lagoa da Pampulha. A Diretoria de Patrimônio da Prefeitura de Belo Horizonte informa que a escultura de Iemanjá foi instalada à beira do reservatório em 1982, como parte das celebrações dedicadas à orixá feminina. As primeiras manifestações ocorreram em 1958, inicialmente a cargo da Federação Espírita Umbandista de Minas Gerais.


A primeira escultura de Iemanjá, para o local, foi feita em mármore sintético branco pelo escultor José Synfronini de Freitas Castro. Mas em razão da depredação constante, inclusive com ataques de intolerância religiosa, houve mobilização das comunidades afro-brasileiras. Assim, em 1988, foi inaugurado, nas proximidades da Praça Dalva Simão, o Monumento à Iemanjá, com uma nova escultura elaborada em bronze por José Synfronini.


Em 2007, no mesmo local, foi inaugurado o “Portal da Memória”, de autoria do escultor Jorge dos Anjos. A obra fazia um contraponto à mítica “Árvore do Esquecimento”, que se localizava no Benin, na África. Conforme pesquisas da PBH, “ao avesso da mítica árvore, o ‘Portal da Memória’ significa a reafirmação da humanidade daqueles africanos sequestrados e tratados como mercadoria”. Também é um testemunho da resistência negra e da valorização das culturas de matrizes africanas presentes em BH.


O “Portal de Memória” é constituído por símbolos associados ao candomblé, “representação máxima das heranças culturais de matrizes africanas”, a partir das quais se difundem elementos basilares da cultura brasileira, seja na musicalidade, na cultura alimentar ou na dança.


RECONHECIMENTO


A Festa de Iemanjá – “Encontro com Iemanjá” – realizada desde 1958, sempre no sábado mais próximo a 15 de agosto, foi reconhecida como Patrimônio Cultural de Belo Horizonte em 2019, sendo registrada no Livro das Celebrações, e a praça que acolhe o festejo (a Praça/Largo de Iemanjá), registrada no Livro dos Lugares. Trata-se de uma iniciativa da sociedade civil. Hoje, não há programação para celebrar o Dia de Iemanjá, no entanto, a sociedade civil, de forma independente, realiza atividades ritualísticas na orla.


ORIGEM


O culto a Iemanjá tem origem africana e foi difundido nas Américas pelos escravizados. O nome, de origem ioruba (“Yèyéomoejá”), significa “mãe cujos filhos são peixes”. Dessa forma, o culto não se limita à região litorânea. No Brasil, essa orixá recebe outras denominações, a exemplo de Janaína, Rainha do Mar, Sereia do Mar, Senhora do Aiocá e Inaê. Nas culturas da diáspora africana, Iemanjá é, sobretudo, uma divindade composta de múltiplas referências. Sua figura é embasada no arquétipo de ‘Grande Mãe’, sendo uma das mais cultuadas no país.

OBRA DO MINEIRO MESTRE VALENTIM...

Já falei aqui algumas vezes sobre minha profunda admiração pela obra de Valentim da Fonseca e Silva (1745-1813), o mestre Valentim, nascido no Serro, no Vale do Jequitinhonha. Sempre procuro saber mais sobre a vida desse artista do período colonial, conhecer seus trabalhos, fazer descobertas – a mais recente foi na igreja do Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro. Em visita ao local, soube, por informação dos monges beneditinos, que os dois lampadários de prata existentes nas laterais da nave foram feitos pelo mineiro escultor, entalhador e urbanista, entre 1781 e 1783.

GUSTAVO WERNECK/EM/D.A PRESS

...ENGRANDECE PATRIMÔNIO BRASILEIRO

Além do Mosteiro de São Bento, fundado em 1590, há outros templos cariocas com obras do Mestre Valentim, que morou até os três anos no Serro, viveu em Portugal, e, no retorno ao Brasil, abriu uma oficina no Rio. Seu talento pode ser visto nas igrejas de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte, Santa Cruz dos Militares, Nossa Senhora das Dores, São Francisco de Paula e da Ordem Terceira do Carmo. Durante o vice-reinado de Luís de Vasconcelos e Sousa (1779-1790), o artista projetou obras de caráter urbanístico como chafarizes e o Passeio Público do Rio de Janeiro, o primeiro jardim público da cidade, inaugurado em 1783.

 

ARQUIVO CRAVO VERMELHO/DIVULGAÇÃO

PAREDE DA MEMÓRIA

Carnaval chegando e muitas histórias vindo à tona, como ilustra a foto da década de 1930 do Bloco Cravo Vermelho, de Sabará, pronto para o desfile no Largo do Rosário, atual Praça Melo Viana, no Centro. Pois tem novidade na folia. Após um hiato de mais de 80 anos, ele voltará às ruas, num cortejo que valoriza o patrimônio imaterial local. Na volta ao samba sabarense, o bloco vai unir a estética dos antigos carnavais à dinâmica das novas gerações, restabelecendo a identidade da agremiação como patrimônio vivo da cidade. Aviso aos foliões: quem quiser participar, deve fazer a inscrição até hoje e adquirir o kit oficial, composto por uma camisa com desenho exclusivo adereço de cabeça. O “modelito” deverá ser complementada pelo folião com calça, saia, shorte ou bermuda, nas cores branca e/ou vermelha. Pontos de venda: presencial, na sede do Cravo Vermelho (Rua Borba Gato), das 18h às 22, e online, no site oficial (www.cravovermelho.com.br) ou pela plataforma Sympla (buscar por "Bloco do Cravo").

Acervo BN/Reprodução

BARÃO DE LANGSDORFF

O presente abre as portas ao passado, e, com criatividade, pesquisa e uso de novas ferramentas, a exemplo da Inteligência Artificial, ilumina os caminhos da nossa história. Usando fotos e pinturas antigas, o historiador Gustavo Villa reconstitui no curta “Enviados do czar: A Expedição Langsdorff no Arraial de Santa Luzia” parte da viagem do Barão de Langsdorff (1774-1852) a Minas. Médico e diplomata, o alemão Georg Heinrich von Langsdorff esteve aqui a serviço do império russo. “Trata-se de um dos momentos mais significativos da história científica e cultural do Brasil no século 19”, diz Villa. Entre maio de 1824 e fevereiro de 1825, o barão passou por Minas à frente de um grupo de pesquisadores nas áreas de botânica, zoologia, etnografia e linguística, do qual também fazia parte o pintor alemão Rugendas, então com 22 anos. O curta está disponível no Youtube no canal @parquepedradosol.

EXPOSIÇÃO PRORROGADA

Apresentamos aqui no EM, recentemente, uma reportagem sobre a exposição “Arte & Devoção – A escultura religiosa no Brasil Colonial”, realizada na Casa de Cultura Ney Alberto, no Centro de Nova Iguaçu (RJ). Na mostra, há seis peças atribuídas a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, natural de Ouro Preto, e de outros artistas mineiros. Devido ao sucesso de público, a mostra foi prorrogada até 31 de março, informa o secretário Municipal de Cultura, Marcus Monteiro. Visitação de terça a sábado, das 10h às 17h. Entrada gratuita.

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FORMAÇÃO MUSICAL

A Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), de Itabira, abriu o credenciamento para professores de música que desejam integrar o projeto “Formação em Instrumentos de Orquestra e Canto Coral Jovem da FCCDA”, iniciativa voltada à formação musical de crianças e adolescentes no município. O projeto é aprovado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e financiado por meio do Fundo da Infância e da Adolescência (FIA). O chamamento público prevê o credenciamento de profissionais e pessoas físicas ou jurídicas para atuação presencial nas modalidades de violino e viola de orquestra, violão, instrumentos de sopro (saxofone, flauta transversal e clarinete), teclado/piano e musicalização infantil. Inscrições devem ser realizadas exclusivamente de forma online, por meio de formulário disponível no site da fundação (www.fccda.com.br), com envio da documentação

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