Renê da Silva Nogueira Júnior, acusado de matar o gari Laudemir de Souza Fernandes, vai a júri popular. Ele será julgado por homicídio duplamente qualificado e pelo crime de ameaça contra a motorista Eledias Aparecida Rodrigues, que dirigia o caminhão de coleta de lixo no dia do crime, 11 de agosto do ano passado. A pronúncia foi emitida pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do 1º Tribunal do Júri de Belo Horizonte, nesta quarta-feira (28/1).
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A decisão está sujeita a recurso. Se mantida a pronúncia em segunda instância, a data do julgamento será marcada.
Na decisão, a magistrada indeferiu o pedido da defesa do acusado para revogação da prisão preventiva, e determinou que Renê continue detido. O acusado foi preso no dia do crime e teve a prisão em flagrante convertida empreventiva no dia 13 de agosto.
A juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza também indeferiu o pleito de decretação de sigilo dos autos, assim como o pedido de restituição do celular.
Por meio de nota, a defesa de Renê — formada pelos advogados Bruno Rodrigues e Thiago Minagé — informou que "recebeu a decisão de pronúncia para que o processo seja encaminhado para julgamento perante o júri popular com surpresa". O texto afirma ainda que a defesa vai manusear "o respectivo recurso para que os excessos acusatórios e as provas nulas sejam reconhecidos e retirados dos autos".
Por sua vez, o advogado da família de Laudemir, Tiago Lenoir, informou que segue comprometido com a responsabilização do acusado pelo crime. "O próximo passo é a condenação perante o Tribunal do Júri de BH, com uma pena robusta, à altura da gravidade e da natureza hedionda do crime cometido", afirmou.
Relembre o crime
O gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, foi morto com um tiro no abdômen no momento em que realizava a coleta de lixo no Bairro Vista Alegre, Região Oeste de BH, no dia 11 de agosto do ano passado. O tiro teria sido disparado por Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, com a arma da esposa dele, a delegada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), Ana Paula Lamego Balbino.
No dia do homicídio, Renê teria se irritado com o caminhão de lixo que transitava à sua frente e, de acordo com a investigação da PCMG, chegou a ameaçar a motorista do veículo de coleta, Eledias Aparecida Rodrigues. Após o tiro que matou Laudemir ter sido disparado, Renê seguiu normalmente a rotina: foi para o trabalho, para casa e, em seguida, para a academia, onde foi preso em flagrante pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).
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Renê se tornou réu em 15 de setembro, quando a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), e responde por quatro crimes – ameaça, porte ilegal de arma de fogo, fraude processual e homicídio qualificado. Já Ana Paula Lamego Balbino foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo, por ter cedido a arma ao marido, e por prevaricação.
Veja linha do tempo
- Equipe de coleta de lixo trabalhava na Rua Modestina de Souza, Bairro Vista Alegre, em BH, na manhã do dia 11 de agosto.
- Motorista do caminhão, Eledias Aparecida Rodrigues, de 42 anos, manobra para liberar passagem, após ver uma fila de carros se formar atrás dela.
- Eledias e os garis acenam para Renê da Silva, que dirigia um carro BYD, permitindo a passagem.
- O suspeito teria abaixado a janela e gritado que, caso ela encostasse em seu veículo, ele iria "dar um tiro na cara" da condutora.
- Na sequência, ele teria seguido adiante, estacionado, saído do carro armado e derrubado o carregador da arma. Ele teria então apanhado o carregador do chão, engatilhado a pistola, segundo o registro policial.
- Ele teria feito o disparo que atingiu Laudemir no abdômen.
- O gari é levado ao Hospital Santa Rita, em Contagem, na Grande BH, mas morre por hemorragia interna.
- No local, PM recolhe projétil intacto de munição calibre .380.
- Horas após o crime, a PM localiza e prende Renê no estacionamento de uma academia na Av. Raja Gabaglia.
- Flagrante convertido em prisão preventiva em audiência de custódia, no dia 13 de agosto, a pedido do Ministério Público de Minas Gerais.
