Apesar do fim da greve dos garis nessa quarta-feira (21), alguns bairros de Belo Horizonte seguem sem coleta de lixo. As pilhas de resíduos são enormes e os moradores de bairros da Região Noroeste se queixam de mau cheiro e risco de doenças devido à atração de animais.

“Todas as lixeiras estão cheias, o cheiro é horrível”, relatou uma moradora do Bairro Califórnia. Segundo ela, os coletores de lixo ainda não retomaram os trabalhos nos bairros da região, e a situação tem causado desconforto. No Bairro Caiçaras, a visão de quem anda pelas ruas é a mesma; já no Coração Eucarístico, a coleta foi regularizada na manhã desta quinta-feira (22).

Foi decidido ontem o fim da greve dos garis, iniciada na última segunda-feira (19), após uma assembleia que uniu os trabalhadores, o sindicato da categoria, a Sistemma, empresa terceirizada contratada pela prefeitura para a coleta de lixo na capital, e representantes do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). A decisão pelo retorno ao trabalho foi aprovada pela maioria dos garis, que retomaram as atividades no mesmo dia.

Lixo segue acumulado em pontos do bairro Caiçaras. Na foto, lixo acumulado em calçada na Rua Rosinha Sigaud.

Túlio Santos/EM/D.A. Press

Resultado da greve

Entre as reivindicações conquistadas está a recomposição das equipes de coleta, que passarão a contar novamente com quatro coletores por caminhão. Alguns veículos estavam operando com apenas três trabalhadores, o que aumentava significativamente o esforço físico da equipe. A empresa se comprometeu a iniciar imediatamente a recomposição e pediu prazo de até cinco dias para concluir a contratação dos novos coletores.

Outro item acordado foi a mudança na data de pagamento do vale-alimentação, que deixará de ser depositado no dia 12 e passará a ser pago no primeiro dia de cada mês. A empresa também garantiu a regularização dos depósitos do FGTS e assumiu o compromisso de não atrasar novos recolhimentos.

O pagamento do vale-transporte passará a ser feito em dinheiro, diretamente no contracheque. Segundo o superintendente, a medida beneficia trabalhadores que utilizam moto ou outros meios próprios de locomoção. “Muitos utilizam gasolina para trabalhar, e o vale-transporte em pecúnia atende melhor essa realidade”, explicou.

A questão da saúde foi apontada como uma das principais conquistas da greve. A empresa se comprometeu a realizar, em até 30 dias, um estudo para viabilizar um plano de saúde que inclua atendimento ambulatorial e internações.  

A precariedade dos caminhões utilizados na coleta também esteve no centro das negociações. Relatos de veículos em más condições, inclusive com portas se soltando durante o uso, foram apresentados durante a assembleia. 

O acordo prevê ainda estabilidade provisória de 45 dias para os garis, sem demissões motivadas pela paralisação, além do pagamento dos dias parados durante a greve. 

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*Estagiária sob a supervisão da subeditora Fernanda Borges

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