Garis encerram greve em BH; coleta foi retomada
A paralização pedia por melhores condições de trabalho e foi encerrada após uma assembleia de negociação que ocorreu na tarde desta quarta-feira (21/1)
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A greve dos garis terceirizados da empresa Sistemma Serviços Urbanos foi encerrada na tarde desta quarta-feira (21/1). A decisão ocorreu após assembleia realizada com a participação dos trabalhadores, do sindicato da categoria, da empresa e de representantes do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). A decisão pelo retorno ao trabalho foi aprovada pela maioria dos garis, que passaram a retomar a coleta de lixo ainda no fim da tarde.
O superintendente do Ministério do Trabalho e Emprego em Minas Gerais, Carlos Calazans, acompanhou a assembleia e afirmou que o acordo firmado contemplou as principais reivindicações da categoria. Segundo ele, a condução do sindicato foi fundamental para o desfecho das negociações. “Foi uma assembleia muito correta, muito bem conduzida pelo sindicato. Os trabalhadores apreciaram as negociações que fizemos com a empresa, com o apoio do TRT, e decidiram retornar ao trabalho”, afirmou.
Entre os pontos aprovados está a recomposição das equipes de coleta, que passarão a contar novamente com quatro coletores por caminhão. De acordo com Calazans, alguns veículos estavam operando com apenas três trabalhadores, o que aumentava significativamente o esforço físico da equipe. A empresa se comprometeu a iniciar imediatamente a recomposição e pediu prazo de até cinco dias para concluir a contratação dos novos coletores.
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Outro item acordado foi a mudança na data de pagamento do vale-alimentação, que deixará de ser depositado no dia 12 e passará a ser pago no primeiro dia de cada mês. A empresa também garantiu a regularização dos depósitos do FGTS e assumiu o compromisso de não atrasar novos recolhimentos.
O pagamento do vale-transporte passará a ser feito em dinheiro, diretamente no contracheque. Segundo o superintendente, a medida beneficia trabalhadores que utilizam moto ou outros meios próprios de locomoção. “Muitos utilizam gasolina para trabalhar, e o vale-transporte em pecúnia atende melhor essa realidade”, explicou.
A questão da saúde foi apontada como uma das principais conquistas da greve. A empresa se comprometeu a realizar, em até 30 dias, um estudo para viabilizar um plano de saúde que inclua atendimento ambulatorial e internações. “O trabalho dos garis é extremamente penoso. Eles precisam desse plano de saúde, e esse compromisso foi muito valorizado pelos trabalhadores”, disse Calazans.
A precariedade dos caminhões utilizados na coleta também esteve no centro das negociações. Relatos de veículos em más condições, inclusive com portas se soltando durante o uso, foram apresentados durante a assembleia. Segundo Calazans, a prefeitura foi acionada para reforçar a fiscalização da frota. “Já pedi que as equipes técnicas acompanhem a manutenção dos caminhões. Isso é fundamental para a segurança dos trabalhadores e da população”, afirmou.
O acordo prevê ainda estabilidade provisória de 45 dias para os garis, sem demissões motivadas pela paralisação, além do pagamento dos dias parados durante a greve.
Com o fim do movimento, muitos trabalhadores já retornaram imediatamente às atividades. “Quando eu estava saindo da assembleia, já vi trabalhadores indo para os caminhões para retomar a coleta”, relatou o superintendente.
Para Calazans, a greve deixa lições importantes. “Os garis mostraram o valor que têm. Foram três dias de paralisação e o lixo se acumulou na cidade, o que evidencia a importância desse trabalho”, afirmou. Ele também chamou atenção para a forma como a população descarta resíduos. “Nossa sociedade precisa melhorar muito o descarte do lixo. Vidro, lata, móveis, tudo é jogado na rua sem cuidado, e quem se machuca são os trabalhadores”, disse.
Sobre os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), Calazans reforçou que houve compromisso de fiscalização. “O gari precisa sair para o trabalho com EPI completo: bota, luva, proteção adequada. Isso será fiscalizado pelo Ministério do Trabalho e pela prefeitura”, concluiu.
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*Estagiária sob a supervisão do subeditor Humberto Santos