NOSSA HISTÓRIA, NOSSO PATRIMÔNIO

Boa semente em solo fértil

Doação de peças de ourivesaria sacra dos séculos 18 e 19 e obras contemporâneas reforça o acervo do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto

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Muito se fala em perda, furto, desaparecimento, enfim, subtrações no patrimônio cultural de Minas, e muito pouco, ou quase nada, em doações a museus, igrejas, arquivos e a outros espaços que guardam arte, história, memórias. Mas há uma novidade no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, que pode indicar tempos promissores e se propagar país afora, como boa semente cultural. O equipamento com mais de oito décadas de funcionamento, vinculado ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e expoente do Centro Histórico de Ouro Preto, recebeu quatro peças de ourivesaria sacra – dois cálices litúrgicos em estilo rococó, do final do século 18 e início do 19, e duas lanternas processionais (de procissão) em prata, da segunda metade do século 19 – e obras da artista Silvana Mendes, “que dialogam entre o passado e o presente”, segundo o diretor do Museu da Inconfidência, Alex Sandro Calheiros de Moura.

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Tendo à frente o Instituto de Pesquisa e Promoção à Arte e Cultura (Ipac), por meio do Movimento de Aquisição de Obras para Museus Brasileiros, a iniciativa tem parceria do Ministério da Cultura, Ibram e Museu da Inconfidência. Doados com patrocínio, via Lei Rouanet, pela Rede D'Or, Grupo São Joaquim e Petrobahia, os objetos integram o acervo do museu e podem ser vistas até 29 de março, em exposição gratuita, no Inconfidência.

Cálice litúrgico em estilo rococó e lanterna usada em procissões integram o acervo do Museu da Inconfidência e podem ser vistos até 29 de março
Cálice litúrgico em estilo rococó e lanterna usada em procissões integram o acervo do Museu da Inconfidência e podem ser vistos até 29 de março IPAC/DIVULGAÇÃO


“Mais do que incorporar novo conjunto de peças ao nosso acervo, a coleção que aqui chega significa uma oportunidade de ampliar a narrativa histórica do Museu da Inconfidência, possibilitando incluir outras vozes, olhares e temporalidades”, diz Alex Sandro, ressaltando que a doação fortalece o museu como espaço de reflexão crítica sobre a história de Minas e do Brasil. Para o mês de abril está prevista a doação, também via Lei Rouanet, de imagens portuguesas do século 18: Santa Efigênia, São Elesbão e São Benedito.


POLÍTICAS PÚBLICAS


O objetivo do Movimento de Aquisição de Obras para Museus Brasileiros está em fortalecer políticas públicas de aquisição de acervos, ampliando o acesso da sociedade ao patrimônio cultural e reafirmando os museus públicos como espaços de memória, pesquisa, educação e debate crítico. A ação envolve a destinação de obras a instituições públicas, por meio da articulação entre iniciativa privada, poder público e sociedade civil.

Cálice litúrgico em estilo rococó e lanterna usada em procissões integram o acervo do Museu da Inconfidência e podem ser vistos até 29 de março
Cálice litúrgico em estilo rococó e lanterna usada em procissões integram o acervo do Museu da Inconfidência e podem ser vistos até 29 de março FOTOS: IPAC/DIVULGAÇÃO


Satisfeito, o prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, também presidente da Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais, diz que os museus não podem ficar reféns apenas de suas coleções, sendo fundamental iniciativas como essas para enriquecer os acervos. Já a presidenta do Ibram, Fernanda Castro, realça o papel estratégico dos museus na vida democrática do país: “A preservação do patrimônio é responsabilidade compartilhada, orientada por critérios de interesse coletivo, transparência e responsabilidade pública. Ingressando em coleções públicas, esses bens passam a cumprir plenamente sua função social, tornando-se acessíveis à pesquisa, à educação museal e ao diálogo com diferentes públicos.”


Conforme a diretora do Ipac, Daiana Castilho, “o Movimento de Aquisição de Obras para Museus Brasileiros atua no sentido de reparar ausências, fortalecer instituições públicas e garantir que obras relevantes permaneçam acessíveis à sociedade, em diálogo com pesquisadores, estudantes e públicos diversos.”


A coluna torce para que ações desse tipo se propaguem e sensibilizem autoridades de todas as esferas, além de colecionadores e aqueles que detêm bens a serem restituídos, obrigatoriamente, a museus, arquivos, templos e outros locais. Doar, neste caso, é mais do que ato de amor: é consciência e responsabilidade.


CIDADES MINEIRAS VALORIZAM...

Manifestações Religiosas em São João del-Rei
Manifestações Religiosas em São João del-Rei THAIS ANDRESSA/PREFEITURA DE SÃO JOÃO DEL-REI/DIVULGAÇÃO

Janeiro traz boas novidades na área do patrimônio cultural imaterial. Em São João del-Rei, a prefeitura oficializa a proteção de três importantes tradições e espaços de fé a fim de garantir reconhecimento e salvaguarda dos bens. Estão em destaque, portanto, as Agremiações Religiosas, incluindo ordens terceiras, arquiconfrarias, confrarias e irmandades, na categoria “Formas de Expressão”, para assegurar a salvaguarda de práticas seculares fundamentais à história local. A decisão estabelece ainda como patrimônio cultural imaterial os Espaços de Referências das Manifestações Religiosas de Matrizes Africanas, inscritos na categoria “Lugares” por sua relevância como pontos de memória e ancestralidade para o povo são-joanense. Também nessa categoria, está o registro da Tenda Espírita Pai Joaquim de Angola, consolidando o reconhecimento oficial desses espaços de cultura e religiosidade.


...O PATRIMÔNIO IMATERIAL

Bicota de mulata
Bicota de mulata PREFEITURA DE SANTA LUZIA/DIVULGAÇÃO

Já em Santa Luzia, um tradicional doce da cidade ganhou reconhecimento e se tornou patrimônio cultural imaterial. Trata-se da Bicota de mulata, feita artesanalmente à base de cidra, mamão verde, rapadura e especiarias. Transmitida de geração a geração, a receita surgiu em ambiente doméstico e, claro, caiu no gosto das famílias. O atual registro prevê um plano de salvaguarda com ações educativas e culturais voltadas à preservação e à difusão do doce para assegurar a continuidade do conhecimento e da prática. Por meio da Secretaria Municipal de Cultura, a prefeitura passa a divulgar as etapas de preparo da Bicota de Mulata. Dessa forma, as futuras gerações poderão desfrutar desse saboroso legado.


PAREDE DA MEMÓRIA

Igreja da Purificação, do século 18, dedicada a Nossa Senhora da Purificação
Igreja da Purificação, do século 18, dedicada a Nossa Senhora da Purificação ACERVO IPHAN

Algumas imagens e restos de madeira se encontram expostos em sala especial do Museu Regional Casa dos Ottoni, no Serro
Algumas imagens e restos de madeira se encontram expostos em sala especial do Museu Regional Casa dos Ottoni, no Serro GUSTAVO WERNECK/EM/D.A PRESS – 23/8/25

Nas minhas andanças pelo Serro, uma cidade que todos os mineiros deveriam conhecer – pela combinação de hospitalidade, aconchego e mesa farta –, soube de uma história que me fez refletir muito sobre os destinos do nosso patrimônio cultural. No local onde hoje está a Praça Dom Epaminondas, no Centro, existiu a Igreja da Purificação, do século 18, dedicada a Nossa Senhora da Purificação – primeiro templo local em madeira e taipa. Conforme pesquisas, ela sumiu do mapa em 1926, havendo várias versões para essa perda irreparável. A construção é atribuída a Jacinta de Siqueira, africana da Costa da Mina, falecida em 1751. Algumas imagens e restos de madeira (foto acima) se encontram expostos em sala especial do Museu Regional Casa dos Ottoni, no Serro.


MARIANA 1

Salvação para a Igreja Nossa Senhora dos Anjos, da Arquiconfraria do Cordão de São Francisco, em Mariana. Foi assinada a ordem de serviço para restauro emergencial da parte estrutural do templo popularmente conhecido por Igreja da Confraria. O recurso, no valor de R$ 1,8 milhão, provém do Fundo Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural (Fumpac), vinculado ao Conselho Municipal de Patrimônio Cultural (Compat) e à Secretaria Municipal de Patrimônio Cultural e Turismo. Assinaram o documento o prefeito local, Juliano Duarte, e secretário municipal de Cultura, Eduardo Batista, o padre Geraldo Buziani e a arquiteta Sandra Fosque, pela Arquidiocese de Mariana, e o engenheiro Danilo Vidigal, da ADG Construtora, responsável pela execução da obra.

Igreja Nossa Senhora dos Anjos, da Arquiconfraria do Cordão de São Francisco, em Mariana
Igreja Nossa Senhora dos Anjos, da Arquiconfraria do Cordão de São Francisco, em Mariana PEDRO HENRIQUE HUDSON/PREF. DE MARIANA/DIVULGAÇÃO


MARIANA 2

Tombada pelo Iphan e pelo Compat, a Igreja Nossa Senhora dos Anjos sedia, anualmente, a Festa da Bandeira do Divino Espírito Santo, uma das manifestações religiosas mais tradicionais de Mariana, promovida pela Confraria do Divino Espírito Santo. A última celebração no templo erguido no século 18 ocorreu em 2022, antes de a paróquia interditar o local devido ao risco de desabamento. O valor liberado para o restauro emergencial contempla estabilização estrutural, correção de infiltrações e recuperação de parte dos elementos artísticos e arquitetônicos do bem. Durante a assinatura da ordem de serviço, o prefeito assumiu o compromisso de dar prosseguimento às articulações para liberação de recursos do PAC destinados a projetos complementares e restauração dos elementos artísticos.


ENCONTRO ESTADUAL

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Será em Paracatu, hoje e amanhã
(26 e 27), o primeiro encontro estadual, neste ano, da Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais, que congrega 47 municípios. Na oportunidade, haverá assinatura das novas cidades filiadas à entidade: Barbacena, Rio Preto e Andrelândia. Entre os temas abordados, estão a Rodada do ICMS Patrimônio Cultural, com a presença do presidente do Iepha-MG, Paulo Nascimento, e do diretor de Promoção do instituto, Saulo Carrilho, e ainda o fim do ICMS Cultural, com apresentação de estratégias para os municípios na captação de recursos para a cultura e o turismo após a Reforma Tributária. Sobre o tema, vai falar Guilherme Santos, consultor e especialista em gestão pública, MBA em Relações Governamentais e sócio e diretor-executivo da Civitas Consultoria.

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