A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) vai investigar se o comerciante de 58 anos, preso nessa segunda-feira (18/12) com mais de 35 garrafas de diversas bebidas adulteradas, tem ligação direta com os casos de intoxicação alcoólica em Betim, na Grande BH. Até o momento, duas pessoas morreram.


O problema veio a público no último sábado (16). De acordo com a prefeitura de Betim, nove casos suspeitos ainda são investigados.

 




Segundo o delegado Marcelo Cali, a perícia vai indicar se as bebidas encontradas na loja do suspeito têm relação com os casos denunciados. “Ainda não podemos afirmar, já que precisa de laudo pericial. A embalagem está adulterada, o selo, o rótulo. Dá para ver que utilizaram uma garrafa original para colocar um líquido diferente”, explicou.


Na semana passada, além dos dois mortos, outros três pacientes foram internados em unidades de saúde da cidade com sintomas de intoxicação alcoólica. As vítimas relataram ter bebido um tipo de uísque artesanal, o que levantou a hipótese de que eles tenham ingerido uma bebida adulterada. Nesta segunda, outros quatro casos entraram no radar da investigação.


Questionado pelos policiais, o suspeito negou que vendia os produtos. “Solicitamos as notas fiscais das compras e ele não conseguiu comprovar. Negou que estava vendendo, mas a situação era nítida”, contou o delegado.


Agora, a investigação segue com o Departamento de Fraudes da Polícia Civil, em Belo Horizonte. A prefeitura de Betim criou um grupo para investigar o caso e orientou que os médicos da cidade monitorem o aparecimento de mais casos em todas as UPAs. A situação é monitorada pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs-Minas), e da Vigilância Sanitária estadual e municipal.


Riscos para a saúde


Apesar de a hipótese ainda não ter sido confirmada, os casos registrados em Betim ligam o alerta para possíveis riscos de bebidas alcoólicas falsificadas durante as confraternizações e festas de fim de ano.


A bebida falsificada ou produzida ilegalmente traz um novo nível de risco para um tema que já exige atenção à saúde. “A bebida alcoólica não falsificada por si só, quando consumida de forma exagerada, pode colocar a saúde em risco. Quando essa bebida alcoólica está adulterada, esse risco se torna muito maior”, alerta o médico Último Libânio da Costa, especialista em clínica cooperado da Unimed-BH.


Vale lembrar que álcool ilegal não se refere apenas a bebidas contrabandeadas e réplicas de marcas famosas, é preciso ter atenção também aquelas fabricadas informalmente, sem registro, que muitas vezes são comercializadas como artesanais.


A ressaca forte ou acima do normal pode ser um sinal de alerta, segundo especialistas. “Os sintomas mais comuns são os neurológicos, como confusão mental, movimentos anormais, convulsão e até o coma”, destaca Costa.


Essas substâncias tóxicas são responsáveis por dores de cabeça e crises renais em curto prazo e, se ingeridas em grandes quantidades, podem causar cegueira e, em casos extremos, até a morte.

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