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Tom Zé faz 90 anos: a trajetória do inventivo compositor e cantor baiano
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A relação de Tom Zé com a música começou ainda na infância, quando ouvia Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, o samba de roda e os cantores que se destacavam no rádio. Em 1962, mudou-se para Salvador e ingressou na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, onde estudou com professores ligados à vanguarda musical. Ele também participou do Grupo de Compositores da Bahia, aproximando-se de experiências que ultrapassavam os limites tradicionais da música popular. A formação acadêmica se torna Foto: Arquivo Pessoal -
Na capital baiana, Tom Zé conheceu Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia, artistas com os quais participou de apresentações que ajudaram a preparar o terreno para o Tropicalismo. Em 1965, esteve no espetáculo “Arena Canta Bahia”, em São Paulo, mas voltou à Bahia para concluir os estudos. A mudança definitiva para a capital paulista ocorreu em 1968, ano decisivo para sua carreira. Ele venceu o 4º Festival de Música Popular Brasileira, da Record, com “São, São Paulo, Meu Amor”, Foto: Divulgação -
Tom Zé contribuiu para o Tropicalismo com uma abordagem própria, marcada pela irreverência, pela observação do cotidiano e pela desconstrução de estruturas musicais convencionais. Em vez de se limitar a melodias e arranjos tradicionais, passou a explorar ruídos, objetos e combinações sonoras pouco usuais. Essa inquietação aparece em “Todos os Olhos”, de 1973, álbum que ampliou sua pesquisa artística. O trabalho, porém, também contribuiu para distanciá-lo do mercado musical mais comercial, que en Foto: Otávio Nogueira/Wikimedia Commons -
Um dos discos mais importantes dessa fase foi “Estudando o Samba”, lançado em 1976. Nele, o compositor investigou as estruturas rítmicas e melódicas do gênero, desmontando elementos conhecidos para reconstruí-los de maneira experimental. Apesar da relevância artística, Tom Zé enfrentou um longo período de pouca visibilidade pública, especialmente durante as décadas de 1970 e 1980. Enquanto parte da indústria musical privilegiava formatos mais convencionais, ele continuou compondo, apresentando-s Foto: Eduardo Luderer/Flickr -
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A mudança começou no início dos anos 1990, quando o músico britânico David Byrne (foto), ex-integrante do Talking Heads, descobriu “Estudando o Samba” e se encantou com o trabalho do brasileiro. Por meio de seu selo Luaka Bop, Byrne lançou uma coletânea de Tom Zé no mercado internacional, abrindo caminho para uma nova etapa da carreira. O reconhecimento no exterior levou a apresentações e turnês e despertou novamente o interesse da crítica brasileira. Em 1998, o álbum “Com Defeito de Fabricação” Foto: Dirk Haun/Wikimedia Commons -
Nos anos seguintes, Tom Zé manteve a produção ativa e aprofundou seu interesse por temas sociais, políticos e culturais. Em “Jogos de Armar”, de 2000, explorou novas formas de composição e deu destaque a recursos sonoros desenvolvidos ao longo de sua trajetória. Já “Tropicália Lixo Lógico”, de 2012, retomou o movimento tropicalista sob uma perspectiva autoral, com participações de artistas de outras gerações. Em 2022, lançou “Língua Brasileira”, álbum que investiga a formação e as particularidad Foto: Eduardo Luderer/Flickr -
Em 2022, Tom Zé ingressou na Academia Paulista de Letras, reconhecimento que ampliou sua presença institucional para além do universo musical. Em 2026, as comemorações de seu aniversário incluíram uma exposição dedicada à trajetória do artista na Caixa Cultural, em São Paulo, com experiências interativas e referências às suas invenções sonoras. O compositor também lançou, em agosto, “Futuro Fruto”, parceria com músicos de gerações mais jovens, reafirmando sua disposição para continuar criando. D Foto: Otávio Nogueira/Wikimedia Commons -