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Amazônia abriga mais de 2,7 mil espécies de peixes, segundo estudo
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Segundo o levantamento, essa diversidade exerce funções que vão muito além da presença dos peixes nos rios. Diferentes espécies participam diretamente da dinâmica dos ecossistemas amazônicos e ajudam a conectar ambientes aquáticos e terrestres. Tambaqui, pacu e matrinxã, por exemplo, aproveitam o período de cheia para entrar em áreas de floresta alagada em busca de frutos. Nesse processo, eles também contribuem para espalhar sementes por grandes distâncias. Foto: Wikimedia Commons / Bloopityboop -
A movimentação dos peixes pelos rios também tem importância para a circulação de nutrientes e energia na região. Entre os casos destacados está o da dourada, que percorre mais de 11 mil quilômetros durante seu ciclo de vida. De acordo com o relatório, trata-se da mais longa migração exclusivamente em água doce já registrada. O exemplo reforça a necessidade de preservar a conexão entre os diferentes trechos dos rios para garantir a sobrevivência de diversas espécies. Foto: Reprodução -
A construção de barragens representa uma ameaça para essa conectividade. O relatório aponta que as interrupções provocadas por usinas no rio Madeira, um dos principais afluentes do Amazonas, contribuíram para a redução dos estoques de peixes. Um dos efeitos ocorreu na região da Cachoeira do Teotônio, onde uma atividade pesqueira histórica praticamente deixou de existir. O estudo considera a manutenção dos corredores fluviais um dos fatores fundamentais para a conservação da biodiversidade aquáti Foto: Wilson Dias/Agência Brasil -
A importância dos peixes também se estende diretamente à vida das populações que vivem às margens dos rios. Em algumas comunidades ribeirinhas remotas, o consumo de pescado ultrapassa 600 gramas por pessoa diariamente. Pelo menos 200 espécies são exploradas pela pesca comercial na região. Além disso, o comércio de peixes ornamentais movimenta dezenas de milhões de exemplares todos os anos e representa uma fonte de renda para milhares de famílias. Foto: Rjcastillo/Wikimedia Commons -
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O relatório chama atenção para o conjunto de pressões que ameaçam os ecossistemas de água doce da Amazônia. Entre os principais problemas estão as hidrelétricas, o desmatamento, a poluição, a pesca excessiva, as mudanças climáticas e o garimpo. A mineração não industrial de ouro aparece como um caso particularmente preocupante devido à contaminação por mercúrio. Foto: Divulgação/Norte Energia -
O mercúrio lançado no ambiente pode se acumular ao longo da cadeia alimentar e atingir os seres humanos por meio do consumo de pescado. Na Amazônia, essa é considerada a principal forma de exposição da população ao contaminante. Diante desse cenário, o relatório destaca que proteger os rios significa também preservar a segurança alimentar das comunidades e atividades econômicas dependentes dos recursos pesqueiros. A conservação da biodiversidade, portanto, está diretamente ligada às condições de Foto: Divulgação/Governo federal -
O estudo também apresenta experiências consideradas positivas de gestão dos recursos pesqueiros pelas próprias comunidades. Foram identificadas pelo menos 155 iniciativas de manejo comunitário da pesca no Brasil, Peru, Bolívia e Colômbia. Em conjunto, essas ações abrangem quase 13 milhões de hectares, envolvendo mais de 1,2 mil comunidades e 21 mil pescadores. Conforme o relatório, os projetos estão relacionados ao aumento da abundância dos peixes, à maior diversidade de espécies e à geração de Foto: Agência de Notícias do Acre/Wikimedia Commons -