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Aldir Blanc faria 80 anos; relembre a trajetória de um dos maiores letristas da música brasileira
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Aldir começou a compor ainda na juventude em parceria com Sílvio da Silva Júnior, e também estudou bateria, chegando a integrar o conjunto Rio Bossa Trio. Em 1966, ingressou na Faculdade de Medicina e especializou-se em Psiquiatria, profissão que exerceu por um tempo. A música, porém, ganhou cada vez mais espaço em sua vida, especialmente depois de sua participação em festivais universitários. Em 1969, venceu o Festival Universitário da Música Popular Brasileira da TV Tupi com “Amigo é pra essas Foto: Reprodução/Facebook -
Na virada dos anos 1960 para os 1970, Aldir Blanc iniciou a histórica parceria com João Bosco. Entre os trabalhos da dupla estão “Bala com Bala”, “O Mestre-Sala dos Mares”, “De Frente pro Crime”, “Kid Cavaquinho”, “Dois pra Lá, Dois pra Cá” e “Incompatibilidade de Gênios”. As letras frequentemente apresentavam personagens urbanos, relações amorosas, conflitos sociais e cenas do cotidiano. Aldir desenvolveu, assim, uma escrita marcada pela oralidade, ironia, lirismo e observação aguda da realidad Foto: Reprodução Funarte -
Um dos momentos mais importantes de sua trajetória ocorreu em 1979, com o lançamento de “O Bêbado e a Equilibrista”, parceria com João Bosco gravada por Elis Regina. Interpretada como um símbolo da luta pela anistia e da esperança de redemocratização, a composição ganhou enorme repercussão no país. A obra consolidou Aldir Blanc como um dos principais letristas brasileiros de sua geração. Sua produção, entretanto, nunca se restringiu à temática política e continuou explorando diferentes aspectos Foto: Funarte -
Ao longo da carreira, Aldir estabeleceu parcerias com diversos nomes importantes da música, entre eles Cristóvão Bastos, Guinga, Moacyr Luz, Maurício Tapajós, Sueli Costa, Edu Lobo, Ivan Lins, Carlos Lyra e Djavan. Dessa produção surgiram canções como “Resposta ao Tempo”, “Coração do Agreste”, “Catavento e Girassol”, “Nação”, “Querelas do Brasil” e “Saudades da Guanabara”. Foto: Reprodução do Instagram @joaoboscoreal -
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Seu repertório ultrapassou mil músicas gravadas, segundo registros do Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. A variedade de parceiros também revelou sua capacidade de adaptar a escrita a diferentes universos musicais. Mesmo assim, a identidade permaneceu reconhecível pela riqueza vocabular e pela habilidade de transformar personagens e situações em pequenas narrativas. Foto: Divulgação/Casa da Palavra -
A literatura foi outra dimensão fundamental da trajetória de Aldir Blanc. Ele publicou livros de crônicas, contos e outros textos, entre eles “Rua dos Artistas e Arredores”, “Porta de Tinturaria”, “Brasil Passado a Sujo”, “Vila Isabel – Inventário de Infância” e “Um Cara Bacana na 19ª”. Também escreveu para jornais como “O Globo”, “O Estado de S. Paulo” e “O Dia”, consolidando-se como um cronista atento às particularidades da vida carioca. A identidade carioca esteve no centro de sua obra e de s Foto: Youtube/ Jornal O Globo -
Aldir Blanc morreu em 4 de maio de 2020, aos 73 anos, vítima de complicações provocadas pela Covid-19. Sua partida encerrou uma trajetória de mais de cinco décadas dedicada à música e à literatura, mas não interrompeu a circulação de sua obra. Diversas de suas canções continuam presentes no repertório brasileiro e seu nome está no centro de diversas homenagens. Um exemplo ocorreu em 2023, quando a prefeitura do Rio de Janeiro inaugurou jardim com seu nome, no bairro da Tijuca. Foto: Wikimedia Commons -