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Pesquisa brasileira aponta alternativas sustentáveis no combate ao mofo azul, um dos mais devastadores para frutas
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O mecanismo de infecção foi detalhado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP), em estudos apoiados pela FAPESP. Os resultados chamaram a atenção da comunidade científica internacional e renderam ao trabalho o reconhecimento de melhor artigo científico de 2025 pelo periódico Journal of Agricultural and Food Chemistry. Foto: Reprodução -
Durante a investigação, os cientistas descobriram que o fungo não apenas enfrenta as defesas produzidas pela própria fruta, mas também combate os microrganismos benéficos que vivem naturalmente em sua superfície. Esses organismos, conhecidos como endofíticos, ajudam a proteger os frutos contra doenças. No entanto, o P. italicum produz substâncias químicas capazes de enfraquecer tanto essas comunidades microbianas quanto os compostos antifúngicos gerados pela planta. Foto: Daniel Dan outsideclick/Pixabay -
“O Brasil é o maior produtor de laranja e líder mundial na exportação de suco, mas enfrenta sérios prejuízos no pós-colheita causados por fungos. O mofo azul [P. italicum] é o segundo mais problemático, atrás apenas do mofo verde [P. digitatum], responsável por até 90% das perdas em regiões tropicais. Apesar disso, o mofo azul ainda recebe pouca atenção”, destacou a professora do Instituto de Química (IQ) da Unicamp e autora principal do estudo, Taícia Pacheco Fill. Foto: Daniel Dan outsideclick/Pixabay -
O estudo mostrou que a infecção tem início por pequenas lesões presentes na casca. Após encontrar uma porta de entrada, o fungo libera enzimas que degradam a parede celular do fruto. Em resposta, a fruta produz moléculas bioativas, como flavonoides com propriedades antifúngicas, numa tentativa de interromper o avanço da doença. Foto: Wikimedia Commons/Jean.claude -
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O patógeno, porém, responde com seu próprio arsenal químico, formado por compostos que neutralizam essas defesas e favorecem sua instalação nos tecidos. Para compreender esse processo em detalhes, os pesquisadores utilizaram ferramentas avançadas de metabolômica, área que analisa as substâncias produzidas durante o metabolismo dos organismos. Foto: Reprodução/Freepik -
A técnica permitiu identificar moléculas essenciais para o sucesso da infecção. Experimentos realizados em laboratório demonstraram que a ausência de determinados compostos reduz drasticamente o crescimento do fungo, indicando possíveis alvos para futuras formas de controle. Foto: Chokniti Khongchum/Pixabay -
Os cientistas também empregaram métodos de imageamento por espectrometria de massa, capazes de revelar onde cada molécula se concentra ao longo da infecção. As análises mostraram que o fungo trava uma disputa simultânea contra as defesas da fruta e contra os microrganismos protetores presentes na casca. Foto: Wikimedia Commons/Auli Raha -
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Ao alterar a composição dessa comunidade microbiana, o patógeno cria condições mais favoráveis para seu desenvolvimento. Atualmente, o controle do mofo azul depende principalmente de fungicidas sintéticos, como imazalil e tiabendazol. Entretanto, o aumento da resistência dos fungos a esses produtos e as preocupações relacionadas aos impactos ambientais reforçam a necessidade de alternativas mais eficientes. Foto: dmarr515/Pixabay -
Por essa razão, os pesquisadores acreditam que a identificação das moléculas envolvidas no processo infeccioso poderá abrir caminho para o desenvolvimento de inibidores específicos, capazes de bloquear o fungo sem causar danos ao fruto ou ao meio ambiente. Foto: Hans/Pixabay -
O problema possui uma relevância econômica significativa. A rápida disseminação da doença em caixas de armazenamento, fenômeno conhecido como "nesting", favorece a contaminação de grandes quantidades de frutas em pouco tempo. Em alguns países produtores, como a China, esse processo responde por perdas que podem alcançar metade da produção armazenada. Foto: Orhan Can/Pixabay -
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No Brasil, maior produtor mundial de laranjas e principal exportador de suco, o conhecimento detalhado sobre o comportamento desses patógenos representa um passo importante para reduzir prejuízos e tornar o controle de doenças pós-colheita mais seguro e sustentável. Foto: Pexels/Nanda Mends