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A -67 ºC e sem estradas: conheça Utqia?vik, a cidade mais ao norte dos Estados Unidos
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A vida na região exige preparo e resiliência. Durante meses, o sol desaparece no horizonte, substituído por um longo período de escuridão e temperaturas que podem chegar a bater -45,5 ºC — com a sensação térmica provocada pelo vento, os moradores relatam que o frio pode chegar perto de -67 ºC. Quando a luz retorna no fim de janeiro, a mudança no humor coletivo costuma ser imediata. A primavera, ainda fria, traz encontros comunitários e celebrações que marcam a retomada das atividades ao ar livre Foto: Reprodução do X @NeuralSpace_ -
O retorno do sol é celebrado com danças Iñupiaq, festividades de Páscoa e o Piuraagiaqta, festival anual de primavera cujo nome significa "vamos sair para brincar", com caça ao tesouro, golfe no gelo, jogos de cartas e noites em volta de fogueiras. Além disso, a subsistência continua como elemento central. A caça, a pesca e o aproveitamento integral dos recursos naturais permanecem como práticas transmitidas entre gerações. Carne de rena, baleia e peixe garantem alimento durante todo o ano, ar Foto: Reprodução do Flickr Haoyuan Xia -
Ao mesmo tempo, empregos em setores como administração pública, educação e indústria petrolífera complementam a renda das famílias, que lidam com um custo de vida elevado e desafios logísticos constantes. Os principais empregadores da região incluem o governo do distrito de North Slope, os campos petrolíferos, as escolas, o único hospital e organizações indígenas. Foto: Dave Cohoe/Wikimédia Commons -
Os salários são, em média, mais altos do que a média nacional americana — cerca de US$ 115 mil por família —, mas o custo de vida é igualmente elevado. Uma dúzia de ovos chega a custar em torno de US$ 5 (cerca de R$ 25), um galão de leite chega a US$ 13 (aproximadamente R$ 65) e uma pizza congelada pode ultrapassar US$ 25 (R$ 125). A escassez de moradia é outro desafio. Foto: Andrei/Wikimédia Commons -
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Em Utqia?vik, todos os materiais de construção precisam ser transportados por avião, o que encarece qualquer obra. Além disso, o permafrost (camada do subsolo que permanece congelada por pelo menos dois anos consecutivos) exige que as casas sejam erguidas sobre palafitas para impedir o calor de derreter o solo abaixo e causar rachaduras ou afundamentos. Foto: Reprodução do Flickr Larry Reis -
A caça às baleias ocupa o centro da identidade cultural Iñupiat. Embora a caça comercial seja proibida pela lei federal estadunidense, comunidades indígenas do Alasca têm permissão para caçar certas espécies — principalmente baleias-da-groenlândia e belugas — desde que os objetivos sejam nutricionais ou culturais. Foto: - Bob Johnston/Wikimédia Commons -
A preparação começa meses antes, com as mulheres costurando à mão as umiaqs, canoas feitas de peles de foca-barbuda fermentadas e esticadas sobre estruturas de madeira, unidas com fio de tendão seco de rena. Branqueadas ao sol, as embarcações adquirem um branco intenso que funciona como camuflagem no gelo. "As baleias pensam que é só gelo", explica uma moradora. Foto: Flickr - Urbain J. Kinet -
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Quando a caçada é bem-sucedida, o muktuk — iguaria feita de pele e gordura de baleia — é dividido com toda a comunidade, numa prática que reflete uma visão de mundo coletiva e espiritual. "Acreditamos que a baleia se oferece à tripulação para que possamos alimentar a comunidade", diz a local. Foto: Wikimedia Commons/Lisa Risager -
As mudanças climáticas, no entanto, pressionam esse modo de vida em Utqia?vik. O gelo marinho se forma mais tarde e apresenta menor estabilidade, o que altera rotinas tradicionais e exige adaptação constante. Mesmo assim, a população mantém uma relação pragmática com o ambiente, ajustando práticas sem abandonar valores históricos. Foto: Floyd Davidson/Wikimédia Commons -
Utqia?vik também atrai pessoas de diferentes origens, o que amplia sua diversidade cultural. Policiais, fotógrafos, observadores de aves e viajantes intrépidos chegam atraídos pela aurora boreal, pelos ursos polares, pelas raposas-do-ártico e por uma paisagem que desafia qualquer expectativa. Foto: Jónas Thor Björnsson/Pixabay -
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Para muitos que partem, o retorno parece inevitável. A ligação com o território, a cultura e o modo de vida cria um vínculo difícil de romper. O próprio nome Utqia?vik carrega esse significado: "um lugar para onde se volta". Em meio a tantos extremos, a cidade permanece como um ponto de equilíbrio entre passado e presente, onde tradição e adaptação caminham juntas. Foto: jkbrooks85 /Wikimédia Commons