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‘Invadiu’ cidade proibida, aprendeu 26 línguas e visitou o Brasil: conheça a história impressionante do explorador britânico Richard Burton
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O explorador dominava 26 idiomas e afirmava compreender cerca de 40 línguas, se incluídos diversos dialetos regionais, habilidade que se tornaria fundamental para suas missões em diferentes continentes. Criado entre a França e a Itália, Richard Burton desenvolveu desde cedo uma relação ambígua com a Inglaterra, país onde dizia nunca se sentir plenamente em casa. Ainda jovem, ele ingressou no Trinity College, em Oxford, onde estudou árabe, esgrima e falcoaria, mas acabou expulso em 1842 após desr Foto: Domi?nio Pu?blico -
Sua trajetória atravessou continentes e tabus, e incluiu desde infiltrações em cidades proibidas até a tradução de obras que desafiaram a moral britânica do século 19. Após deixar a universidade, Burton ingressou no exército da Companhia Britânica das Índias Orientais e rapidamente ganhou destaque por sua capacidade de adaptação cultural e domínio linguístico. Ele aprendeu idiomas locais como gujarati, punjabi, telugu, pashto e hindustâni. Foto: Domi?nio Pu?blico -
Sob o comando do general Charles Napier, passou a atuar em missões sensíveis de inteligência, nas quais utilizava disfarces para circular entre populações locais. Em Karachi, que hoje faz parte do Paquistão, ele chegou a investigar bordéis masculinos frequentados por soldados britânicos, episódio que provocou desconforto entre autoridades e comprometeu parte de sua carreira militar. Foto: Wikimedia Commons/Bilalhassan88 -
O gosto pelo risco e pela observação direta das sociedades estrangeiras levou Burton a planejar uma das missões mais perigosas de sua vida: entrar disfarçado em Meca e Medina, cidades sagradas do Islã proibidas a não muçulmanos — na época, quem violasse a proibição, sofria pena de morte. Foto: Wikimedia Commons/Al Jazeera English -
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Após anos de preparação e estudo do Alcorão, ele adotou a identidade de um médico afegão chamado "Sheij Abdullah" e realizou a peregrinação em 1853, descrevendo com precisão inédita rituais e costumes religiosos até então desconhecidos pelo público europeu. Foto: Domi?nio Pu?blico -
O sucesso de seu relato consolidou sua fama, mas não diminuiu sua disposição para novas aventuras. Burton seguiu para Harar, no atual território da Etiópia, tornando-se o primeiro europeu a descrever a cidade com detalhes. Em seguida, voltou sua atenção para um dos maiores enigmas geográficos do século 19: a origem do rio Nilo. Foto: Flickr - calixtoantonio3123 -
Ao lado do explorador John Speke, organizou expedições pelo interior da África e enfrentou doenças, ataques armados e condições extremas até alcançar o lago Tanganica. Embora Speke tenha posteriormente identificado o lago Vitória como a principal nascente do Nilo Branco, a conclusão gerou um intenso conflito entre os dois exploradores e alimentou debates científicos na Inglaterra. Foto: Wikimedia Commons/Chapelle musa -
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Burton prosseguiu com novas viagens pela África e também visitou os Estados Unidos para estudar a comunidade mórmon em Salt Lake City, experiência que resultou em mais um livro de observações etnográficas. Sua carreira diplomática incluiu passagens por diferentes regiões do mundo e teve um capítulo importante no Brasil, onde atuou como cônsul britânico em Santos. Foto: Domi?nio Pu?blico -
Durante sua permanência no país, percorreu trechos do interior mineiro, navegou pelo rio São Francisco e registrou relatos sobre a Guerra do Paraguai, além de traduzir para o inglês obras de Luís de Camões. Mais tarde, serviu em postos consulares na África e na Europa, encerrando sua trajetória oficial em Trieste, na Itália. Foto: Flickr - Nick Savchenko -
Mesmo após encerrar as grandes expedições, Richard Burton manteve intensa produção intelectual e continuou escrevendo sobre temas históricos e culturais variados. Ele se destacou como tradutor de obras consideradas ousadas para a moral vitoriana, como "Kama Sutra" e "Livro das Mil e Uma Noites". Foto: Domi?nio Pu?blico -
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A curiosidade permanente sobre culturas e comportamentos humanos marcou toda a sua produção literária e científica, mas também contribuiu para alimentar críticas severas de contemporâneos que o consideravam provocador e excessivo. Foto: Domi?nio Pu?blico -
Sua morte, em 1890, selou o fim de uma era, mas o mistério sobre o que se passava em sua mente permaneceu. Isso porque sua esposa, Isabel, em um ato de proteção à imagem do marido, queimou manuscritos valiosos no dia seguinte ao seu falecimento. Entre os textos perdidos estava uma tradução inédita do tratado árabe "O Jardim Perfumado", escrito no século 15, na qual Burton havia trabalhado durante mais de uma década. Foto: Domi?nio Pu?blico -
Mesmo com lacunas deixadas, sua obra permanece como um dos testemunhos mais abrangentes sobre encontros culturais no século 19 e continua a alimentar debates sobre os limites entre ciência, exploração e transgressão moral em uma época de profundas transformações globais. Foto: Domi?nio Pu?blico -