Uma viagem pela história do gesso e suas diversas utilidades
-
O gesso é uma pasta moldável que endurece rapidamente, capturando detalhes finos. Na Roma antiga, essa propriedade era aproveitada para revestir paredes e também para envolver corpos em funerais. Assim, o mesmo material que sustentava edifícios podia eternizar memórias.
Foto: Projeto Seeing the Dead/Universidade de York e York Museums Trust -
Nas casas e templos romanos, o gesso servia como acabamento e base para revestir com tinta. Sua presença cotidiana reforça como o material estava disponível para usos diversos. Essa ubiquidade explica por que também foi incorporado a práticas funerárias.
Foto: Reprodução do Instagram @andersonsebastiaodemiranda -
Ao solidificar, o gesso registrava tecidos, ornamentos e até a posição do corpo. Nos sepultamentos, funcionava como uma cápsula de memória. Essa função de preservação conecta o material à ideia de eternidade e cuidado.
Foto: Headland Archaeology/Reprodução -
Nos sepultamentos em gesso, o corpo era colocado em sarcófagos e coberto com a mistura líquida. Ao endurecer, criava uma camada protetora. O uso do gesso nesse contexto indicava status e afeto, tornando o ritual raro e especial.
Foto: Projeto Seeing the Dead/Universidade de York e York Museums Trust -
-
Por muito tempo, acreditou-se que apenas adultos de elite eram sepultados em gesso. Contudo, novas análises revelaram crianças e bebês envolvidos nesse ritual. O gesso, portanto, não era apenas sÃmbolo de poder, mas também de vÃnculo emocional.
Foto: Projeto Seeing the Dead/Universidade de York e York Museums Trust -
Três bebês com menos de quatro meses foram encontrados em sepultamentos desse tipo. O uso do gesso para recém-nascidos mostra que o material servia para expressar luto e amor, mesmo quando a lei não reconhecia oficialmente o velório infantil.
Foto: Projeto Seeing the Dead/Universidade de York e York Museums Trust -
Com taxas de mortalidade próximas a 30%, muitos acreditavam que os romanos eram indiferentes à perda. Porém, o gesso nos sepultamentos infantis revela outra realidade: famílias buscavam preservar a memória dos filhos, apesar da fragilidade da vida.
Foto: Divulgação/ Universidade de York -
-
Um recém-nascido em York, por exemplo, foi envolto em lã roxa com fios de ouro e coberto com gesso. O material preservou até as marcas do tecido luxuoso. Esse caso mostra como o gesso registrava não apenas o corpo, mas também símbolos de prestígio e afeto.
Foto: rto com gesso - Uma viagem pelo gesso e suas utilidades - Projeto Seeing the Dead/Universidade de York e York Museums Trust -
Em outro sepultamento, um bebê foi enterrado entre dois adultos, todos envolvidos em gesso, em uma posição que sugere vínculo. O material eternizou não apenas os corpos, mas também a relação entre eles.
Foto: Projeto Seeing the Dead/Universidade de York e York Museums Trust -
Pesquisadores analisam se o gesso continha incenso ou mástique, além de pigmentos como o púrpura do molusco murex. Esses elementos reforçam que o gesso não era neutro: carregava aromas e cores que intensificavam o ritual.
Foto: Divulgação -
-
Crianças mais velhas também foram relatadas. Uma menina de 7 a 9 anos foi sepultada com joias e calçados, envolta em gesso. Ossos de uma ave, talvez um animal de estimação, também estavam presentes. O material preservou esse universo afetivo, revelando cuidado e memória.
Foto: Divulgação/ Museu de York -
Havia um claro contraste com a lei. Afinal, textos jurídicos romanos proibiam velórios para crianças com menos de um ano. No entanto, o gesso nos sepultamentos infantis mostra que as famílias ignoravam tais normas. O luto privado se sobrepunha às regras públicas.
Foto: Art Muse LA -
Mais que um material técnico, o gesso era mediador entre vida e morte. Ele registrava corpos e objetos, funcionando como testemunha silenciosa da dor e do cuidado. Sua função transcendia o uso cotidiano.
Foto: Projeto Seeing the Dead/Universidade de York e York Museums Trust -
-
Assim como em paredes revestidas de tinta, o gesso guardava imagens. Nos sepultamentos, guardava lembranças. Essa dupla função reforça sua importância cultural: tanto na arte quanto no luto, o gesso era veículo de permanência.
Foto: Projeto Seeing the Dead/Universidade de York e York Museums Trust -
Os achados de York corrigem a ideia de que os romanos não valorizavam seus filhos. O gesso nos sepultamentos mostra que bebês eram amados e lamentados, mesmo em uma sociedade marcada pela alta mortalidade.
Foto: Reprodução do Yotube Canal Universidade de York -
Segundo Maureen Carroll, os textos jurídicos refletem apenas a visão da elite masculina. Já o gesso nos sepultamentos revela a realidade das famílias, onde o luto era vivido intensamente. O material dá voz ao silêncio das crianças.
Foto: Reprodução do Youtube Canal Michigan Law -
-
Os sepultamentos em gesso de York mostram que o sofrimento das famílias romanas não era diferente do que vemos hoje. O gesso, ao preservar corpos e memórias, revela que até os mais pequenos eram profundamente valorizados. Assim, a arqueologia reescreve a história do afeto na Roma antiga.
Foto: Projeto Seeing the Dead/Universidade de York e York Museums Trust