De “RBD” e “Shakira” a “Bad Bunny”: a música latina no Brasil
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Logo no início do primeiro show, o cantor afirmou que não sabia o que esperar do público brasileiro e agradeceu, em português, pela recepção calorosa. Um trecho instrumental de “Garota de Ipanema” ajudou a estabelecer uma conexão imediata com o país. Conhecido por suas críticas à cultura anti-imigrante, reforçou no palco a ideia de união entre Brasil, Porto Rico e a América Latina.
Foto: Reprodução do Instagram @badbunnyprnation -
O resultado é expressivo em um mercado historicamente fechado e fortemente voltado à própria produção. O Brasil está entre os países que mais consomem música local no mundo e, por muito tempo, o consumo de canções em espanhol ficou restrito a nichos específicos.
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Com o avanço do streaming, porém, essa barreira começou a se dissipar. A dependência das rádios diminuiu, e os artistas passaram a alcançar o público diretamente pelas plataformas digitais. Nesse contexto, Bad Bunny e Karol G ampliaram sua projeção no Brasil.
Foto: Unplash/Emojisprout emojisprout.com -
Poucos artistas latinos conseguiram entrar de forma consistente no mercado brasileiro, mas o sucesso de Bad Bunny não surge de maneira isolada. Ele representa o capítulo mais recente de um processo iniciado décadas atrás por nomes que, em diferentes momentos, romperam a resistência do público local, muitas vezes com o apoio decisivo da televisão e das novelas. A seguir, alguns desses artistas:
Foto: Reprodução de vídeo TV Globo -
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Menudo – A boy band porto-riquenha abriu caminho para a música latina no Brasil nos anos 1980. O fenômeno da “menudomania” gerou produtos licenciados, filmes, séries e turnês esgotadas em diversos continentes. O grupo chegou a gravar canções em português, provando que havia público para artistas hispanohablantes no país e ajudando a consolidar a presença latina no mercado brasileiro.
Foto: Divulgação -
Alejandro Sanz – O cantor espanhol enfrentou dificuldades para conquistar espaço nas rádios, mas construiu uma relação sólida com o Brasil por meio de parcerias com artistas locais, como Ivete Sangalo, Ana Carolina e Roberta Sá. Entre seus maiores sucessos está “Corazón Partío”, que ganhou uma versão em pagode pelo grupo Menos é Mais.
Foto: Wikimedia Commons/livepict.com -
RBD – Formado por Dulce María, Anahí, Maite Perroni, Christopher Uckermann, Poncho Herrera e Christian Chávez, o grupo derivado da novela “Rebelde”, exibida pelo SBT, atingiu um patamar raro no Brasil. Foram 2,2 milhões de discos vendidos no país, turnês para multidões e um fenômeno cultural que levou uma geração de brasileiros a aprender espanhol para acompanhar a banda. Em 2023, o grupo voltou ao país com uma série de shows lotados no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Foto: divulgação -
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O sucesso do RBD se estendeu às carreiras solo de seus integrantes após o fim do grupo, e eles conseguem, até hoje, arrastar multidões quando vêm ao país para realizar shows. É o caso de Christian Chávez, que realizou, em 2026, uma sequência de apresentações no Brasil. Além disso, como forma de conexão com a cultura brasileira, já lançaram algumas colaborações com artistas brasileiros.
Foto: reprodução/instagram -
Julio Iglesias – O cantor espanhol se tornou símbolo de uma fase em que a música em espanhol era associada, no Brasil, às baladas românticas. É um dos artistas estrangeiros que mais venderam discos no país, com cerca de 23 milhões de cópias. Ao longo de décadas, realizou diversas turnês, com passagens marcantes nos anos 1980, 1990, 2008, 2011, 2014 e 2016, e assim consolidou o idioma nas rádios brasileiras.
Foto: Alejandro Vilar/Wikimedia Commons -
Enrique Iglesias – Filho de Julio Iglesias, o cantor espanhol faz sucesso no Brasil desde os anos 2000. No entanto, sua relação com o público brasileiro começou ainda no fim dos anos 1990, período em que realizou shows memoráveis no país, incluindo apresentações em 1997. Ao longo da carreira, transitou entre músicas em espanhol e em inglês e, entre seus maiores sucessos está “Bailando”.
Foto: Wikimedia Commons / Eva Rinaldi -
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Thalía – A atriz e cantora mexicana, é um ícone no Brasil graças às novelas exibidas pelo SBT nos anos 1990, como “Marimar” e “Maria do Bairro”, mas não fez sucesso apenas como atriz. Como cantora, também arrastou multidões e músicas como “Amor a la Mexicana”, “Entre el Mar y una Estrella”, “Arrasando”, “Piel Morena” e “Tú y Yo” foram grandes sucessos nas rádios brasileiras. Em 2020, colaborou com a bras
Foto: divulgação/televisa -
Maná – O grupo mexicano é um exemplo de como o rock em espanhol precisou da televisão para romper barreiras no Brasil. Com mais de 20 milhões de discos vendidos no mundo, cerca de 600 mil no mercado brasileiro, teve músicas impulsionadas por trilhas de novelas. “Vivir sin aire” marcou o casal Clara e Rafaela em “Mulheres Apaixonadas”; “Labios compartidos” fez parte da trilha de “Viver a Vida”; e “Lluvia al corazón” esteve em
Foto: Divulgação -
Shakira – A cantora colombiana também enfrentou resistência inicial no Brasil, mas, após se consolidar como popstar global, rompeu as limitações do mercado latino. Hoje é uma das artistas latinas de maior sucesso no país, com forte identificação com o público brasileiro e um histórico consistente de apresentações. Em 2026, foi confirmada como atração do evento “Todo Mundo no Rio”, com um megashow gratuito em Copacabana.
Foto: Reprodução Youtube -
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Juanes – O colombiano é outro dos poucos artistas latinos a conquistar espaço relevante no Brasil. Um dos grandes nomes da música latina, realizou parcerias com artistas brasileiros como Paula Fernandes em “Hoy Me Voy”, no DVD “Unplugged”, e com Ivete Sangalo. Também alcançou destaque com “Para Tu Amor”, tema do casal Telma e Jorge na novela “Páginas da Vida”.
Foto: Wikimedia Commons / Junta de Andalucía -
Ricky Martin – Ex-integrante do Menudo, o artista porto-riquenho construiu uma carreira de mais de quatro décadas e ajudou a popularizar o pop latino globalmente com sucessos como “Livin’ la Vida Loca” e “La Copa de la Vida”. Em 2026, passou o Carnaval no Brasil e voltou a declarar seu apreço pela cultura do país, afirmando sentir-se em casa.
Foto: Instagram @ricky_martin