Os limites da cognição animal: pesquisa aponta que primatas podem ter imaginação
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A pesquisa foi dirigida pela bióloga brasileira Amália Bastos, da Universidade de Saint Andrews, no Reino Unido. Ela é especialista em desvendar a inteligência de animais. E partiu da seguinte questão: um macaco consegue “fingir” que algo é real sabendo que não é? Estariam eles próximos dos humanos nesse ponto?”
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Foto: Arquivo pessoal -
Observações anteriores já sugeriam que macacos poderiam brincar de forma simulada. Um chimpanzé jovem, por exemplo, foi visto arrastando blocos imaginários. Fêmeas carregavam gravetos como se fossem filhotes.
Foto: pixabay -
Chimpanzés já foram filmados utilizando plantas como se fossem medicinais, para cuidar de problemas de saúde.
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Há momentos em que os especialistas tentam desvendar se os macacos imitam humanos ou se realmente usam a imaginação. Somente um estudo controlado pode eliminar ambiguidades.
Foto: Barbarrein wikimedia commons -
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Para resolver essas questões, Amália realizou, ao lado de Christopher Krupenye, experimentos com Kanzi, um bonobo de 44 anos. Eles criaram situações de faz de conta para testar se ele conseguia distinguir entre o real e o imaginário.
Foto: Divulgação/Ape Initiative -
No primeiro experimento, Kanzi recebeu dois frascos de spray, um vazio e outro com suco. Ele escolheu corretamente o suco nas 18 tentativas. Em seguida, pesquisadores fingiram despejar suco de uma jarra vazia num copo transparente. Ao ser perguntado “Onde está o suco?”, Kanzi identificou corretamente o copo em 68% das vezes, acima do acaso.
Foto: Reprodução de vídeo -
Para confirmar que Kanzi não confundia suco imaginário com real, foi oferecido um copo com suco verdadeiro e outro vazio. Ele escolheu o copo real em 14 de 18 tentativas.No teste final, a fruta substituiu o suco. Kanzi identificou corretamente o frasco com a uva fictícia em 68,9% das vezes.
Foto: Reprodução de vídeo -
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Os resultados mostraram que Kanzi não apenas reconhecia objetos imaginários, mas também diferenciava-os dos reais. Isso sugere que a capacidade de representar mentalmente coisas inexistentes não é exclusiva dos humanos.
Foto: Wcalvin wikimedia commons -
Nicholas Newton-Fisher, especialista em antropologia evolutiva, destacou que Kanzi obrigou cientistas a reavaliar a cognição dos macacos. Sua participação forneceu evidências experimentais que sustentam relatos anedóticos anteriores.
Foto: William H. Calvin, PhD wikimedia commons -
Kanzi era um sujeito especial porque tinha treinamento em linguagem. Ele entendia comandos verbais e respondia usando um lexigrama com mais de 300 símbolos, tornando-o único entre os grandes símios. Na imagem, Sue Savage Rumbaugh faz testes com os bonobos Kanzi e Panbanisha.
Foto: William H. Calvin, PhD wikimedia commons -
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No centro de pesquisa Ape Initiative, Kanzi participou de diversos projetos cognitivos. Em 2025, mostrou que bonobos conseguem indicar objetos escondidos quando percebem que o parceiro humano não sabe onde estão.
Foto: William H. Calvin, PhD wikimedia commons -
Como apenas Kanzi foi testado, não se sabe se os resultados se aplicam a outros bonobos ou espécies. Bastos afirmou que há muitas histórias semelhantes, sugerindo que a imaginação pode ser mais comum entre primatas.
Foto: DBeaune - wikimedia commons -
Newton-Fisher alertou que é preciso cautela ao generalizar. Embora os resultados sejam promissores, novas investigações são necessárias para confirmar se outros primatas compartilham essa habilidade.
Foto: Greg Hume wikimedia commons -
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Pesquisadores lembram que macacos adultos são frequentemente comparados a crianças humanas em termos cognitivos. No entanto, suas mentes são próprias, e a imaginação pode se manifestar de forma diferente, não como uma versão simplificada.
Foto: Imagem de qwertygo por Pixabay -
Esse estudo reforça que a subestimação sistemática das capacidades cognitivas dos primatas. Reconhecer a imaginação deles amplia a visão racional sobre inteligência animal e aproxima ainda mais humanos e grandes símios.
Foto: EdwinAlden.1995 - wikimedia commons -
Kanzi morreu em março de 2025, mas deixou um legado científico único. Sua vida e participação em pesquisas mostraram que os bonobos podem ser protagonistas na redefinição da fronteira entre cognição humana e animal.
Foto: William H. Calvin, PhD wikimedia commons -