Opinião com Estilo
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O trabalho do jornalista é levar a notícia até o público. Manter as pessoas bem informadas. E, se os canais de comunicação crescem, avançam, se multiplicam, o jornalista deve acompanhar toda essa evolução tecnológica.
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O Caderno Feminino & Masculino nasceu pelas mãos da jornalista Anna Marina Vianna em 1968. Começou voltado apenas para o universo da mulher, falando de moda, culinária, comportamento. É indiscutível o sucesso do Caderno desde seu primeiro número. Estudiosos da área de comunicação afirmam que foi o único caderno feminino que deu certo no país, outro falam que é o mais longevo.
Depois de algumas décadas, talvez nos anos 1980 com o crescimento da moda masculina, a editora e fundadora do Caderno incluiu no nome o “& Masculino”, e a editoria passou a abordar questões de interesse dos homens.
A comunicação evoluiu muito com o avanço da internet e a criação das redes sociais. E o Caderno Feminino & Masculino, que continua presente no jornal impresso, está também no digital, no aplicativo do EM e na internet.
Amanhã, daremos início a mais uma novidade: começaremos um podcast com entrevistas variadas, com pessoas que são referências em suas áreas de trabalho. Os temas abordados serão os mesmos que cobrimos no caderno: moda, arquitetura, design, decoração, comportamento e saúde.
Um bate-papo descontraído, conduzido por mim, Isabela Teixeira da Costa, jornalista, que irá ao ar, quinzenalmente, aos domingos, sempre às 15h. Poderá ser assistido pelo YouTube do portal Uai (@portaluai), pelas principais plataformas de áudio como o spotfy, ou pelo site do Estado de Minas (em.com.br/feminino-e-masculino).
Junto com o podcast começa também o Instagram do caderno Feminino (@feminino.em), que vai trazer muitos tópicos interessantes sobre o que está acontecendo por aqui nas áreas citadas acima.
O primeiro entrevistado foi o arquiteto Gustavo Penna que falou sobre sua infância, o trabalho ao lado dos filhos Laura, arquiteta que atua ao lado de Gustavo na direção da empresa e na coordenação dos projetos; Diana, que é relações-públicas, responsável pelo marketing e pela comunicação; e Gabriel, que é jornalista e atua na assessoria estratégica das áreas comercial e de comunicação, contribuindo com ideias e ajudando a definir caminhos para o escritório. Gustavo fala também sobre sua escolha pela arquitetura, o início da carreira, e alguns de seus projetos premiados.
Como é trabalhar com a família?
É raro, não é fácil e nem simples, mas é bonito. O momento do trabalho é diferente do momento de família. Ele é tenso, está com adrenalina total. É dificil ser capaz de ser o paizão, em alguns momentos você perde a cabeça. Mas o legal é que dá certo porque nós todos lemos bem a situação, sabemos manter um distanciamento crítico. E apesar de eu andar com o meu trabalho na cabeça, não levo questões administrativas para casa.
Como foi sua infância?
Eu nasci na Rua Antônio de Albuquerque, 867, telefone 23550. Minha rua inundava na época de chuva porque corria a água do Santo Antônio. Eu virava uma mesinha e fazia de barco. Colocava minha irmã mais novinha e navegávamos na enxurrada, que era limpa. A cidade estava começando. Tive uma infância cheia de facetas, fiz papagaio, construí uma manivela, tinha um time de futebol, consertava sapato, fazia bola, criava pombo, andava em cima do telhado, andava nos porões. Fizemos um teatro fantasma. Minha infância foi muito rica.
Quando escolheu arquitetura?
Minha época foi o último ano que os vestibulares eram nas unidades. Então as provas foram na Escola de Arquitetura, na Rua Pernambuco. Sylvio Vasconcellos era o diretor. E fiz, na Federal, a prova para Engenharia. Passei nas duas. Eu era péssimo aluno tomei um monte de bomba, até que fui para o Colégio Santo Antônio e fui o melhor aluno de matemática no ano. Tomei segunda época no 1º e 2º científico, no 3º eu deslanchei. Aprendi que o professor ilumina o aluno, ele faz a pessoa crescer. O bom professor tem um brilho no olhar e fala de uma forma tão bonita que você quer copiar, lembro dele até hoje: Júlio Eduardo Guimarães Cabizuca e depois teve o Evando Neiva e outros que me deixaram marcas.
Já lançou quatro volumes sobre seus trabalhos, separado por décadas, e vai lançar mais um volume ano que vem. Fala desse projeto.
Esse livro foi iniciativa da professora Rosana Parisi, doutora da PUC de Poços de Caldas, que criou o projeto e levou para uma editora de São Paulo. Normalmente o que se faz é “Fulano de tal, 50 anos”, eu acho isso uma coisa de loja, de comércio, eu preferi colocar pelas décadas 73/83, 83/93, 93/03, 03/13 e 13/23 esse último será ano que vem. Com isso o projeto recebeu o nome de 7323 que completa a trajetória. A professora Rosana convidou vários críticos da arquitetura e professores das escolas para fazerem contribuições analíticas nos livros. Parece um painel completo da produção, mas com muita dedicação. Fiquei muito emocionado porque não fui eu que escrevi o livro, apenas fiz os projetos que estão lá.
Outra preciosidade é o livro sobre o Memorial Brumadinho. Não só o livro, mas o Memorial todo
O livro foi escrito pelo Milton Hatoum, que em seguida foi elevado a imortal pela Academia Brasileira de Letras. O interessante é que o Hatoum é arquiteto, formado pela FAU-USP, e o fotógrafo foi o Leonardo Finotti, que também é arquiteto. Então é um livro de um arquiteto, escrito por um arquiteto e com fotos de outro arquiteto.
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Como foi a concepção do projeto do Memorial Brumadinho, o que você sentiu
quando estava criando?
Cabral de Melo Neto escreveu que existia uma faca de só lâmina, uma faca que não tem jeito segurar sem se cortar. Eu tinha a vergonha e a indignação de ter visto o rompimento. Aquilo não se explica, como uma pessoa pode ter a negligência criminosa de deixar acontecer uma coisa daquela. E como aconteceu é terrível porque foram funcionários da empresa que foram mortos. A indignação marcou algumas coisas na minha cabeça, como a fenda. A barragem era uma superfície gramada enorme e em dado momento surge uma fenda de cima a baixo, vermelha. Essa fenda prenunciou o viria em seguida, ela durou segundo. Eu queria deixar ela marcada e indestrutível onde foi o rompimento. Foi um concurso que nós vencemos quase por unânimedade das famílias. Quis fazer a tridimensionalização da dor. E dor você não consegue quantificar. Temos que dar uma espacialidade para esse sentimento e para isso temos que ouvir a dor. Ler os jornais, ouvir os bombeiros, ouvir as famílias, ouvir Minas Gerais, ouvir as pessoas que foram impactadas. E fomos construindo o trabalho. n