Em casamentos, decoradores exploram o dom de transformar ambientes
Profissionais cumprem papel fundamental em casamentos e deixam as locações com a cara do casal
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Dos muitos detalhes no planejamento de um casório, a decoração é, certamente, um dos mais relevantes. Funciona como um cartão de visitas, oferece aos convidados assim que chegam, a ideia do que os aguarda. A composição de flores, mobiliários e objetos diversos também tem, é claro, o poder de transformar um ambiente neutro em um espaço de personalidade – que seja a cara dos noivos.
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Para isso, é preciso muito cuidado, critério e uma boa dose de experiência de decoradores que literalmente dedicam a vida a esse trabalho. Esta edição da série “Casamento em Pauta”, do Caderno Feminino & Masculino, busca, justamente, entender mais desse mundo da decoração por meio de profissionais que são referência na cena belo-horizontina.
No caso de Denise Magalhães, proprietária da Verde Que te Quero Verde, os cinquenta anos de carreira são, sem dúvida, uma enorme chancela. “Hoje, com tantos anos de carreira, é muito fácil para eu ler a personalidade do casal, entender o que eles querem e também adicionar o que eu acho necessário, inclusive para atender às famílias”, comenta.
Esse ponto de atender não apenas os noivos em si, é de suma importância para Denise. “Às vezes, o casal só pensa neles e nos amigos e acabam se esquecendo que o casamento é a união de duas famílias”, argumenta, chamando a atenção para o fato de, na sua última reunião com os clientes antes do grande dia, receber e escutar também parte dos familiares.
Sem tendências vazias
Hoje, com o acesso gigantesco a conteúdos de todos os tipos nas redes sociais, a decoração foi se pautando muito em tendências. Não é difícil reparar que muitas festas e casamentos são parecidas entre si. Nesse ponto, a expertise de Denise ajuda os noivos a não “caírem na emboscada” de tendências efêmeras.
“Encaminhamos a festa para que ela seja uma memória. Percebo que um grande foco hoje em dia é a repetição do nada, do vazio, em que não se diz nada (com a decoração). As pessoas procuram um resultado já esperado. Mas na Verde Que te Quero Verde não trabalhamos assim. A gente ama que as festas tenham personalidade e contem um pouco da história de cada um. Nunca repetimos uma festa ou decoração, buscamos sempre uma identidade”, destaca a artista.
O bombardeamento de informações no mundo digital também pode levar os noivos para um lugar de não saberem identificar de fato o estilo que querem seguir, conforme explica Mônica Lipiani, que, ao lado de Luiza Lipiani comanda a Lipiani Design. “Tem gente que é objetiva e nos procura com referências parecidas entre si, mas também existem clientes que chegam com propostas que vão do A ao Z. Nesses casos, precisamos ajudar a entender qual caminho seguir”.
Escolha do espaço
Na definição da decoração de um casamento, o espaço onde ele será realizado influencia tudo. O ideal para Mônica, com seus mais de 20 anos de experiência – mas que costuma não acontecer – é que os noivos a procurem antes de definirem a locação, para que veja, por exemplo, se tem um tamanho adequado para o número de convidados.
Sobre esse ponto, Denise Magalhães diz receber muitos pedidos de indicação de lugares interessantes para alugar, porque grande parte dos noivos que atende já são clientes da Verde.
Acervo
Os noivos que buscam Mônica Lipiani têm acesso a um acervo enorme construído por anos – um grande diferencial da decoradora. “Nosso acervo é muito grande e variado, e quando a noiva fecha comigo, ele é 100% dela. Nenhum valor é repassado”. Essa coleção guarda objetos diversos como candelabros, tapetes, mobiliário e itens de mesa posta.
E como há peças de diferentes anos, também ficam guardadas tendências que vão e voltam. “Já fiquei com ‘birra’ de algumas peças e depois voltei a usar”, conta, reforçando a possibilidade de sempre retornar à sua coleção.
Flores secas
Se, quando pensamos em uma decoração de casamento, as flores frescas logo vêm à mente, Luiza Marques Cruz, da Due Flor, nos mostra que as flores desidratadas também têm seu valor.
O mais interessante é que elas, que se tornaram uma marca registrada da decoração de Luiza, carregam um significado. “Na minha adolescência, morei dois anos na França. Lá eu aprendi a desidratar flores. Isso ficou muito forte dentro de mim”, conta, lembrando de experiências em antigos trabalhos em que muitas plantas frescas acabavam desperdiçadas após a realização de um evento – as secas conseguem ser reutilizadas por pelo menos uma outra vez.
Atualmente, em sua empresa, as flores frescas evidentemente têm muito espaço, mas Luiza mostra como a composição com as secas pode ser interessante. “Tem gente que não ama as flores desidratadas, eu amo, acho que dá muita textura. No meu casamento, em que eu fiz a decoração, usei esse mix”, conta a decoradora e arquiteta, que tem um acervo de flores desidratadas para chamar de seu.
Naturalidade
A mistura de texturas também se relaciona bem com a proposta de casamentos diurnos – cada vez mais usada. “As pessoas estão preferindo locações abertas, com menos estruturas rígidas, painéis, etc. A decoração atualmente precisa complementar a arquitetura e o jardim”, conta Luiza, enfatizando que não misturar muitas espécies de flores pode trazer um ar mais natural.
Os arranjos aéreos também são um diferencial nesse ponto. Segundo a decoradora, são mais fáceis de serem feitos com flores secas, que são mais leves. Em ambientes abertos se misturam com a paisagem.
O aspecto natural também é ponto chave para Marcela Ferrari, que trabalha com design floral para eventos. “As flores nunca perderam seu protagonismo, mas a maneira de usá-las mudou. Hoje buscamos mais naturalidade, leveza e movimento”, diz.
Escuta ativa
O trabalho com decoração exige, além de um olhar atento, uma escuta ativa. Esse, segundo Marcela, é um primeiro passo para um trabalho bem-feito. “Antes de pensar em flores, paleta de cores ou qualquer outro elemento da decoração, eu quero entender quem são aquelas pessoas, o que elas sonham para aquele dia e, principalmente, o que faz sentido para elas. Depois, começamos a transformar esse sonho em conceito”, explica.
Esse exercício de escuta para o qual Marcela chama a atenção tem relação direta com o que outras decoradoras entrevistadas para esta reportagem defendem: a personalidade acima de modismos. “Acredito que meu trabalho foi se construindo justamente nessa busca pela identidade. Não gosto de reproduzir tendências. Gosto de ouvir e entender o que existe por trás de cada celebração para, a partir daí, criar uma decoração que tenha alma. E talvez, o que mais me emocione seja perceber que por meio do meu trabalho, consigo participar de momentos que ficarão para sempre na memória das pessoas”.
Atmosfera com história
O resultado de uma decoração certeira pode levar os noivos e os convidados para outra dimensão. “Para mim, uma decoração bem-sucedida é quando ela deixa de ser apenas um cenário e passa a contar uma história. A decoração tem um papel muito importante porque ela é capaz de transformar um espaço em uma experiência. Ela cria a atmosfera, desperta emoções e dá identidade à celebração”, defende Marcela.
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A profissional também reforça que a montagem deve ser harmônica. “Acredito que a decoração precisa emocionar sem tirar o protagonismo do que realmente está sendo celebrado”, completa. n