Sinônimo de liberdade e democracia, essa matéria-prima centenária é um assunto inesgotável: estamos falando do jeans, aquele tecido que nasceu para ser usado pelos mineradores, vestiu cowboys e celebridades do cinema, foi ícone de rebeldia nos anos 1970 e chegou incólume ao século 21.

No vaivém da sua trajetória e de todos os conteúdos semióticos que encerra, o denim ganha cada vez mais espaço nas passarelas internacionais, com sua proposta universal de conversar com todos os públicos, inclusive o mais elitizado, que frequenta as temp oradas de moda do circuito Elizabeth Arden.

Os lançamentos para o inverno 2026/2027 demonstram que ele foi tratado como material de luxo pelas marcas que trabalham nesse mercado, seja adornado, estampado, como alfaiataria ou através de lavagens e acabamentos.

Na Dior, um dos desfiles mais celebrados de Paris, Jonathan Andersen apresentou ricamente o material em saias com vários babados – como se fossem pétalas de flores – e brilhos nas extremidades. Também ornamentou calças lavadas no melhor estilo wash stone.

Corgie

Corgie/Divulgação

Stella McCartney, por sua vez, lançou mão do denim em algumas ocasiões, mas o destaque foi a passagem do look rocker composto por uma calça recoberta de pedras coloridas e camiseta na qual homenageou o pai roqueiro. E a Chloé construiu shapes fantásticos em modelagens arrojadas de alfaiataria.

Na Semana de Moda de Nova York, a mineira Patbo, comandada por Patrícia Bonaldi, enalteceu a matéria como artigo de luxo, explorando bordados florais e paisley inspirados nos anos 1970.

Já na norte-americana Coach, chamou a atenção o apelo do jeans com energia grunge em peças propositalmente desbotadas, puídas ou rasgadas, com barras desfiadas, deixando uma sensação de upcycling. Em Milão, a Emporio Armani, fiel ao seu estilo, investiu na alfaiataria e no shape baggy tanto nos looks femininos quanto nos masculinos, priorizando o dirty jeans, que parece ser o mais prestigiado do momento.

Emporio Armani

Giovanni Giannoni/WWD


Customizações


O estilista Martielo Toledo, que domina todos os processos da indústria jeanswear, confirma a tendência dessa lavagem com aspecto empoeirado para a próxima temporada. Desde que voltou para Belo Horizonte, em 2022, começou a atuar na gerência de produto e atendimento de private label, atendendo várias marcas que desejam ter uma representação do denim. Entre elas, Corgie, Anne Fernandes, Rosa Dhalia e Cleo.

No seu entendimento, essas customizações se devem mais ao objetivo de diferenciar o produto e revigorar o estilo do que a uma tendência propriamente dita.


Tecido múltiplo

Sim, as marcas mineiras com status premium, de olho nas passarelas gringas, não abrem mãos do jeans, mesmo que seja para dar uma perfumada na coleção. Marcelo Birni, que já trabalhou nas principais fábricas especializadas no segmento, observa que, embora ele nunca tenha deixado de frequentar as passarelas, há cerca de três estações vem se tornando cada vez mais relevante.

Entre os exemplos, ele cita o da australiana Zimmermann, no desfile da coleção primavera-verão 2025/2026. No contexto sofisticado, o jeans serviu como ponto de ancoragem visual, contrastando com os tecidos leves e as estampas etéreas e delicadas.

“Isso se deve à multipluralidade da matéria-prima”, explica. Ou seja, os efeitos de lavanderia permitem que ela se transforme, é perfeita para a alfaiataria e se diferencia por meio de aviamentos.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Trabalhando na equipe de estilo da Caos, Marcelo observa que as coleções cresceram e hoje alcançam até 100 peças. “A gente pode bordar, lixar, aplicar tachas, entre outras técnicas que valorizam as peças em jeans”, pontua.

compartilhe