Patrícia Espírito Santo

Pink e Malu

"Passando na porta de um petshopping, viu uma gatinha andando torto, desequilibrada, cheia de tiques. 'Uai gente! Achei'"

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Há cerca de quatro anos, ao chegar para uma temporada em Boa Vista/Roraima para ensinar costura a refugiados venezuelanos, me deparei com dois gatinhos recém-nascidos na casa de minha sobrinha que, na época, trabalhava na Acnur (ONU). Rebeca e Pink me foram apresentados. Pink em alusão ao desenho animado Pink e Cérebro, dupla de ratinhos de laboratório. Ganhou esse nome porque, como o personagem, parecia bobo e lesado. Ninguém quis adota-lo porque ele apresentava retardo e não enxergava direito, me explicou Gaby que decidiu acolher a dupla enquanto esperavam por um lar definitivo. Acabou sendo aquela mesma, a casa escolhida por Deus.

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Alguns meses depois, Rebeca foi atropelada em uma de suas tantas incursões pelas ruas e lotes vagos. Como não tinha as habilidades de um gato comum e não conseguia pular a janela, muito menos o muro, Pink não a acompanhava. Sorte a dele.


Gaby se mudou para São Paulo e na sua cola levou Pink. Gosta de brincar de esconder mais de que ser achado até que decida ceder, dar uma miada discreta e aceitar um carinho quando alguém de fora aparece. Um gato sendo gato.


Preocupada em arrumar uma nova companheira para ele, Gaby saiu a procura de uma gatinha paulista. Não poderia ser uma qualquer. Precisava falar a mesma língua que vai muito além dos miados. Sempre que via um petshopping, entrava e perguntava por algum felino à procura de casa. Frequentou um café/bar onde gatos a serem adotados andam pelas mesas até que encontrem o tutor ideal e vice-versa. Nada que ela identificasse como estando à “altura” de Pink.

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Até que, passando na porta de um petshopping, viu uma gatinha andando torto, desequilibrada, cheia de tiques. “Uai gente! Achei”. Malu havia sido resgatada na casa de um dependente químico que precisara ser internado. Ninguém sabe ao certo o que teria acontecido com a gata, mas rumores dão conta de que, em um momento de surto, seu antigo tutor pisou em sua cabeça causando danos irreversíveis. Hoje é a dona da casa, domina uma poltrona virada para o vidro que dá vista para o Museu do Inseto, em Vila Mariana. De bobos, aqueles dois não têm nada. Quem têm somos nós humanos que insistimos em buscar perfeição fugindo da diversidade. Quando escolhemos ver o mundo com olhos amplificados, enxergamos riquezas e oportunidades como faz Gaby e tantos outros.

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