Todas as cores de Graça Ottoni
O verão é uma festa colorida no olhar da estilista mineira que há 45 anos se destaca no mercado por sua moda autoral
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Graça Ottoni lançou, em início de dezembro, sua coleção Festa, uma celebração da autenticidade e da elegância contemporânea. Inspirada no desejo de fugir do óbvio, a marca convidou as clientes a revisitarem o dress code das festas de fim de ano e das férias no alto verão com frescor, personalidade e escolhas que vão além do tradicional.
Como é sua marca registrada, Graça usa e abusa de uma paleta vibrante e sofisticada. Azuis intensos, como royal e cobalto, surgem como alternativas modernas, trazendo impacto visual sem abrir mão da elegância. Laranjas solares em organza e chiffon de seda iluminam a produção e imprimem energia, perfeitos para celebrar com atitude.
Para as noites mais festivas Graça Ottoni propõe uma estética mais artística. Peças em patchwork de organza e crepe de seda, com a mistura harmoniosa de estampas e texturas, destacam o trabalho autoral e transformam o look em uma expressão única de estilo. Cada composição parece uma obra de arte vestível, ideal para mulheres que buscam sofisticação com originalidade.
Nada de brilhos óbvios, a estilista aposta em aplicações manuais delicadas em tecidos com microtexturas luminosas e tramas sofisticadas, criando um glamour sutil e atemporal. A coleção para a estação mais quente do ano atende perfeitamente a mulher que escolheu passar o período em elegantes resorts ou luxuosos hoteis em praias estilosas tanto no Brasil quanto no exterior.
Vários looks acompanham o dia, podendo ser usado no café da manhã, brunch, barco, e até em um happy hour ou jantar. É a mulher colorida, com estilo, elegância e muito charme. Esta coleção reafirma uma moda pensada, sensível e livre de padrões impostos. O verdadeiro luxo está no olhar, no gesto e na escolha consciente de peças que traduzem personalidade.
Celebrando uma história
Graça Ottoni é de Teófilo Ottoni, viveu com muita simplicidade, tudo era muito precário, mal tinha energia elétrica e o fogão era a lenha. Os brinquedos eram inventados com o que tinham. Como disse Mary Figueiredo Arantes em uma entrevista recente a este Caderno, “é na escassez que nasce a criatividade”. E foi este início de vida que abriu espaço para a imaginação de Graça e incentivou o seu gosto pela criação e pelo trabalho manual.
Sua mãe costurava para todos os filhos em uma máquina de costura manual, daquelas de pedal, e a futura estilista vivia atrás de sua mãe para que ela fizesse roupinhas para suas bonecas de pano. As bonecas de roupa nova ela leiloava para ganhar dinheiro para comprar picolé. Desde cedo ela começou a ter intimidade com a costura e com o comércio.
Em 1976, começou a trabalhar como administradora na Secretaria de Planejamento e com seu salário comprou a primeira máquina de costura, e tirava os moldes da antiga revista Burda. Fazia as peças e vendia para suas irmãs.
Seu começo profissional na moda foi em 1980. Graça Ottoni investiu 400 cruzeiros (moeda da época) na compra de 15 camisetas Hering e alguns materiais que usou para customizá-las. Vendeu as peças de porta em porta para lojas multimarcas. Assim nasceu a marca Graça Ottoni.
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Para expandir o negócio ela precisava de tecidos e teve dificuldades porque o Grupo Mineiro de Moda estava no auge e tinha exclusividade de compra de linho na Braspérola. A solução foi usar o tecido que Graça chama de Inca, que significa INCAlhado. Por sinal a estilista ama trabalhar com tecidos que ficam parados entre uma estação e outra, e de trabalhar várias técnicas em cima deles. Ela costura, borda, plissa, pinta, enfim, os torna mais ricos e exclusivos. Graça trouxe o conceito de upcycling para a moda muito antes da sociedade valorizar a sustentabilidade. Esta é a artista Graça Ottoni que há 45 anos cria uma moda única e inesquecível.