Brigas, fofocas e fracasso: fiasco da França na Copa do Mundo de 2010 virará filme; veja
Netflix anuncia documentário sobre o colapso histórico da seleção francesa, que teve greve de jogadores e crise política
compartilhe
SIGA

Um dos capítulos mais caóticos da história do futebol mundial virou obra cinematográfica e ganhará uma releitura detalhada.
A Netflix anunciou o documentário The Bus: Les Bleus en grève (O ônibus: os jogadores franceses em greve), que resgata os bastidores da implosão da Seleção Francesa de Futebol na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.
Il y a 16 ans. LE BUS : LES BLEUS EN GRÈVE (Há dezesseis anos. O ônibus: os jogadores franceses em greve)”, publicou a plataforma ao divulgar a produção, em referência ao local onde ocorreu o episódio mais simbólico da crise: a greve dos jogadores dentro do ônibus da delegação. A estreia está marcada para 13 de maio.
Mais de uma década depois, o episódio retorna com força através do documentário da Netflix, que promete reconstruir cada detalhe da campanha francesa, das intrigas internas à crise institucional que abalou o país. Veja o trailer:
Il y a 16 ans, Knysna.
— Netflix France (@NetflixFR) April 29, 2026
LE BUS : LES BLEUS EN GRÈVE, le documentaire sur lun des plus grands scandales du foot français, le 13 mai. pic.twitter.com/l4RMUtzWxc
Tudo começou com um gol ilegal
A França chegou à Copa já cercada de desconfiança. Na repescagem contra a Irlanda, o gol da classificação saiu após um toque de mão de Thierry Henry, que dominou irregularmente antes da assistência para o zagueiro William Gallas.
O lance gerou revolta mundial, com pedidos de repetição da partida e protestos. Internamente, deixou a sensação de que a seleção havia forçado a entrada no Mundial, um peso que acompanharia o grupo naquele Mundial.
Escolhas polêmicas e ambiente estranho
O técnico Raymond Domenech já era alvo de críticas antes mesmo da Copa. Adepto de decisões controversas (incluindo relatos de uso de astrologia para convocar jogadores), ele deixou nomes importantes fora do ciclo, como os meias Robert Pires e Ludovic Giuly.
Na estreia contra o Uruguai, aumentou a tensão ao barrar Henry, maior ídolo do elenco, e entregar a braçadeira de capitão ao lateral-esquerdo Patrice Evra. O resultado foi um empate sem gols, com futebol pobre e sinais claros de desconexão.
Nos bastidores, a relação entre os jogadores já era problemática. Franck Ribéry e Evra passaram a criticar o meia Yoann Gourcuff, acusado de não se integrar ao grupo. O ambiente virou um misto de vaidade, isolamento e desconfiança.
Boicote em campo e derrota para o México
Na segunda rodada, contra o México, a crise já transbordava para o campo. Gourcuff foi para o banco ao lado de Henry, mas o nível coletivo de atuação não melhorava e a derrota por 2 a 0 foi incontestável, servindo como gatilho para o caos.
Anelka explode e vestiário implode
No intervalo da partida, o atacante Nicolas Anelka se revoltou após críticas de Domenech e xingou o treinador diante de todo o elenco, valendo-se de palavrões e outras ofensas.
Com isso, a Federação Francesa exigiu um pedido público de desculpas. Anelka se recusou e foi imediatamente expulso da delegação.
O jornal LÉquipe estampou o xingamento na capa, a crise interna virou pública e o grupo, já dividido, entrou em colapso.
Paranoia, brigas e ‘traidor’ no elenco
A reação dos jogadores foi imediata. O capitão Evra afirmou que havia um traidor dentro do grupo, responsável por vazar informações à imprensa.
O clima virou paranoia. Em um treino, Evra discutiu e quase partiu para agressão com o preparador físico Robert Duverne, em uma cena que simbolizou a perda total de controle da comissão técnica para com os atletas.
Greve que chocou o mundo
No episódio mais emblemático, os jogadores decidiram não treinar, em plena Copa do Mundo.
Reunidos, votaram pela paralisação e permaneceram dentro do ônibus da delegação, enquanto a comissão técnica observava o campo vazio.
O diretor da Federação, Jean-Louis Valentin, pediu demissão imediatamente, enquanto patrocinadores rompiam contratos e o caos se instaurava de vez.
Fim melancólico dentro de campo
Em campo, a situação não melhorou. A França ainda perderia para a África do Sul, por 2 a 1, e amargaria a lanterna do grupo, encerrando de forma melancólica a participação no certame, com apenas um ponto e um gol marcado.
O último jogo teve mais um capítulo constrangedor: Domenech se recusou a cumprimentar Carlos Alberto ParreirA, técnico brasileiro que comandava os sul-africanos.
Caso de Estado
A crise ganhou proporções políticas. A ministra dos Esportes, Roselyne Bachelot, viajou à África do Sul e fez um apelo direto: a reputação do país está em jogo. Na volta à França:
- o presidente Nicolas Sarkozy se reuniu com Henry
- Domenech e dirigentes prestaram depoimento ao Parlamento Nacional
- o presidente da federação renunciou
Destruição do símbolo máximo do vexame
O impacto foi tão grande que virou símbolo. Meses depois, a Adidas organizou a destruição pública do ônibus usado pela seleção, com o slogan: o ponto final de um dos episódios mais obscuros da história do futebol.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
A notícia Brigas, fofocas e fracasso: fiasco da França na Copa do Mundo de 2010 virará filme; veja foi publicada primeiro no No Ataque por Vitor de Araújo