Compra segura

Carro usado: como descobrir se o veículo foi roubado, clonado ou leiloado

Mercado de seminovos bateu recorde em 2025, e consultar o histórico do veículo tornou-se uma etapa indispensável para evitar prejuízos na compra

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O brasileiro nunca comprou tantos carros usados. Segundo a Fenauto, federação que representa as revendedoras de veículos, o país encerrou 2025 com 18.508.929 seminovos e usados comercializados, crescimento de 17,3% em relação a 2024, que já havia registrado um recorde. Na prática, mais de 75 mil veículos trocam de dono a cada dia útil no Brasil.

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Esse volume expressivo também aumenta os riscos para quem pretende comprar um automóvel. Junto com negociações legítimas, circulam veículos com histórico oculto: carros roubados que receberam nova identidade, automóveis recuperados de leilão vendidos como se nunca tivessem sofrido sinistro e casos de clonagem de placas que podem enganar até compradores experientes.

O problema é que essas situações dificilmente são percebidas apenas pela aparência. Um carro clonado pode funcionar normalmente durante o test drive, enquanto um veículo recuperado de leilão pode apresentar aspecto de seminovo. A diferença entre um bom negócio e um prejuízo significativo costuma estar na verificação do histórico antes da assinatura do contrato.

Um veículo roubado ou furtado a cada dois minutos

Os números do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com dados das secretarias estaduais, ajudam a dimensionar esse cenário.

Em 2025, o Brasil registrou 308.440 ocorrências de roubo e furto de veículos, o equivalente a um caso a cada 1 minuto e 42 segundos, ou cerca de 845 registros por dia. Embora tenha havido queda de 14,3% em relação a 2024, o volume ainda é elevado. Os roubos passaram de 126.358 para 104.491 ocorrências, enquanto os furtos somaram 203.949 casos, representando aproximadamente dois terços do total.

A redução das ocorrências, porém, não elimina o destino dado a muitos desses veículos. Parte é desmontada para abastecer o comércio ilegal de peças, enquanto outra retorna ao mercado com placas, chassi e documentos adulterados, sendo revendida a compradores que desconhecem a fraude.

Como funciona a clonagem de veículos

A clonagem é uma das fraudes mais difíceis de identificar apenas pela aparência. O esquema costuma seguir um padrão conhecido pelas autoridades: criminosos escolhem um veículo regular, do mesmo modelo e cor do carro roubado, e copiam seus dados, como placa, Renavam e numeração do chassi. Com documentos falsificados, o veículo irregular passa a assumir a identidade de outro que circula legalmente.

O resultado pode enganar até compradores cuidadosos. Quando a consulta considera apenas a placa, o sistema retorna as informações do veículo verdadeiro, que está regular. O golpe normalmente só é descoberto quando começam a surgir multas de outra cidade, o proprietário original identifica a duplicidade ou o automóvel é apreendido durante uma fiscalização.

O prejuízo pode ir além da perda do veículo

O prejuízo quase sempre recai sobre quem comprou o automóvel. Além de perder o veículo, apreendido por ser produto de crime, o comprador pode responder pelas infrações acumuladas e dificilmente recupera o valor pago, já que o vendedor responsável pelo golpe costuma desaparecer após a negociação.

Outro sinal que merece atenção é o preço muito abaixo da Tabela Fipe. Valores muito inferiores aos praticados no mercado costumam ser utilizados para acelerar a venda antes que a fraude seja descoberta.

Passagem por leilão nem sempre aparece na documentação

Nem todo carro de leilão representa um mau negócio. Veículos provenientes de frotas, financiamentos retomados ou apreensões administrativas podem estar em boas condições de uso. O problema está nos automóveis sinistrados, com perda total decretada pela seguradora, que são recuperados e revendidos sem que o comprador tenha conhecimento desse histórico.

Essa omissão pode trazer consequências importantes. Um veículo com passagem por leilão de sinistro costuma ter menor valor de revenda, pode apresentar comprometimentos estruturais não perceptíveis e, em alguns casos, enfrentar restrições na contratação de seguro.

O Código de Defesa do Consumidor considera a omissão dessa informação uma violação do dever de informar. Embora seja possível solicitar a devolução do valor pago e até indenização, a solução normalmente depende de um processo judicial, que pode ser demorado.

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A consulta do histórico permite identificar passagens por leilão que não constam no documento de transferência do veículo magnific

Outro detalhe importante é que a passagem por leilão não aparece no documento de transferência. Um CRV pode estar totalmente regular, sem indicar que aquele veículo já foi classificado como perda total. Por isso, confiar apenas na documentação não é suficiente para verificar o histórico do automóvel.

O que a consulta veicular pode revelar

A maneira mais segura de conhecer o histórico de um veículo é cruzar informações de bases públicas e privadas antes da compra. Nos últimos anos, esse tipo de consulta se tornou mais acessível justamente por causa do crescimento das fraudes no mercado de usados. Atualmente, uma verificação completa pode ser realizada em poucos segundos e custa uma pequena fração do valor do veículo.

Plataformas especializadas em consulta veicular, como a Ver Placa, reúnem em um único relatório informações sobre histórico de leilão e sinistro, registros de roubo e furto, restrições judiciais, gravame de financiamento, além de multas, IPVA e licenciamento.

A pesquisa pode ser feita pela placa, pelo chassi ou pelo número do motor, dados que podem ser conferidos diretamente no veículo, sem depender apenas da documentação apresentada pelo vendedor.

Gravame também merece atenção

Outro item que deve ser analisado no relatório é o gravame. Um veículo com alienação fiduciária ativa pertence, na prática, à instituição financeira que concedeu o financiamento e não pode ser transferido enquanto a dívida não for quitada.

Não é raro que o vendedor receba o pagamento, prometa quitar o financiamento e desapareça antes de regularizar a situação. Como consequência, o comprador fica com um veículo que não consegue transferir para seu nome. A consulta do histórico permite identificar essa informação antes da negociação, reduzindo o risco desse tipo de problema.

A conferência física complementa a consulta

A consulta ao histórico é uma etapa fundamental, mas não substitui a inspeção presencial do veículo. Nos casos de clonagem, por exemplo, a fraude costuma ser identificada justamente na comparação entre as informações registradas nos sistemas e as numerações gravadas no automóvel.

Por isso, especialistas em vistoria recomendam conferir pessoalmente a plaqueta do chassi no compartimento do motor, a gravação na longarina e as etiquetas dos vidros, verificando se todas as numerações são iguais entre si e correspondem às informações do relatório.

Qualquer divergência de cor, ano, modelo ou numeração deve interromper a negociação imediatamente. Também merecem atenção sinais de remarcação, como áreas lixadas, rebites fora do padrão ou corrosão concentrada ao redor da gravação do chassi, que podem indicar adulteração.

Em caso de dúvida, uma vistoria cautelar realizada por empresa credenciada pode confirmar a originalidade da estrutura e fornecer um laudo técnico que oferece mais segurança ao comprador.

O que verificar antes de fechar negócio

Comprar um carro usado com mais segurança envolve a combinação de diferentes cuidados. O ideal é reunir a consulta do histórico pela placa, pelo chassi e pelo motor, conferir presencialmente as numerações do veículo e avaliar a credibilidade do vendedor, principalmente quando houver preços muito abaixo do mercado ou pressão para concluir a negociação rapidamente.

Com 18,5 milhões de transações por ano, o mercado brasileiro de seminovos oferece boas oportunidades para quem pesquisa antes de comprar. A consulta ao histórico deve ser encarada como parte do investimento, e não como um custo adicional.

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Diante de um patrimônio que frequentemente supera R$ 50 mil, dedicar alguns minutos para verificar as informações do veículo pode evitar prejuízos financeiros e problemas jurídicos no futuro.

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