Empréstimo para quitar dívidas: quando essa estratégia vale a pena?
Pesquisa mostra que 35% dos negativados consideram recorrer ao crédito para reorganizar as finanças, mas a decisão exige planejamento
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Contratar um empréstimo para colocar as contas em dia pode parecer contraditório para quem está com o nome sujo. Afinal, significa assumir uma nova dívida para quitar outras. No entanto, uma pesquisa realizada pela datatudo, publicada no blog da meutudo em junho de 2026, mostra que 35% dos negativados cogitam exatamente essa alternativa.
Entender quando essa troca faz sentido, e quando ela apenas substitui um problema por outro, é o que diferencia uma decisão financeira consciente de um risco ainda maior.
O retrato de quem enfrenta restrições no crédito
Ter o nome negativado ainda faz parte da realidade de grande parte das pessoas que buscam informações sobre crédito.
Segundo a pesquisa, 68% dos entrevistados estão com o nome sujo atualmente. Outros 14% têm o nome limpo, mas enfrentam dificuldades para conseguir crédito ou aumento de limite. Já 7% afirmam ter crédito disponível, enquanto 10% não sabem informar sua situação.
Ou seja, para a maioria dos respondentes, conseguir dinheiro é apenas a segunda etapa. Antes disso, é preciso superar as limitações que o próprio nome negativado impõe ao acesso ao crédito.
Limpar o nome é prioridade, mas os juros dificultam esse caminho
Diante desse cenário, fica claro qual é a principal meta dos entrevistados. O desafio está justamente em encontrar uma forma de alcançá-la. Segundo o levantamento, 53% dos negativados afirmam que o principal objetivo financeiro para o segundo semestre de 2026 é quitar as dívidas em atraso e limpar o nome.
Outros 23% querem apenas manter as contas básicas em dia, 13% pretendem formar uma reserva para imprevistos e 10% desejam realizar uma compra importante.
Quitar pendências, portanto, é o objetivo de mais pessoas do que todas as outras metas somadas. Esse resultado ajuda a explicar por que a busca por crédito, nesse contexto, costuma estar ligada à reorganização das finanças, e não à criação de novas despesas.
Juros elevados dificultam a reorganização financeira
O mesmo levantamento mostra que 44% apontam os juros das dívidas atuais como o principal obstáculo para colocar as contas em dia. Na sequência aparecem os imprevistos, como problemas de saúde ou desemprego na família (27%), renda insuficiente (19%) e falta de organização financeira (9%).
Esses dados mostram que, para quase metade dos negativados, o problema não é apenas a falta de dinheiro no fim do mês, mas o custo de manter dívidas com juros elevados enquanto tenta reorganizar a vida financeira.
Quando vale a pena recorrer a um empréstimo para quitar dívidas
Diante de juros que corroem o orçamento, recorrer a um novo crédito pode parecer uma decisão arriscada, mas nem sempre é. A mesma pesquisa revela que 35% dos negativados pretendem contratar um empréstimo justamente para quitar dívidas mais caras ou realizar uma compra importante, enquanto 22% contam apenas com o próprio salário para alcançar esses objetivos.
A lógica por trás dessa escolha é simples: trocar uma dívida com juros elevados, como cartão de crédito ou cheque especial, por outra com taxa menor e parcelas fixas pode reduzir o custo total e facilitar a organização do orçamento, mesmo para quem está com o nome negativado.
Hoje já existem opções de empréstimo para negativado, voltadas justamente para esse cenário. No entanto, a estratégia faz sentido apenas quando o valor contratado é destinado à quitação das dívidas que comprometem o orçamento, e não à criação de novos gastos.
Quando o crédito passa a financiar consumo, em vez de substituir dívidas mais caras, a estratégia deixa de ser vantajosa e pode agravar o problema.
O que a pesquisa revela sobre o acesso ao crédito
Embora existam modalidades de crédito voltadas para pessoas negativadas, o conhecimento sobre essas alternativas ainda é limitado. Segundo o levantamento, 35% dessas pessoas já utilizaram alguma dessas opções. Outros 42% acreditavam que era impossível conseguir crédito nessa situação, enquanto 23% sabem que existem alternativas, mas têm receio de cair em golpes.
Esses dados mostram que a dificuldade para obter crédito está relacionada não apenas à disponibilidade de opções, mas também à falta de informação e de confiança na hora de contratar um serviço financeiro.
Para 44%, o score baixo é o que mais impede a aprovação de crédito
Quando perguntados sobre a maior dificuldade para negociar uma dívida ou contratar um empréstimo, 44% dos entrevistados apontaram o score baixo como o principal obstáculo. Outros 35% citaram as taxas de juros elevadas.
Já 14% afirmaram que as parcelas ultrapassam sua capacidade de pagamento, enquanto 7% disseram ter medo de cair em golpes na internet.
O resultado indica que, para muitos negativados, a maior barreira não é encontrar uma linha de crédito, mas conseguir aprovação para contratá-la.
Parcelas acessíveis pesam mais do que descontos
Ao avaliar o que traria mais tranquilidade para fechar um acordo ou contratar um crédito, 49% dos negativados afirmaram que o mais importante é conseguir uma parcela compatível com o orçamento.
Outros 40% preferem contar com orientações claras sobre como sair das dívidas, enquanto apenas 11% priorizam um grande desconto no valor total devido.
O levantamento mostra que a capacidade de manter o pagamento em dia influencia mais a decisão do que o valor total da negociação, reforçando a importância de avaliar o impacto da parcela no orçamento mensal.
Organização financeira já faz parte da rotina de muitos negativados
Apesar das dificuldades, a pesquisa mostra que boa parte dos negativados já adota hábitos para controlar melhor as finanças, mesmo antes de recorrer a um novo crédito.
Segundo o levantamento, 61% afirmam anotar e acompanhar todas as despesas do mês, seja por aplicativo, planilha ou caderno. Outros 18% registram apenas os gastos mais altos, 13% fazem esse controle de memória e 8% dizem não ter esse hábito.
O acompanhamento das despesas já faz parte da rotina da maior parte dos entrevistados. Esse controle ajuda a avaliar com mais precisão se uma nova parcela cabe no orçamento antes da contratação de um empréstimo.
A preocupação com as finanças vem acompanhada da busca por soluções
O mesmo levantamento mostra que 54% dos entrevistados estão preocupados com a situação financeira até o fim do ano, mas já procuram alternativas para melhorar esse cenário. Na outra ponta, 9% afirmam estar muito estressados e sem perspectivas, enquanto 38% demonstram confiança de que conseguirão reorganizar as finanças nos próximos meses.
Os resultados indicam que, para a maior parte dos negativados, a preocupação funciona como incentivo para agir, e não como motivo para adiar decisões importantes.
Como avaliar se um empréstimo realmente compensa
Os dados da pesquisa ajudam a responder uma dúvida comum entre quem busca reorganizar as finanças: recorrer a um empréstimo pode ser uma boa estratégia, desde que alguns critérios sejam observados.
O primeiro é comparar a taxa de juros do novo contrato com a das dívidas atuais. A troca só tende a ser vantajosa quando o novo crédito oferece condições melhores do que aquelas encontradas em modalidades como cartão de crédito ou cheque especial.
Também é importante verificar se a parcela cabe no orçamento mensal. Se o novo compromisso comprometer a renda da mesma forma que as dívidas anteriores, a substituição perde o sentido.
Outro ponto essencial é contratar apenas o valor necessário para quitar os débitos que já comprometem as finanças, evitando utilizar o crédito para ampliar o consumo.
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No fim, recorrer a um empréstimo para negativado pode ser uma estratégia eficiente quando o objetivo é substituir dívidas mais caras por uma única parcela, com juros menores e melhor planejamento financeiro. Quando utilizado para gerar novos gastos, porém, o crédito tende apenas a prolongar o endividamento.