IA em todos os processos: a nova tendência de gestão que chega ao Brasil
Para a TECTO Tecnologia, a ferramenta passou a atuar de maneira integrada em toda a operação dos negócios
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Matéria escrita por Gabriella Collodetti, jornalista do CB Brands – Estúdio de Conteúdo, Marketing e Projetos Especiais do Correio Braziliense
A inteligência artificial deixou de ser uma tecnologia restrita às grandes corporações e aos laboratórios de inovação. O que antes exigia investimentos elevados, equipes especializadas e projetos de longa duração, hoje está ao alcance de empresas de diferentes portes e segmentos. Mais do que automatizar tarefas específicas, a nova geração de soluções baseadas em IA é capaz de integrar processos, conectar áreas e atuar de forma contínua ao longo de toda a operação, transformando dados em decisões e ganhos concretos de eficiência.
É nesse contexto que Gabriel Borges Aguiar, CEO da TECTO Tecnologia, defende o termo “IA 360”, conceito que, segundo ele, representa uma mudança estrutural na forma como a tecnologia é adotada. Em vez de ser utilizada em aplicações pontuais, ela passa a atuar de maneira integrada em toda a operação, centralizando informações em um único ecossistema.
“A IA 360 é a Inteligência Artificial presente em todos os processos da empresa, não só em um ponto isolado. A maioria das empresas ainda usa IA de forma fragmentada: coloca um chatbot no atendimento e acha que já está usando inteligência artificial. O que a gente defende, e já executa, é diferente. É a IA atuando no comercial, na cobrança, no suporte, na gestão, nas propostas, no monitoramento de desempenho do time. Cada processo com sua camada de inteligência, funcionando de forma integrada, centralizando as informações como um ecossistema. Isso é IA 360”, explica.
O diferencial dessa nova era está na capacidade da IA de assumir fluxos completos de trabalho por meio de conexões diretas via APIs com sistemas como ERP, CRM e plataformas financeiras. A tecnologia não fica restrita a uma tela isolada: ela consulta informações, insere dados, atualiza status e executa ações exatamente como um colaborador faria.
"Quando dizemos que a IA pode operar um negócio de ponta a ponta, significa que ela é capaz de conduzir um processo inteiro, do início ao fim, tomando decisões ao longo do caminho. Isso é possível porque nossas soluções se conectam diretamente aos sistemas da empresa por meio de APIs, integrando plataformas como ERP, CRM, sistemas financeiros e de pagamento. A IA não fica restrita a uma interface: ela consulta informações, insere dados, atualiza status e executa ações nos sistemas, da mesma forma que um colaborador faria”, acrescenta.
A popularização das plataformas de inteligência artificial e o avanço das soluções prontas para integração têm reduzido significativamente o custo e a complexidade da adoção da tecnologia. Na avaliação do CEO da TECTO, esse cenário marca uma mudança de paradigma: a IA deixa de ser um diferencial restrito a grandes empresas e passa a fazer parte da operação de negócios de diferentes portes.
"A inteligência artificial já está em operação. Não estamos falando de uma tecnologia que ainda será adotada, mas de processos que já funcionam em empresas reais e geram resultados concretos. A barreira de acesso diminuiu significativamente. Hoje, uma pequena empresa pode automatizar áreas como atendimento, vendas e cobrança com IA, algo que antes só estava ao alcance de grandes corporações”, aponta.
Gabriel indica, ainda, que quem enxerga a IA apenas como uma tendência corre o risco de ficar para trás. O empreendedor ressalta que, quando aplicada de forma estratégica, ela reduz custos, aumenta a eficiência e melhora a qualidade dos processos. Isso significa que empresas que utilizam inteligência artificial têm condições de oferecer produtos e serviços melhores, muitas vezes com custos menores, ampliando sua vantagem competitiva no mercado.
O ganho mais imediato é o volume com qualidade. Na prática, isso implica em um time que consegue atender mais clientes, em menos tempo e sem perder o padrão. “Mas o que mais me impressiona é o ganho em inteligência. Quando a IA monitora os atendimentos do time e devolve para cada vendedor um feedback detalhado daquela conversa específica, com pontos de melhoria e indicadores de performance, você transforma a operação em um ambiente de melhoria contínua”, diz.
A empresa Corrêa Materiais Elétricos, uma das líderes do setor de materiais elétricos no Sul do Brasil, não esperou a concorrência se movimentar para se atualizar no mercado. Em parceria com a TECTO, construiu um ecossistema completo de Inteligência Artificial integrado a todas as frentes do negócio: comercial, financeiro, operacional e gestão. Cada processo ganhou uma camada de IA que automatiza o que é repetitivo, monitora o que é crítico e entrega inteligência em tempo real para quem decide.
“Os impactos são diretos: redução de custo operacional, aumento de conversão comercial e uma liderança com mais visibilidade e controle sobre o negócio. A IA não substituiu o time da Corrêa. Ela o tornou mais eficiente”, comenta Gabriel. O CEO da TECTO reforça que a IA vai substituir apenas aquele vendedor que não usa IA. “A tecnologia assume o que é repetitivo, o que é volume, o que não exige criatividade nem relacionamento. O que sobra para o humano é exatamente o que ele faz melhor: criar vínculo, tomar decisões em situações que exigem sentimento. Quem entende isso logo usa a IA para ser mais produtivo. Quem resiste vai ficando obsoleto”, complementa.
Produtos modulares
Para colocar todos esses conceitos em prática, a TECTO Tecnologia desenvolveu um portfólio de soluções modulares de Inteligência Artificial, voltadas para diferentes etapas da operação e que podem ser implementadas de forma integrada ou conforme a necessidade de cada negócio. Entre as ferramentas já disponíveis no mercado, destacam-se:
Vendedor IA: agente de IA que atua em todo o funil comercial via WhatsApp, desde a prospecção (SDR), passando por vendas técnicas, fechamento e pós-venda. A IA conduz as interações sozinha, encaminhando ao humano apenas os momentos que exigem uma decisão humana. Além da automação, o produto monitora os atendimentos humanos, processa cada conversa de venda, gera indicadores por atendimento, cria um score de performance e aponta exatamente onde aquele vendedor pode melhorar para fechar mais negócios.
“Ele [Vendedor IA] prospecta, qualifica o lead, conduz a conversa de vendas, tira dúvidas técnicas, cria e envia proposta, cria e envia link de pagamento e acompanha o pós-venda, tudo via WhatsApp. E faz isso de forma autônoma, sem precisar que um vendedor esteja do outro lado o tempo todo. O time comercial recebe o lead já trabalhado, já qualificado, no momento certo para fechar. Isso multiplica a capacidade do time sem aumentar a quantidade de pessoas”, explica Gabriel.
O Vendedor IA processa cada atendimento humano, analisa todos os pontos da conversa, gera indicadores daquele atendimento específico, cria um score e devolve para o vendedor e para o gestor os pontos exatos onde aquela venda poderia ter sido conduzida de forma diferente. “É como ter um especialista comercial assistindo cada conversa e dando um feedback estruturado logo depois. O vendedor aprende em tempo real, o gestor enxerga o time inteiro com profundidade que antes não era possível”, informa o CEO da TECTO.
Cobrança IA: plataforma autônoma de cobrança que opera via WhatsApp, com cadências de mensagens inteligentes e tratamento de objeções baseado em legislação brasileira. Reduz a inadimplência sem precisar de uma equipe dedicada de cobrança.
“O grande diferencial está no timing. Muita empresa perde dinheiro não porque o cliente não vai pagar, mas porque a cobrança não acontece no momento certo. O Cobrança IA mantém o engajamento ativo durante toda a cobrança em curso, acionando o cliente na hora certa, o que muda completamente a taxa de recuperação. E não para por aí: também rodamos campanhas específicas de recuperação de crédito para faturas antigas, aquele passivo que a empresa já tinha praticamente dado como perdido”, acrescenta.
Na prática, é como se a empresa tivesse um “call center” de cobrança, com um time dedicado a todo o processo. No entanto, quem executa são os mais de 30 agentes de IA. A ferramenta cobra, negocia desconto e parcelamento quando o gestor autoriza, e pode até negativar o cliente de forma autônoma, seguindo as regras que a empresa define. E cada esteira de cobrança é construída 100% customizada: leva-se em conta o processo da empresa, os objetivos do gestor e o tipo de comunicação que realmente funciona com aquele perfil de cliente.
Proposta IA: automatiza a criação de propostas comerciais, eliminando horas de trabalho manual e padronizando a qualidade das propostas enviadas pela empresa. "Um vendedor que gasta três horas para montar uma proposta passa a gastar dois minutos. Multiplicado pelo volume de propostas que uma equipe comercial gera por mês, o ganho de tempo é significativo. Mas além do tempo, tem a qualidade: todas as propostas saem dentro do mesmo padrão, com as informações certas, sem erro de digitação, sem dados faltando. O vendedor foca em vender, não em preencher documentos", informa.
Gerente IA: módulo de monitoramento e gestão, que processa dados operacionais e gera relatórios e insights em tempo real para gestores, funcionando como um analista de dados sempre disponível. “O Gerente IA funciona como um assistente de dados que o gestor carrega no bolso. Ele tem acesso a um ou múltiplos sistemas da empresa, insere registros, dá baixa, cruza informações de áreas diferentes e gera relatórios sob demanda”, comenta.
Desmistificando a IA
Para os gestores que desejam iniciar a transformação digital em seus negócios, o CEO da TECTO aponta os caminhos práticos para evitar armadilhas comuns:
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- IA não é mágica, é processo: o maior erro das empresas é tratar a tecnologia de forma abstrata, esperando um "milagre" sem entender as regras de negócio por trás. IA é um sistema conversando com sistema e decisões tomadas com base em dados reais;
- Investimento vs. custo: quando a empresa começa se perguntando "que ferramenta de IA devo comprar?", a tecnologia vira um custo. O correto é perguntar: "onde estou perdendo tempo ou dinheiro hoje?". Quando o foco é sanar uma dor, a IA se paga rapidamente e vira investimento.
- O papel do humano (a regra dos 90/10): a IA não anula o julgamento humano. O modelo ideal trabalha com a IA executando 90% do processo de forma autônoma (o volume repetitivo), enquanto os 10% restantes – que envolvem negociações fora do padrão, gestão de crises e decisões estratégicas – ficam sob responsabilidade e parceria do profissional humano.
A orientação para as marcas que ainda não iniciaram essa jornada é dar o primeiro passo o quanto antes, ainda que seja com pequenas modificações no dia a dia. "Escolha um único processo que hoje gera gargalo, que seja repetitivo e que tenha volume. Muitos escolhem a área de Vendas porque ela mexe no faturamento rapidamente. Ajuste esse processo, coloque o módulo de IA para rodar, meça o resultado e só então expanda para as outras áreas. O risco de ficar parado e ser engolido pelo mercado já é muito maior do que o risco de começar pequeno e ajustar o caminho", finaliza Gabriel Borges Aguiar.