Quentão perfeito: a ciência por trás do calor do gengibre, da canela e da disputa entre vinho e cachaça no Brasil
O quentão marca presença certa em festas juninas e noites frias pelo país, mas ainda desperta muitas dúvidas.
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O quentão marca presença certa em festas juninas e noites frias pelo país, mas ainda desperta muitas dúvidas. Afinal, por que essa mistura de gengibre, canela e álcool aquece o corpo tão rápido? E por que em algumas regiões o preparo leva vinho tinto, enquanto em outras a estrela se torna a cachaça? A bebida ocupa hoje o status de tradição afetiva. Ao mesmo tempo, pesquisadores se interessam cada vez mais por entender o que acontece no organismo após alguns goles.
Estudos recentes em fisiologia e nutrição mostram que a sensação de calor provocada pelo quentão não se resume a mera impressão. De fato, laboratórios já analisam ingredientes como gengibre e canela e os relacionam ao aumento discreto do gasto energético e à melhora da circulação sanguínea. Além disso, chefs e bartenders de diferentes regiões explicam que cada versão da receita reflete a história local, o clima e os produtos disponíveis. Por isso, a discussão entre quentão de vinho e quentão de cachaça continua tão viva e, muitas vezes, apaixonada.
Como o gengibre, a canela e o álcool esquentam o corpo?
A palavra-chave nesse debate é quentão perfeito, expressão que, na prática, se relaciona a uma sensação térmica de conforto. Pesquisas em revistas de fisiologia indicam que o gengibre contém compostos como gingerol e shogaol, que estimulam a circulação periférica. Assim, após a ingestão, os vasos sanguíneos, especialmente próximos à pele, tendem a se dilatar levemente. Desse modo, o corpo passa a perceber mais calor em ambientes frios.
No caso da canela, estudos em metabolismo descrevem substâncias com efeito termogênico moderado. Em outras palavras, esses compostos elevam um pouco a produção de calor corporal durante a digestão. Quando alguém combina gengibre e canela em uma bebida quente e adocicada, o organismo responde com um pequeno aumento do gasto energético. Consequentemente, a pessoa sente um aquecimento mais evidente em dias gelados. Chefs especializados em culinária de inverno afirmam que o equilíbrio entre essas especiarias se torna essencial. Assim, o calor aparece de forma agradável, sem provocar desconforto intenso na boca ou no estômago.
O álcool, presente tanto no vinho quanto na cachaça, também entra nesse processo. Pesquisas em medicina interna mostram que o etanol provoca vasodilatação, sobretudo nos vasos superficiais. Esse efeito explica as bochechas ruborizadas depois de alguns goles. Embora o corpo não aumente muito a temperatura central, o sangue circula mais próximo da pele. Por isso, a pessoa sente uma impressão imediata de calor. Especialistas em segurança alimentar lembram, porém, que esse efeito dura pouco e não substitui roupas adequadas ou proteção contra o frio intenso. Ainda assim, esse mecanismo ajuda a explicar por que o quentão se associa tanto às noites de baixa temperatura.
Quentão perfeito: vinho ou cachaça faz diferença na tradição e no corpo?
A disputa entre quentão de vinho e quentão de cachaça atravessa o país e revela um pouco da história de cada região. No Sul e em partes do Sudeste, o uso do vinho se relaciona à forte influência de imigrantes europeus e à produção local de uvas. Pesquisadores em história da alimentação destacam que, desde o século XIX, famílias de origem italiana e alemã adaptam receitas de bebidas quentes europeias, como o vinho quente. Elas levam essas preparações para as festas brasileiras de inverno e incorporam especiarias tropicais e açúcar.
Já no Nordeste e no interior de vários estados, a base de cachaça assume o protagonismo. Historiadores da cultura popular ressaltam que a produção de cana-de-açúcar marca fortemente essas regiões. Desse modo, a cachaça se torna um ingrediente acessível e profundamente enraizado na identidade local. Em entrevistas a veículos gastronômicos, cozinheiros de cidades do interior costumam afirmar que quentão de verdade leva cachaça. Eles destacam o aroma intenso e o sabor mais marcante em comparação ao vinho tinto suave.
Do ponto de vista biológico, tanto o vinho quanto a cachaça fornecem álcool e, portanto, colaboram de forma semelhante para a sensação de calor. A diferença aparece principalmente na composição. O vinho contém polifenóis e outros compostos vindos da uva, enquanto a cachaça apresenta estrutura mais simples, com foco no teor alcoólico. Além disso, a bebida de cana reúne notas aromáticas que variam conforme o tipo de envelhecimento. Nutricionistas consultados por publicações especializadas lembram que o impacto no organismo se relaciona mais à quantidade ingerida e à velocidade do consumo. Assim, a escolha específica entre vinho ou cachaça exerce efeito bem menor do que muitas pessoas imaginam.
Quais curiosidades científicas e culinárias ajudam a chegar ao quentão perfeito?
Chefs de cozinha e pesquisadores que estudam bebidas tradicionais apontam alguns pontos em comum nas versões de quentão consideradas mais equilibradas. Em geral, a preparação começa com o aquecimento lento de açúcar e especiarias. Esse passo permite que os compostos aromáticos do gengibre e da canela se liberem antes da adição do álcool. Dessa forma, o aroma ganha força e, muitas vezes, a receita dispensa grandes quantidades de açúcar. O perfume intenso cria sensação de maior dulçor e agrada o paladar de forma mais sutil.
Alguns profissionais recomendam respeitar uma ordem simples de preparo:
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- Aquecer açúcar com cravo, canela e gengibre em fatias;
- Adicionar água para formar um xarope aromático;
- Incorporar vinho ou cachaça já com o fogo mais baixo;
- Evitar fervura prolongada após a entrada do álcool, para não perder todo o teor alcoólico nem concentrar demais o açúcar;
- Manter a bebida apenas aquecida, e não em ebulição constante.
Mesmo com tantos detalhes técnicos, o debate cultural permanece central na identidade do quentão. Em rodas de especialistas, diferentes defensores levantam argumentos a favor de cada escola:
- Defensores do vinho ressaltam a presença de taninos e aromas de frutas, que combinam com especiarias e criam perfil mais próximo de bebidas europeias;
- Defensores da cachaça destacam a ligação com a cana-de-açúcar, com o Nordeste e o interior, reforçando o caráter rural e festivo das festas juninas;
- Alguns bartenders propõem versões intermediárias, alternando bases alcoólicas e ajustando a quantidade de gengibre para modular a sensação térmica.