Cinema é a sétima arte? Veja a história do termo e conheça as seis expressões artísticas que o antecederam
As pessoas costumam apresentar o cinema como a sétima arte. Professores, críticos em jornais e espectadores em conversas do dia a dia repetem essa expressão com frequência.
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As pessoas costumam apresentar o cinema como a sétima arte. Professores, críticos em jornais e espectadores em conversas do dia a dia repetem essa expressão com frequência. A frase ganhou força ao longo do século 20 e, hoje, integra o vocabulário cultural de muitos países. No entanto, a origem desse rótulo vem de mais de um século atrás e se liga a um crítico italiano radicado na França. Esse pensador se interessava em entender o lugar do cinema entre as demais formas de criação artística.
Esse observador, Ricciotto Canudo, defendeu no início do século passado que o cinema não representava apenas entretenimento, mas sim uma nova linguagem artística. Para ele, os filmes combinavam elementos presentes em outras artes, como imagem, movimento, ritmo, música e narrativa. Assim, ao organizar essa ideia, Canudo estabeleceu uma ordem das artes e colocou o cinema em sétimo lugar. Desse modo, ele formou a classificação que se popularizou com o tempo e circulou em diferentes países.
Por que Ricciotto Canudo chamou o cinema de sétima arte?
Ricciotto Canudo publicou manifestos entre as décadas de 1910 e 1920 e argumentou que o cinema merecia reconhecimento como arte. Segundo ele, a tela reunia características da arquitetura, escultura, pintura, música, literatura e dança. Portanto, o cinema criava uma arte do tempo e do espaço ao mesmo tempo. Essa combinação de recursos visuais e sonoros, guiados por uma história, sustentava o status especial do cinema.
Em sua proposta, Canudo organizou uma espécie de lista oficial das artes conhecidas naquele momento. As seis primeiras artes correspondiam às já consolidadas havia séculos, ligadas a templos, estátuas, quadros, melodias, textos e coreografias. A sétima posição cabia ao cinema, visto como síntese dessas experiências. Com o avanço da indústria cinematográfica e da crítica especializada, essa classificação ganhou espaço em livros, cursos e debates. Hoje, muitas pessoas ainda usam essa lista em contextos acadêmicos e populares. Além disso, diversos pesquisadores questionam e atualizam essa ordem, mas mantêm o cinema como referência central.
Quais são as seis artes anteriores ao cinema?
Antes de o cinema surgir, outras seis expressões artísticas ocupavam posição central na história da cultura. Cada uma delas contribuiu com elementos que aparecem nas produções audiovisuais atuais. Isso vale para a construção de cenários, a direção de fotografia, a trilha sonora e o roteiro. A seguir, você encontra uma explicação simples de cada arte, organizada de forma clara.
Arquitetura: a arte de criar espaços
A arquitetura entra na lista como a primeira arte porque se liga à construção de edifícios, praças, casas e monumentos. Ela organiza o espaço em que as pessoas vivem, trabalham e circulam, unindo funcionalidade e estética. Catedrais, pontes e arranha-céus mostram como a arquitetura marca épocas e sociedades diferentes.
No cinema, essa influência aparece nos cenários e locações. A forma como um ambiente surge em um filme, mesmo quando a equipe trabalha em um estúdio, ajuda a contar a história. Assim, o espaço sugere riqueza, simplicidade, isolamento ou coletividade. Dessa maneira, a arquitetura dialoga diretamente com o universo dos filmes e orienta o olhar do público. Além disso, diretores de arte estudam construções reais para criar mundos verossímeis em produções de época e ficções científicas.
Escultura e pintura: formas e cores que ganham a tela
A escultura trabalha com materiais como pedra, madeira, metal ou argila para criar formas em três dimensões. Estátuas, relevos e monumentos esculpidos acompanham rituais, homenagens e registros de figuras históricas. No cinema, escultores produzem objetos de cena, criaturas e efeitos especiais físicos. Assim, eles transformam conceitos em presenças concretas diante da câmera.
Já a pintura organiza cores, luz e composição sobre superfícies como tela, parede ou papel. Quadros clássicos ajudam a definir estilos de iluminação, enquadramento e uso de sombra. Muitas equipes planejam cenas de filmes inspiradas em obras de pintores famosos. Desse modo, a direção de fotografia dialoga com tradições pictóricas e cria imagens marcantes. Além disso, movimentos artísticos como impressionismo e expressionismo influenciam paletas de cores, texturas e atmosferas de diversas produções.
Música, literatura e dança: ritmo, palavra e movimento
A música organiza sons em ritmo, melodia e harmonia. Como expressão das emoções humanas, ela acompanha cerimônias, festas, rituais e espetáculos desde a Antiguidade. No cinema, a trilha sonora indica clima, intensifica momentos de suspense e dá unidade às imagens. Além disso, a música cria memória afetiva e marca cenas emblemáticas. Em muitos casos, o público recorda um filme principalmente por causa de um tema musical marcante.
A literatura trabalha com a palavra escrita e cria histórias, personagens e universos imaginários. Romances, contos, poemas e peças teatrais servem como base para muitos roteiros. A estrutura de começo, meio e desdobramentos dramáticos surge, em grande parte, dessa tradição literária. Hoje, roteiristas adaptam livros, quadrinhos e crônicas para o cinema com grande frequência. Além disso, muitos filmes exploram narração em off, cartas e diálogos densos para aproximar a narrativa da experiência de leitura.
Por fim, a dança explora o corpo em movimento, acompanhada ou não de música. Ela organiza gestos, passos e coreografias e investiga ritmos e emoções por meio da presença física. No cinema, a dança aparece em musicais, videoclipes e sequências de ação. Assim, ela contribui para cenas marcadas por fluidez, impacto visual e coordenação precisa de movimentos. Coreógrafos colaboram com diretores para planejar batalhas, perseguições e números musicais que exigem grande controle corporal.
Por que o cinema é visto como uma arte completa?
As pessoas chamam o cinema de sétima arte porque essa linguagem reúne elementos de todas as outras. Em um filme, você encontra arquitetura nos cenários, escultura em objetos e modelos, pintura na fotografia, música na trilha, literatura no roteiro e dança na movimentação. Além disso, a montagem organiza essas partes no tempo e cria um ritmo próprio.
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Essa capacidade de combinar imagem, som e narrativa torna o cinema uma forma de expressão muito abrangente. Ele registra gestos, falas, paisagens e atmosferas em sequência e constrói experiências sensoriais intensas. Desde os primeiros experimentos no final do século 19 até as produções digitais atuais, o cinema mantém esse caráter de encontro entre diversas artes. Por isso, o termo sétima arte continua em uso mais de um século depois da proposta de Ricciotto Canudo. Hoje, novas mídias audiovisuais, como séries e produções para streaming, também se apoiam nesse legado. Além disso, jogos eletrônicos narrativos e experiências de realidade virtual ampliam esse diálogo e aproximam ainda mais o público do universo cinematográfico.